5 de abril de 2012
O hotel em Assis era muito bom, dormi como uma pedra até as 6:30 h. Às 8:00 h já estava na rodovia Raposo Tavares em direção a São Paulo. Cerca de 150 km adiante entrei na rodovia Castello Branco. A moto andava bem, mantive o ritmo dela, e ela voltou a fazer em torno de 19 km/litro de gasolina. Não adianta forçar a barra, temos que respeitar as limitações da máquina, sob o risco de ficar na estrada.
Final (ou início) da Castello Branco - Esp. Santo do Turvo
Almocei no Frango Assado de Sorocaba, quando notei um barulho estranho no pinhão. Estiquei e lubrifiquei a corrente, que estava bem frouxa, o barulho diminuiu e continuei.
Esticando a corrente na Castello Branco
Percorri os 315 km da Castello Branco e cheguei em uma Marginal do Tietê caótica com milhares de carros, ônibus e, principalmente caminhões. Era a saída do feriadão da semana santa, quando os paulistanos aproveitam para fugir da cidade em direção ao litoral. Ainda errei uma agulha na marginal e fui parar na rodovia Anhangüera, tendo que fazer um retorno em meio ao intenso tráfego, e com um calor de matar sob o casaco.
De volta à marginal, andei com cuidado pela pista lateral (a expressa é proibida às motos) até chegar à Dutra. Decidi ir pela Dutra mesmo, pois a Trabalhadores estava um congestionamento só. Andei muito lentamente na Dutra até a altura de Bonsucesso, com trânsito denso e lento, no máximo a 30 km/h.
A partir daí o fluxo fluiu melhor, mas com a estrada sobrecarregada de veículos, principalmente os pesados. Fui seguindo com cuidado até Roseira, onde apenas abasteci e continuei meu caminho.
Mais uma parada em Floriano, na cantina Ovomaltine, uma parada essencial para mim, que desde os tempos da cantina na própria fábrica paro por ali e tomo um autêntico Ovomaltine com leite.
Anoiteceu em Barra Mansa, entrei na RJ 155 e cheguei às 19:00 h em Rio Claro, local de onde parti rumo a esta aventura há exatos 16 dias e 7.280 km atrás.
Uma viagem ótima e cansativa, devido às limitações e características da Falcon, mas quem disse que uma moto pequena, antiga e carburada não seria capaz de suportar o que ela passou? Basta respeitar seu ritmo e conhecer suas limitações. Todas as vezes que tentei imprimir um regime que não era o dela, ela "reclamava" e aprontava alguma, como se para me alertar que eu deveria me lembrar em que máquina estava.
No final das contas, tudo terminou bem e o saldo foi altamente positivo. Além de conhecer a Quebrada de Humahuaca (um sonho antigo) e voltar a San Pedro de Atacama, ainda fiz amizade com Júlio e Almir, duas pessoas incríveis, que me acolheram em sua expediçao com motos maiores, mais potentes e injetadas e tiveram paciência com as minhas limitações, dando ainda uma ajuda quase divina quando precisei, seja empurrando a Falcon pelas cordilheiras geladas ou me escoltando nos trechos onde a Falcon mostrava sua inferioridade frente à V-Strom e à GS 800. Senti-me até amparado!
Apesar de não termos conseguido ingressar com as motos na Bolívia devido ao preconceito contra estrangeiros e à burocracia e corrupção reinantes naquele país, retornei a San Pedro de Atacama pela 3ª vez, cruzando o Paso de Jama, uma viagem que todos os apreciadores da natureza e das belezas selvagens da puna deveriam fazer. Não é um trecho fácil a travessia entre Purmamarca, na Argentina e San Pedro, no Chile, mas vale o sacrifício.
Cosidero a vigem encerrada com sucesso. Mais uma vez, agradeço a Deus por ter-me dado saúde para aproveitar todas as belezas que vi e vivi, e agradeço também aos meus novos amigos, Júlio e Almir pelo companheirismo e por toda a ajuda. Tenho certeza que ainda faremos outras viagens juntos, já me sinto até íntimo de seus amigos (Cláudio, Matheus e outros), mesmo sem conhecê-los. Como eles dizem, há parceiros e "malas", mas cabe a nós escolher os companheiros certos para cada viagem.
Até a próxima!
Guilherme Edel
domingo, 8 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Mais um problema!
Eu e Júlio saímos de Foz do Iguaçu um pouco antes das 9:00 h. Almir seguiu viagem ontem, após nos deixar na oficina do Geraldo, que trocou o regulador de voltagem e deu um jeito na moto.
Abastecemos próximo ao hotel, e nos primeiros quilômetros rodados já notei que a moto falhava nas rotações intermediárias. Ela funcionava em marcha lenta e em altas rotações, mas não conseguia andar em velocidade abaixo de 80 km/h.
Fomos andando; enquanto estávamos na pista dupla, tudo foi bem, mas após o término da autopista, a cada caminhão na frente com velocidade reduzida, a cada quebra-mola ou redução de velocidade e nos postos de pedágio, a moto "apagava" e não conseguia reacelerar. Isto aconteceu diversas vezes, um verdadeiro tormento, mas seguimos assim por 400 km até chegarmos a um agradável restaurante em Floresta, a 30 km de Maringá, onde almoçamos um comida gostosa, com feijão e arroz. Só então me dei conta de que não comia feijão e arroz desde que saí de casa.
Terminado o almoço, fomos para Maringá à oficina do "Araponga", amigo do Júlio. Cruzar a cidade até chegar à oficina foi uma verdadeira maratona: a moto morria e não queria ligar, e quando ligava não conseguia arrancar, era necessário puxar o afogador a acelerar ao máximo, e ela saía empinando a roda dianteira.
Ficamos na oficina durante 3 horas. Nesse meio tempo o Almir veio nos encontrar e buscar seu notebook, que houvera ficado em poder do Júlio.
Saímos da oficina às 17:00 h, e rodamos os 110 km que separam Maringá de Londrina. Em Londrina, me despedi do Júlio, que foi para casa, e eu entrei na estrada que liga Maringá a Assis, no estado de São Paulo. Eram 18: 20 h. Logo escureceu, e rodei 140 km à noite, mas a sorte e os céus estavam do meu lado: tempo bom, lua cheia, estrada praticamente reta e bem sinalizada. Apesar de haver um movimento razoável de carros e caminhões, andei bem, chegando a Assis às 20:20 h.
Hospedei-me no hotel Paragem, muito bom, novo, por R$ 58,00, com garagem e café da manhã.
Após um merecido banho, fui a pé jantar no restaurante "Vozão", uma comida caseira da melhor qualidade, conseguiu superar o almoço de hoje. Arroz, feijoada, carne de panela e salada, com um sabor especial. Tudo isso e mais um refrigerante 600 ml por R$ 10,00. Maravilha!
Retornei ao hotel e fui dormir. Espero que doravante a moto se comporte bem e não me apronte mais nada!
Acho que agora que estou rodando sozinho novamente, manterei um ritmo mais tranquilo e não terei mais problemas. Tentei imprimir à Falcon um ritmo muito forte, que ela não suporta. Não há como acompanhar meus companheiros que possuem motos potentes e grandes com a pequena Falcon, projetada para rodar em ambientes urbanos e em velocidades mais baixas.
Esou a 950 km de casa!
Abastecemos próximo ao hotel, e nos primeiros quilômetros rodados já notei que a moto falhava nas rotações intermediárias. Ela funcionava em marcha lenta e em altas rotações, mas não conseguia andar em velocidade abaixo de 80 km/h.
Fomos andando; enquanto estávamos na pista dupla, tudo foi bem, mas após o término da autopista, a cada caminhão na frente com velocidade reduzida, a cada quebra-mola ou redução de velocidade e nos postos de pedágio, a moto "apagava" e não conseguia reacelerar. Isto aconteceu diversas vezes, um verdadeiro tormento, mas seguimos assim por 400 km até chegarmos a um agradável restaurante em Floresta, a 30 km de Maringá, onde almoçamos um comida gostosa, com feijão e arroz. Só então me dei conta de que não comia feijão e arroz desde que saí de casa.
Terminado o almoço, fomos para Maringá à oficina do "Araponga", amigo do Júlio. Cruzar a cidade até chegar à oficina foi uma verdadeira maratona: a moto morria e não queria ligar, e quando ligava não conseguia arrancar, era necessário puxar o afogador a acelerar ao máximo, e ela saía empinando a roda dianteira.
Ficamos na oficina durante 3 horas. Nesse meio tempo o Almir veio nos encontrar e buscar seu notebook, que houvera ficado em poder do Júlio.
Saímos da oficina às 17:00 h, e rodamos os 110 km que separam Maringá de Londrina. Em Londrina, me despedi do Júlio, que foi para casa, e eu entrei na estrada que liga Maringá a Assis, no estado de São Paulo. Eram 18: 20 h. Logo escureceu, e rodei 140 km à noite, mas a sorte e os céus estavam do meu lado: tempo bom, lua cheia, estrada praticamente reta e bem sinalizada. Apesar de haver um movimento razoável de carros e caminhões, andei bem, chegando a Assis às 20:20 h.
Hospedei-me no hotel Paragem, muito bom, novo, por R$ 58,00, com garagem e café da manhã.
Após um merecido banho, fui a pé jantar no restaurante "Vozão", uma comida caseira da melhor qualidade, conseguiu superar o almoço de hoje. Arroz, feijoada, carne de panela e salada, com um sabor especial. Tudo isso e mais um refrigerante 600 ml por R$ 10,00. Maravilha!
Retornei ao hotel e fui dormir. Espero que doravante a moto se comporte bem e não me apronte mais nada!
Acho que agora que estou rodando sozinho novamente, manterei um ritmo mais tranquilo e não terei mais problemas. Tentei imprimir à Falcon um ritmo muito forte, que ela não suporta. Não há como acompanhar meus companheiros que possuem motos potentes e grandes com a pequena Falcon, projetada para rodar em ambientes urbanos e em velocidades mais baixas.
Esou a 950 km de casa!
terça-feira, 3 de abril de 2012
Um dia em Foz do Iguaçu
Pela manhã, eu e Júlio ligamos a Falcon no tranco e fomos nos encontrar com Almir, que nos levou à oficina do Gerado, para consertar minha moto. Deixamos a moto lá. Almir seguiu viagem para Maringá, pois tinha negócios a resolver, Júlio e eu pegamos 2 moto-táxis e fomos na garupa para o Paraguai, disputando na ponte o trânsito com carros, vans, ônibus, pedestres e caminhões, em um cenário tipico de terceiro mundo.
Fizemos algmas compras no Paraguai e retornamos a Foz, para pegar a moto na oficina.
O problema estava no regulador de voltagem, conforme eu imaginava. Aproveitei e mandei trocar o relé de partida, o óleo e o filtro. O importante é deixar a moto boa para encarar os 1.600 km que me separam do Rio de Janeiro.
Ao retornar ao hotel, ao anoitecer, sentamos à beira da piscina e esperamos a noite cair, tomando uma gelada. Vida dificil!
Fizemos algmas compras no Paraguai e retornamos a Foz, para pegar a moto na oficina.
O problema estava no regulador de voltagem, conforme eu imaginava. Aproveitei e mandei trocar o relé de partida, o óleo e o filtro. O importante é deixar a moto boa para encarar os 1.600 km que me separam do Rio de Janeiro.
Ao retornar ao hotel, ao anoitecer, sentamos à beira da piscina e esperamos a noite cair, tomando uma gelada. Vida dificil!
Resistência a Foz do Iguaçu
2 de abril de 2012 - segunda feira
Antes de sair de Resistência, tive que esticar a corrente da moto, que houvera folgado bastante. Feito isso, lubrificamos as correntes das 3 motos e saímos. Para pecorrer os primeiros 25 km, levamos 45 min, pois tivemos que sair de Resistência, cruzar a ponte Gral. Belgrano sobre o rio Paraná e atravessar a cidade de Corrientes sem usar a faixa central da avenida principal (que é a continuação da ruta 12). Muitos sinais e velocidade limitada contribuiram para a baixa média de velocidade.
Ingressamos na ruta 12 e o dia foi todo passado nessa estrada. Almoçamos em Posadas e às 18:00 h chegamos à fronteira Argentina/Brasil. Ao parar na aduana argentina minha moto desligou e não quis mais funcionar. Creio que foi o regulador de voltagem que se estragou, danificando a bateria.
Demos um tranco para ligar e entramos no Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu. Fomos para o hotel Muffato com a moto sem carregar a bateria; o farol foi ficando fraco, até a buzina parou de funcionar. Com alguma dificuldade, chegamos ao hotel.
Hotel Colon, em Resistencia

Almir morou por 20 anos em Foz, conhece tudo na cidade. Ele foi para a casa de sua sogra, onde pernoitaria, e Júlio e eu ficamos no hotel. Mais tarde, Almir veio nos encontrar no hotel, de onde saímos para tomar cervejas e comer petiscos no bar do Ceará, seu amigo, onde ficamos até as 24:00 h. Comemoramos o sucesso da viagem, que consideramos excelente. Fui e voltei de carona na garupa do Almir, pois minha moto estava morta, nem ligava.

Ponte Gral. Belgrano
Fronteira Brasil-Argentina
Antes de sair de Resistência, tive que esticar a corrente da moto, que houvera folgado bastante. Feito isso, lubrificamos as correntes das 3 motos e saímos. Para pecorrer os primeiros 25 km, levamos 45 min, pois tivemos que sair de Resistência, cruzar a ponte Gral. Belgrano sobre o rio Paraná e atravessar a cidade de Corrientes sem usar a faixa central da avenida principal (que é a continuação da ruta 12). Muitos sinais e velocidade limitada contribuiram para a baixa média de velocidade.
Demos um tranco para ligar e entramos no Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu. Fomos para o hotel Muffato com a moto sem carregar a bateria; o farol foi ficando fraco, até a buzina parou de funcionar. Com alguma dificuldade, chegamos ao hotel.
Hotel Colon, em Resistencia
Almir morou por 20 anos em Foz, conhece tudo na cidade. Ele foi para a casa de sua sogra, onde pernoitaria, e Júlio e eu ficamos no hotel. Mais tarde, Almir veio nos encontrar no hotel, de onde saímos para tomar cervejas e comer petiscos no bar do Ceará, seu amigo, onde ficamos até as 24:00 h. Comemoramos o sucesso da viagem, que consideramos excelente. Fui e voltei de carona na garupa do Almir, pois minha moto estava morta, nem ligava.
Ponte Gral. Belgrano
Fronteira Brasil-Argentina
domingo, 1 de abril de 2012
Um dia de ruta 16, cruzando o Chaco
A previsão para o dia de hoje era cruzar todo o Chaco pela ruta 16 até chegar a Resistência, onde pernoitaríamos .
Só saímos efetivamente de Joaquim V. Gonzales às 9:40 h, já com calor. Mantivemos a velocidade entre 110 e 120 km/h durante quase todo o percurso, de pouco mais de 700 km.
Não há muito o que dizer sobre a ruta 16: sempre plana, sem qualqer atrativo às suas margens, quente e com o asfalto iniciando um processo de deterioração em alguns trechos, em especial dentro da província de Salta.
A única coisa digna de nota foi o local onde paramos para almoçar em Pampa de los Guanacos: sujo, mal frequentado e com aparência nada convidativa, mas não havia outra opção a menos de 75 km e já estava ficando tarde. Fui olhar a churrasqueira e havia um gato morto na mesma, então achamos prudente não pedir churrasco. Nosso pedido foram 3 frangos à milanesa, encharcados de gordura, que comemos para não ficar com fome. Júlio e Almir ainda comeram ao todo 9 ovos fritos, os 3 de cada um e mais os meus 3.

Na saída, a dona do restaurante e mais as meninas que a ajudavam (seriam suas filhas?) ficaram embasbacadas com as motos, acho que nunca haviam visto uma dessas de perto. Tiramos fotos e seguimos nosso caminho. Acho que a passagem de 3 motoqueiros brasileiros por lá foi um evento, e será sempre lembrada!
Continuamos pela monótona ruta 16 até chegar a Resistência às 17:30 h. Não rodamos demais, foram 715 km em 7:30 h, mas o forte calor nos deixou cansados. Hospedamo-nos no hotel Colón, onde tenho ficado, em um espaçoso quarto triplo com direito a um banho de 1º mundo.
À noite, cerveja Stela com picada (tira gosto). Excelente!
Só saímos efetivamente de Joaquim V. Gonzales às 9:40 h, já com calor. Mantivemos a velocidade entre 110 e 120 km/h durante quase todo o percurso, de pouco mais de 700 km.
Não há muito o que dizer sobre a ruta 16: sempre plana, sem qualqer atrativo às suas margens, quente e com o asfalto iniciando um processo de deterioração em alguns trechos, em especial dentro da província de Salta.
A única coisa digna de nota foi o local onde paramos para almoçar em Pampa de los Guanacos: sujo, mal frequentado e com aparência nada convidativa, mas não havia outra opção a menos de 75 km e já estava ficando tarde. Fui olhar a churrasqueira e havia um gato morto na mesma, então achamos prudente não pedir churrasco. Nosso pedido foram 3 frangos à milanesa, encharcados de gordura, que comemos para não ficar com fome. Júlio e Almir ainda comeram ao todo 9 ovos fritos, os 3 de cada um e mais os meus 3.
Na saída, a dona do restaurante e mais as meninas que a ajudavam (seriam suas filhas?) ficaram embasbacadas com as motos, acho que nunca haviam visto uma dessas de perto. Tiramos fotos e seguimos nosso caminho. Acho que a passagem de 3 motoqueiros brasileiros por lá foi um evento, e será sempre lembrada!
Continuamos pela monótona ruta 16 até chegar a Resistência às 17:30 h. Não rodamos demais, foram 715 km em 7:30 h, mas o forte calor nos deixou cansados. Hospedamo-nos no hotel Colón, onde tenho ficado, em um espaçoso quarto triplo com direito a um banho de 1º mundo.
À noite, cerveja Stela com picada (tira gosto). Excelente!
Susques a Joaquim V. Gonzáles
31 de março de 2012
O dia amanheceu com céu totalmente azul e temperatura de 8 ºC em Susques, ideal para cruzar os 160 km de cordilhera que ainda faltavam.
A Falcon andou muito bem, fraca pela altitude e falta de oxigênio, mas venceu todas as subidas bem, inclusive a subida entre Salinas Grandes e Abra de Potrlillos, onde chegamos a 4.200 msnm.
Paramos em Salinas Grandes, onde conhecemos Pablo Luna, um motoqueiro argentino que estava fazendo uma viagem com uma Falcon até o México. Diversos motociclistas param por lá para aproveitar o local exótico, e sempre vamos conversando e conhecendo aventureiros como nós, que querem descobrir a América do Sul.
Na saída de Salinas Grandes, um motociclista local com uma pequena moto estava parado na beira da estrada, sem gasolina, e qualquer posto estava a mais de 100 km. Ele queria apenas conseguir subir a montanha, pois conseguiria descer desligado até chegar a algum povoado onde pudesse obter gasolina com conhecidos. Lembrei-me do Juan, que dispôs de seu tempo, boa vontade e experiência para me ajudar no Chaco e dei-lhe a gasolina que trazia em um galão para emergência. Essa era a emergência. Eu tinha a obrigação de fazer algo por alguém pra não ficar tão em débito com a justiça dos céus! Fiz o que deveria e segui viagem. Almir e Júlio estavam mais atrás, quando me alcançaram eu já estava bem mais adiante. Não é neve, é sal!

Em uma parada para fotos na descida da imponente Cuesta de Lipán, conhecemos um motociclista austríaco que viajava de Honda Varadero. Ele houvera ficado maravilhado com Purmamarca, e eu lhe disse que ele gostaria ainda mais de San Pedro de Atacama. Ele se foi empolgado, não acredtava que ainda pudesse haver uma cidade mais interessante que Purmamarca. Seu irmão vinha um pouco atrás, com uma Honda Transalp. Eles despacharam as motos da Europa para Montevidéu,
onde iniciaram a viagem pelo continente sul americano O transporte custou US$ 2.000,00, e a Varadero custou US$ 4.000,00 na Áustria. Considerando-se que o salário médio dos europeus é maior que o nosso, é mais fácil para eles fazerem este tipo de viagem.
Continuando nossa viagem, descemos a Cuesta de Lipán, sempre imperdível, passamos pela região dos cardones (cactus gigantes) e entramos em Purmamarca pra retirar dinheiro em um caixa eletrônico.
Já em altitude mais baixa, a Falcon voltou a render novamente, e pude andar bem, embora sem conseguir manter o ritmo da GS 800 e da V Strom 1000, o que é normal.
Almoçamos em Jujuy, em um posto na estrada, e 160 km adiante saímos da ruta 9 para entrar na ruta 16, que cruza a província do Chaco. Rodamos mais 100 km e paramos em Joaquim V. Gonzales para pernoitar.
À noite saímos de moto pela cidade sem capacete (uma delícia), ninguém o usa por aqui. Tomamos merecidas cervejas Quilmes em um bar e depois fomos jantar uma parrilhada. Nosso hotel é ótimo (Ayres de Campo), uma descoberta de Júlio e Almir, que pernoitaram nele na ida, após nos conhecermos no Chaco.
Amanhã cruzaremos a ruta 16 com destino a Resistência. Era nossa intenção ir a Salta e passar um dia por lá para ir a San Antônio de los Cobres, mas a perda da jaqueta, dinheiro e documentos do Almir nos fez mudar de rumo, o que é compreensível.
GE, Júlio e Pablo, Salinas Grandes
O dia amanheceu com céu totalmente azul e temperatura de 8 ºC em Susques, ideal para cruzar os 160 km de cordilhera que ainda faltavam.
A Falcon andou muito bem, fraca pela altitude e falta de oxigênio, mas venceu todas as subidas bem, inclusive a subida entre Salinas Grandes e Abra de Potrlillos, onde chegamos a 4.200 msnm.
Paramos em Salinas Grandes, onde conhecemos Pablo Luna, um motoqueiro argentino que estava fazendo uma viagem com uma Falcon até o México. Diversos motociclistas param por lá para aproveitar o local exótico, e sempre vamos conversando e conhecendo aventureiros como nós, que querem descobrir a América do Sul.
Em uma parada para fotos na descida da imponente Cuesta de Lipán, conhecemos um motociclista austríaco que viajava de Honda Varadero. Ele houvera ficado maravilhado com Purmamarca, e eu lhe disse que ele gostaria ainda mais de San Pedro de Atacama. Ele se foi empolgado, não acredtava que ainda pudesse haver uma cidade mais interessante que Purmamarca. Seu irmão vinha um pouco atrás, com uma Honda Transalp. Eles despacharam as motos da Europa para Montevidéu,
onde iniciaram a viagem pelo continente sul americano O transporte custou US$ 2.000,00, e a Varadero custou US$ 4.000,00 na Áustria. Considerando-se que o salário médio dos europeus é maior que o nosso, é mais fácil para eles fazerem este tipo de viagem.
Continuando nossa viagem, descemos a Cuesta de Lipán, sempre imperdível, passamos pela região dos cardones (cactus gigantes) e entramos em Purmamarca pra retirar dinheiro em um caixa eletrônico.
Já em altitude mais baixa, a Falcon voltou a render novamente, e pude andar bem, embora sem conseguir manter o ritmo da GS 800 e da V Strom 1000, o que é normal.
Almoçamos em Jujuy, em um posto na estrada, e 160 km adiante saímos da ruta 9 para entrar na ruta 16, que cruza a província do Chaco. Rodamos mais 100 km e paramos em Joaquim V. Gonzales para pernoitar.
À noite saímos de moto pela cidade sem capacete (uma delícia), ninguém o usa por aqui. Tomamos merecidas cervejas Quilmes em um bar e depois fomos jantar uma parrilhada. Nosso hotel é ótimo (Ayres de Campo), uma descoberta de Júlio e Almir, que pernoitaram nele na ida, após nos conhecermos no Chaco.
Amanhã cruzaremos a ruta 16 com destino a Resistência. Era nossa intenção ir a Salta e passar um dia por lá para ir a San Antônio de los Cobres, mas a perda da jaqueta, dinheiro e documentos do Almir nos fez mudar de rumo, o que é compreensível.
GE, Júlio e Pablo, Salinas Grandes
sexta-feira, 30 de março de 2012
Um trecho sempre difícil
Pela manhã, enquanto Júlio e Almir faziam o passeio aos geiseres del Tatio, comprei corda para rebocar a minha moto em caso de necessidade, um pincel, óleo diesel e abasteci a moto. O pincel e o diesel são para limpar as correntes, que estavam impregnadas de óleo com pó de pedra das estradas de rípio.
Limpei e lubrifiquei as correntes das 3 motos e saí para caminhar pela cidade e aproveitei para pegar a roupa que houvera mandado lavar.
Eles chegaram do passeio às 12:30 h, almoçamos correndo para desocupar o quarto antes das 13:00h e eu fui para a aduana para partir antes, pois logo eles me alcançariam na estrada. Nossa meta era chegar a Susques para pernoitar por lá.
Na saída de San Pedro para o Paso de Jama há uma subida de 50 km bem acentuada, com a estrada passando ao lado do vulcão Licancabur. Consegui andar por 36 km, quando a moto não conseguiu mais subir. Os próximos 4 km foram percorridos em 1 hora, até que a moto parou e não conseguia nem arrancar na ladeira. Esperei por 45 min a mais de 4.500 msnm, com vento e muito frio, mas Almir e Júlio não chegavam. Consegui fazer a moto funcionar e andei mais 9 km, e ela parou novamente, sem força para continuar. Passados mais ums 20 minutos, eles chegaram.
Vulcão Licancabur, 5990 msnm, ao lado da estrada
Almir houvera perdido sua jaqueta com R$ 1.500,00, mais documentos e cartões de crédito. Eles tiveram que registrar a ocorrência junto aos Carabineros de Chile, para que pudessem deixar o país sem os documentos da moto, esta foi a razão do atraso.
Amarramos minha moto com a corda na moto do Almir e ele me rebocou ladeira acima, uma situação perigosa, devido aos trancos. Qualquer bobeada resultaria em um tombo. Após a grande subida, tentei andar com a moto sem corda, mas ela não passava de 40 km/h em 3ª marcha, então Almir passou a empurrá-la com o pé. Fui ajudando com o que o motor da Falcon conseguia fazer, mas ele empurrou por 110 km, até o Paso de Jama. As belas e radicais paisagens não puderam ser curtidas como deveriam.
No Paso de Jama, contamos com a boa vontade dos policiais federais argentinos, que se dispuseram a nos ajudar, para que o Almir pudesse ingressar com a moto sem documentos na Argentina. A sorte foi que entramos por lá alguns dias atrás, então eles rastrearam o número do chassis da moto e autorizaram seu ingresso em solo argentino. Imagine se fosse na Bolívia...
Já eram 19:10 h quando saí do Paso
Acidente com "cegonha" e 9 carros, todos incendiados na puna
de Jama na frente dos outros dois, para ganhar tempo. Já estava escurecendo e ainda estávamos a 120 km de Susques. Eles me alcançaram 40 km adiante, e o Almir continuou empurrando a Falcon com o pé. Passamos pelo Salar de Olaroz e por diversas lagunas altiplânicas, que mais pareciam um mar de águas verdes. Escureceu, a temperatura caiu mais e começou a chover, mas não paramos, continuamos em frente até chegar ao complexo Pastos Chicos, em Susques, às 20:40 h. Andamos mais 1 hora à noite sob chuva, com o Almir empurrando minha moto a até 100 km/h. Estávamos exastos, tanto pela viagem em si, como também pela tensão de andar "rebocado" por cerca de 200 km e pela perda da jaqueta e dos documentos do Almir. O trecho é sinuoso em grandes altitudes. Jantamos, conseguimos um quarto para três e fomos dormir.
Trecho San Pedro - Susques, a mais de 4500 msnm
A travessia da cordilheira dos Andes entre Jujuy e San Pedro nunca foi fácil, devido às altitudes envolvidas, o que se reflete em problemas nas motos carburadas (caso da Falcon), falta de oxigênio para nós e muito frio. Mas vencemos mais esta etapa!
Limpei e lubrifiquei as correntes das 3 motos e saí para caminhar pela cidade e aproveitei para pegar a roupa que houvera mandado lavar.
Eles chegaram do passeio às 12:30 h, almoçamos correndo para desocupar o quarto antes das 13:00h e eu fui para a aduana para partir antes, pois logo eles me alcançariam na estrada. Nossa meta era chegar a Susques para pernoitar por lá.
Vulcão Licancabur, 5990 msnm, ao lado da estrada
Almir houvera perdido sua jaqueta com R$ 1.500,00, mais documentos e cartões de crédito. Eles tiveram que registrar a ocorrência junto aos Carabineros de Chile, para que pudessem deixar o país sem os documentos da moto, esta foi a razão do atraso.
Amarramos minha moto com a corda na moto do Almir e ele me rebocou ladeira acima, uma situação perigosa, devido aos trancos. Qualquer bobeada resultaria em um tombo. Após a grande subida, tentei andar com a moto sem corda, mas ela não passava de 40 km/h em 3ª marcha, então Almir passou a empurrá-la com o pé. Fui ajudando com o que o motor da Falcon conseguia fazer, mas ele empurrou por 110 km, até o Paso de Jama. As belas e radicais paisagens não puderam ser curtidas como deveriam.
Preparando para rebocar a Falcon
No Paso de Jama, contamos com a boa vontade dos policiais federais argentinos, que se dispuseram a nos ajudar, para que o Almir pudesse ingressar com a moto sem documentos na Argentina. A sorte foi que entramos por lá alguns dias atrás, então eles rastrearam o número do chassis da moto e autorizaram seu ingresso em solo argentino. Imagine se fosse na Bolívia...
Já eram 19:10 h quando saí do Paso
Acidente com "cegonha" e 9 carros, todos incendiados na puna
de Jama na frente dos outros dois, para ganhar tempo. Já estava escurecendo e ainda estávamos a 120 km de Susques. Eles me alcançaram 40 km adiante, e o Almir continuou empurrando a Falcon com o pé. Passamos pelo Salar de Olaroz e por diversas lagunas altiplânicas, que mais pareciam um mar de águas verdes. Escureceu, a temperatura caiu mais e começou a chover, mas não paramos, continuamos em frente até chegar ao complexo Pastos Chicos, em Susques, às 20:40 h. Andamos mais 1 hora à noite sob chuva, com o Almir empurrando minha moto a até 100 km/h. Estávamos exastos, tanto pela viagem em si, como também pela tensão de andar "rebocado" por cerca de 200 km e pela perda da jaqueta e dos documentos do Almir. O trecho é sinuoso em grandes altitudes. Jantamos, conseguimos um quarto para três e fomos dormir.
Trecho San Pedro - Susques, a mais de 4500 msnm
A travessia da cordilheira dos Andes entre Jujuy e San Pedro nunca foi fácil, devido às altitudes envolvidas, o que se reflete em problemas nas motos carburadas (caso da Falcon), falta de oxigênio para nós e muito frio. Mas vencemos mais esta etapa!
San Pedro de Atacama II
Enquanto espero meus companheiros de viagem voltarem de um passeio aos geiseres del Tatio, dei mais uma volta por esta cidade apaixonante que atrai visitantes de todo o mundo, principalmente europeus, com predominância de nórdicos e alemães. San Pedro na verdade é um óasis no árido deserto do Atacama, um local rústico e simples, de acesso difícil, mas que apaixona quem a conhece.
Aproveito para enviar algumas fotos do local.
Aproveito para enviar algumas fotos do local.
quinta-feira, 29 de março de 2012
San Pedro de Atacama
O dia de hoje foi um semi pit stop para descansarmos o corpo do ritmo intenso dos últimos dias.
Pela manhã vagamos por San Pedro de Atacama, uma cidade diferente e charmosa. Entramos em lojas, tiramos fotos e curtimos o astral diferente do local, abençoado pelo imponente vulcão Licancabur, com seu cume eternamente nevado e sua altura de 5.950 m.

À tarde fomos fazer um passeio, que já fiz duas vezes anteriormente, mas que sempre me agrada: visitar o vale da morte e o vale da lua. Andamos em locais que se assemelham a paisagens lunares, assim como também circulamos em regiões em que o solo é puro sal, que brota das entranhas da terra. Não chega a ser um salar, pois o mecanismo de formação é outro, mas é uma coisa diferente para nós. Culminando o passeio, assistimos ao por do sol no vale da lua, sobre uma duna gigante, um espetáculo sempre bonito, com o sol se pondo de um lado e uma imensa sombra projetando-se sobre o vulcão Licancabur. O céu vai mudando de cor até o total desaparecimento da luz solar, quando a lua assume o espetáculo.

Estamos fazendo uma pequena modificação em nossos planos: para ganhar tempo de viagem e evitar transtornos maiores como viajar à noite e frio intenso, devemos partir amanhã após o almoço, com previsão de pernoite em Susques, povoado situado a 3.850 msnm. a meio caminho entre San Pedro de Atacama e San Salvador de Jujuy. Do dia seguinte pretendemos chegar a Salta.
Pela manhã vagamos por San Pedro de Atacama, uma cidade diferente e charmosa. Entramos em lojas, tiramos fotos e curtimos o astral diferente do local, abençoado pelo imponente vulcão Licancabur, com seu cume eternamente nevado e sua altura de 5.950 m.
Estamos fazendo uma pequena modificação em nossos planos: para ganhar tempo de viagem e evitar transtornos maiores como viajar à noite e frio intenso, devemos partir amanhã após o almoço, com previsão de pernoite em Susques, povoado situado a 3.850 msnm. a meio caminho entre San Pedro de Atacama e San Salvador de Jujuy. Do dia seguinte pretendemos chegar a Salta.
Vencendo as cordilheiras - um dia intenso
28 de março de 2012
Saimos da pousada em Tilcara e seguimos até Purmamarca, pequeno povoado de origem indígena muito simples, bonito e agradável, pois Júlio e Almir queriam comprar meias de lã, e eu precsava sacar mais dinheiro em moeda argentina.
Eu saí para a subir a montanha na frente deles, devido às limitações da Falcon frente à BMW GS 800 e à V-Strom 1000. Subi com alguma dificuldade e muita paciência a imponente Cuesta de Lipán, um zig-zag pela montanha, atingindo a altitude de 4.180 msnm em seu ponto mais alto. A moto ficou muito fraca e falhando, mas fui subindo devagar, curtindo cada curva e cada nova montanha que aparecia pela frente. Nenhuma foto seria capaz de mostrar a imponência da montanha riscada pela estrada serpenteante, e nenhuma descrição seria justa com a grandeza e beleza do local. É a 4ª vez que passo por aqui, e sempre me emociono e me sinto pequeno diante de tamanha grandiosidade da natureza.
Fronteira Argentina-Chile a 4.350 msnm
Desci a montanha pelo outro lado e cheguei a Salinas Grandes, um imenso salar rasgado pela ruta 52. Fiquei esperando pelos companheiros de viagem em Salinas Grandes, no meio do salar, durante 45 min, o que me deixou mais bronzeado do que um dia inteiro na praia. O salar fica a cerca de 3.400 m de altitude.
Salar Salinas Grandes
Quando eles chegaram, parti na frente, sempre devido às limitações da minha moto. Segui no ritmo que conseguia andar, e em alguns trechos chegava até os 80 km/h. Realmente, uma moto carburada é totalmente contra-indicada para grandes altitudes.
Encontramo-nos em Susques, a 160 km de Purmamarca, para almoçar, às 13:40 h. Abastecemos as motos, pois ainda havia um longo caminho pela frente até nosso destino, San Pedro de Atacama, no Chile. Ficamos sabendo que havia sido aberto um posto de gasolina em Paso de Jama, na fronteira Argentina-Chile, o que eliminou a necessidade de levar galões de gasolina como reserva.
Nossa próxima parada foi justamente no Paso de Jama, na fronteira, depois de passar por paisagens incríveis, bandos de Lhamas e alpacas e um deserto de altitude frio, vazio e belo. A estrada corre a uma altitude de 3.650 m entre cumes de montanhas, algumas com neve em seu topo.
Após os trâmites aduaneiros em Jama (saída da Argentina), a estrada chega a 4.350 m de altitde, ingressa no Chile e continua nessa incrível altitude. Mais lagunas altiplânicas e paisagens de tirar o fôlego, com temperatura de 6 ºC. Minha moto começou a piorar, e já eram mais de 17:00 h. Júlio e Almir passaram por mim e combinamos nos encontrar na aduana de San Pedro de Atacama, 160 km adiante, os mais difíceis da travessia, devido à altitude. A Falcon já não conseguia mais ter força para andar em 5ª marcha, fui em 4ª a 60 km/h. Em qualquer subida, tinha que reduzir para 3ª ou 2ª, caindo a velocidade para menos de 40 km/h.
Laguna altiplanica a mais de 4.300 msnm
Em um trecho onde há uma subida mais forte, a temperatura já estava em 3,5 ºC e a moto não conseguia subir, afogava, parava e não tinha forças sequer para arrancar em 1ª, mesmo queimando a embreagem. Cheguei a saltar e empurrar a moto ladeira acima com a pequena ajuda do motor, para ver se conseguia ao menos chegar ao topo, mas o frio intenso e a falta de oxigênio mostraram que eu não conseguiria. Estava a cerca de 4.800 m de altitude, próximo ao ponto mais alto da estrada, estava escurecendo e ainda faltavam 110 km para San Pedro. Fui subindo com a moto aos trancos em 1ª, a menos de 5 km/h, torcendo para a moto aguentar aquela exigência, pois eu dependia dela para sair dali. Fui subindo naquele sufoco por mais de 40 min e não andei mais que 3 km.
Consegui, a duras penas, chegar ao topo, Para piorar, estava gripado, totalmente congestionado, respirando pela boca e com pouco oxigênio, tanto para mim, como para a moto.
Deus tem estado do meu lado. Quando vi as coisas ficarem feias de verdade, Almir e Júlio apareceram de volta com suas motos. Eles estavam fotografando à beira da estrada, e um caminhoneiro que viu minha dificuldade acenou-lhes que minha moto estava mal. Já estava no plano, mas a quase 5.000 msnm, minha moto não passava de 30 km/h, devido à falta de oxigênio para misturar-se com a gasolina e queimar. Almir começou a empurrar-me com o pé até 80 km/h, durante mais de 60 km. Para complicar um pouco, a temperatura caiu para 1,5ºC negativos (-1,5ºC) e começou a nevar forte. Eu com o nariz entupido e viseira embaçada, nós três tremendo de frio, Almir me empurrando com o pé e a neve caindo forte... Seria belo, se não fosse a situação!
Andamos assim por 1 hora, contornamos o vulcão Licancabur com temperatura negativa até que começou a imensa descida de 50 km em direção a San Pedro. Almir parou de empurrar, minha moto desceu sozinha e a temperatura foi aumentando à medida que descíamos. Parou de nevar, e conseguimos chegar, depauperados, à aduana de San Pedro de Atacama com noite alta, onde fizemos todos os trâmites de ingresso no Chile.
Não tínhamos moeda chilena. Passamos em um caixa automático, sacamos dinheiro e fomos procurar hotel. Encontramos muitos motoqueiros de vários locais, muitos haviam tido problemas para entrar na Bolívia e retornaram, como nós.
Jantamos às 23:30 h e fomos dormir totalmente exaustos e esgotados, porém felizes. Afinal, não era isso que queríamos?
O dia de hoje foi incrível em termos de paisagens, que são únicas e raras. Só quem já viu e passou por aqui sabe disso, é impossível descrever, inclusive as cores, o cheiro e até o silêncio dos locais ermos e altos. E a neve? Que coisa linda, pena que veio em uma hora em que não deu para curti-la como merecia.
Vulcão Licancabur ao fundo, na estrada à noite -1,5ºC!
Nós três temos a mesma opinião, de que tudo que passamos valeu, e muito! E devo aos meus companheiros de viagem, Júlio e Almir, o fato de estar aqui escrevendo, pois se não voltassem para me socorrer, não sei como sairia dali, com a moto sem passar dos 20 km/h, a uma temperatura de -1,5ºC, à noite e com a neve caindo. Realmente, seria muito mais difícil do que foi.
Saimos da pousada em Tilcara e seguimos até Purmamarca, pequeno povoado de origem indígena muito simples, bonito e agradável, pois Júlio e Almir queriam comprar meias de lã, e eu precsava sacar mais dinheiro em moeda argentina.
Eu saí para a subir a montanha na frente deles, devido às limitações da Falcon frente à BMW GS 800 e à V-Strom 1000. Subi com alguma dificuldade e muita paciência a imponente Cuesta de Lipán, um zig-zag pela montanha, atingindo a altitude de 4.180 msnm em seu ponto mais alto. A moto ficou muito fraca e falhando, mas fui subindo devagar, curtindo cada curva e cada nova montanha que aparecia pela frente. Nenhuma foto seria capaz de mostrar a imponência da montanha riscada pela estrada serpenteante, e nenhuma descrição seria justa com a grandeza e beleza do local. É a 4ª vez que passo por aqui, e sempre me emociono e me sinto pequeno diante de tamanha grandiosidade da natureza.
Fronteira Argentina-Chile a 4.350 msnm
Desci a montanha pelo outro lado e cheguei a Salinas Grandes, um imenso salar rasgado pela ruta 52. Fiquei esperando pelos companheiros de viagem em Salinas Grandes, no meio do salar, durante 45 min, o que me deixou mais bronzeado do que um dia inteiro na praia. O salar fica a cerca de 3.400 m de altitude.
Salar Salinas Grandes
Quando eles chegaram, parti na frente, sempre devido às limitações da minha moto. Segui no ritmo que conseguia andar, e em alguns trechos chegava até os 80 km/h. Realmente, uma moto carburada é totalmente contra-indicada para grandes altitudes.
Encontramo-nos em Susques, a 160 km de Purmamarca, para almoçar, às 13:40 h. Abastecemos as motos, pois ainda havia um longo caminho pela frente até nosso destino, San Pedro de Atacama, no Chile. Ficamos sabendo que havia sido aberto um posto de gasolina em Paso de Jama, na fronteira Argentina-Chile, o que eliminou a necessidade de levar galões de gasolina como reserva.
Nossa próxima parada foi justamente no Paso de Jama, na fronteira, depois de passar por paisagens incríveis, bandos de Lhamas e alpacas e um deserto de altitude frio, vazio e belo. A estrada corre a uma altitude de 3.650 m entre cumes de montanhas, algumas com neve em seu topo.
Após os trâmites aduaneiros em Jama (saída da Argentina), a estrada chega a 4.350 m de altitde, ingressa no Chile e continua nessa incrível altitude. Mais lagunas altiplânicas e paisagens de tirar o fôlego, com temperatura de 6 ºC. Minha moto começou a piorar, e já eram mais de 17:00 h. Júlio e Almir passaram por mim e combinamos nos encontrar na aduana de San Pedro de Atacama, 160 km adiante, os mais difíceis da travessia, devido à altitude. A Falcon já não conseguia mais ter força para andar em 5ª marcha, fui em 4ª a 60 km/h. Em qualquer subida, tinha que reduzir para 3ª ou 2ª, caindo a velocidade para menos de 40 km/h.
Laguna altiplanica a mais de 4.300 msnm
Em um trecho onde há uma subida mais forte, a temperatura já estava em 3,5 ºC e a moto não conseguia subir, afogava, parava e não tinha forças sequer para arrancar em 1ª, mesmo queimando a embreagem. Cheguei a saltar e empurrar a moto ladeira acima com a pequena ajuda do motor, para ver se conseguia ao menos chegar ao topo, mas o frio intenso e a falta de oxigênio mostraram que eu não conseguiria. Estava a cerca de 4.800 m de altitude, próximo ao ponto mais alto da estrada, estava escurecendo e ainda faltavam 110 km para San Pedro. Fui subindo com a moto aos trancos em 1ª, a menos de 5 km/h, torcendo para a moto aguentar aquela exigência, pois eu dependia dela para sair dali. Fui subindo naquele sufoco por mais de 40 min e não andei mais que 3 km.
Consegui, a duras penas, chegar ao topo, Para piorar, estava gripado, totalmente congestionado, respirando pela boca e com pouco oxigênio, tanto para mim, como para a moto.
Deus tem estado do meu lado. Quando vi as coisas ficarem feias de verdade, Almir e Júlio apareceram de volta com suas motos. Eles estavam fotografando à beira da estrada, e um caminhoneiro que viu minha dificuldade acenou-lhes que minha moto estava mal. Já estava no plano, mas a quase 5.000 msnm, minha moto não passava de 30 km/h, devido à falta de oxigênio para misturar-se com a gasolina e queimar. Almir começou a empurrar-me com o pé até 80 km/h, durante mais de 60 km. Para complicar um pouco, a temperatura caiu para 1,5ºC negativos (-1,5ºC) e começou a nevar forte. Eu com o nariz entupido e viseira embaçada, nós três tremendo de frio, Almir me empurrando com o pé e a neve caindo forte... Seria belo, se não fosse a situação!
Andamos assim por 1 hora, contornamos o vulcão Licancabur com temperatura negativa até que começou a imensa descida de 50 km em direção a San Pedro. Almir parou de empurrar, minha moto desceu sozinha e a temperatura foi aumentando à medida que descíamos. Parou de nevar, e conseguimos chegar, depauperados, à aduana de San Pedro de Atacama com noite alta, onde fizemos todos os trâmites de ingresso no Chile.
Não tínhamos moeda chilena. Passamos em um caixa automático, sacamos dinheiro e fomos procurar hotel. Encontramos muitos motoqueiros de vários locais, muitos haviam tido problemas para entrar na Bolívia e retornaram, como nós.
Jantamos às 23:30 h e fomos dormir totalmente exaustos e esgotados, porém felizes. Afinal, não era isso que queríamos?
O dia de hoje foi incrível em termos de paisagens, que são únicas e raras. Só quem já viu e passou por aqui sabe disso, é impossível descrever, inclusive as cores, o cheiro e até o silêncio dos locais ermos e altos. E a neve? Que coisa linda, pena que veio em uma hora em que não deu para curti-la como merecia.
Vulcão Licancabur ao fundo, na estrada à noite -1,5ºC!
Nós três temos a mesma opinião, de que tudo que passamos valeu, e muito! E devo aos meus companheiros de viagem, Júlio e Almir, o fato de estar aqui escrevendo, pois se não voltassem para me socorrer, não sei como sairia dali, com a moto sem passar dos 20 km/h, a uma temperatura de -1,5ºC, à noite e com a neve caindo. Realmente, seria muito mais difícil do que foi.
terça-feira, 27 de março de 2012
Mudança de planos
Ontem à noite fiz contato com Almir e Júlio, eles estavam em um hotel em La Quiaca.
Hoje pela manhã, após fechar a conta no hotel onde estava, fui para o hotel deles para sairmos juntos com destino à Bolívia. O Júlio houvera levado 2 tombos no caminho alternativo que fizeram a La Quiaca, a moto sofreu pequenos danos e ele estava com dor no joelho e no pescoço.
Tentamos conseguir uma loja de autopeças e uma oficina de moto em La Quiaca, mas não existiam. Demos um jeito no espelho da moto (BMW) e o Júlio comprou anti-inflamatório em uma farmácia, para aliviar a dor.
Abastecemos as motos, lubrificamos as correntes e seguimos para o posto de fronteira. Perdemos algum tempo devido à morosidade e à quantidade de pessoas, mas demos saída da Argentina, baixamos as motos e ingressamos na Bolívia. Quando fomos entrar com as motos, alegaram qe o seguro carta verde não valia na Bolívia. Tentamos saber como fazer o seguro exigido pela polícia boliviana e informaram que não existe seguradora na Bolívia que faça o tal seguro que nos exigiam. Criaram cada vez mais difculdades, para poder vender as facilidades. O Júlio ligou para o seu corretor, em Londrina, que iria resolver o problema enviando um fax para a aduana boliviana.
Perdemos de 3 a 4 horas na fronteira, com tudo resolvido, porém não podíamos ingressar na Bolívia por conta do tal seguro que não existia e ninguém sabia informar como era ou quem o fazia.
Resolvemos então abortar o ingresso na Bolívia. Demos saída da Bolívia, registramos novamente as motos para ingresso na Argentina, demos entrada na Argentina novamente em nossos passaportes e voltamos para La Quiaca, onde almoçamos no hotel de Turismo, onde Júlio e Almir estiveram hospedados. Achamos que esta foi a melhor decisão, amanhã iremos para San Pedro de Atacama, no Chile. Adeus, Bolívia, quem quiser que vá! Nossos passaportes se encheram de carimbos de entrada e saída dos 2 países.
Descemos a Quebrada de Humahuaca pela ruta 9, o mesmo caminho que fiz na ida. Pegamos uma forte chuva de gelo, justamente no ponto mais alto (Abra Pamapa, 3980 msnm), e a temperatura baixou para 2 ºC, fez um frio terrível, e as pedras de gelo que caíam machucaram a minha mão que ficou totalmente vermelha e dolorida. Esfriou tanto que parei de sentir as mãos, tive que parar debaixo da chuva e do gelo para colocar luvas mais grossas. Ainda assim, o cenário era fantástico, eles gostaram muito de todo o visual do caminho.
Entramos para dormir em Tilcara, bela cidadezinha com casas de adobe encravada aos pés das montanhas, no coração da Quebrada. Todos adoramos a cidade, e conseguimos uma pousada hiperbacana para pernoitar.
À noite, eu e Almir ainda saímos no frio para ir até o centro e comprar algumas provisões para amanhã, quando deveremos cruzar o Paso de Jama em direção ao Chile.
A temperatura em Tilcara deve estar em torno dos 8 ºC.
Com tantos acontecimentos, notícias ruins da B olíviae com as dificuldades colocadas, nós 3 gostamos da decisão de mudar o rumo da viagem. Para mim, tudo é festa, mas também gostel! Tudo levava a isto.
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