sexta-feira, 23 de março de 2012

Foz do Iguaçu a Resistência

O dia amanheceu com algumas nuvens em Foz, porém sem chuva. Eu houvera visto na internet que em Resistência não estaria chovendo, então arrumei tudo, vesti a calça um pouco molhada e desci para tomar  café da manhã. Fiquei conversando com Kenny e Lobo, motociclistas do Renegados MC, e atrasei um pouco a saída. Passei em um posto, abasteci a moto e troquei o óleo. Dirigi-me para a fronteira, e após os trâmites aduaneiros e uma troca de reais por pesos argentinos, às 9:45 h já estava rodando em terras argentinas.
Peguei a ruta 12, uma das estradas em que mais gosto de andar: asfalto impecável, vazia, bem sinalizada e cercada de uma mata densa muito bonita, que é a continuação do parque do Iguaçu. É uma delícia de andar, principalmente no seu primeiro trecho de 310 km, entre Foz do Iguaçu e Posadas, a capital da província de Missiones.
Após Posadas a estrada muda completamente, às suas margens não há mais matas, mas sim campos desmatados e transformados em pastos ou áreas de agricultura. Assemelha-se ao Chaco. São mais 350 km de Posadas a Resistência, capital do Chaco.
O dia foi todo de sol e céu azul. Concluo que só chove no Brasil! Não é a primeira vez que observo isto, basta atravessar a fronteira e o tempo e a temperatura mudam. Tentem, para confirmar o que digo!
Os guardas estavam muito vorazes. Por duas vezes precisei usar muita conversa para escapar de dar propina, mas acabei sucumbindo na entrada da ponte General Belgrano, sobre o rio Paraná, logo após cruzar a cidade de Corrientes. Quando vi que o guarda ameaçava prender a moto até que eu pagasse uma suposta multa, resolvi a questão com 100 pesos, morrendo de raiva e de pena de dar um dinheiro precioso para um safado. Faz parte do passeio, mas seria melhor sem isso!

                                                                                    Ruta 12, trecho Posadas-Corrientes 

Amanhã, no cruzamento do Chaco pela ruta 16, local famosos pela agressividade dos policiais para extorquir dinheiro, já imagino o que passarei. Está ficando difícil andar pela Argentina.
Em uma parada para abastecer, conversei com um senhor que retornava de Machu Pichu de carro. Disse que a Bolívia está um horror, que devo evitá-la (!!). Não estão querendo vender gasolina a estrangeiros, fecham as rodovias e praticam arrastões, e por aí afora. Ele teve um relógio e dinheiro roubados em um
bloqueio  da estrada, e a polícia só fez recomendar que se tome cuidado e evite estradas pouco movimentadas.Ele teve que comprar gasolina no câmbio negro, na mão de policiais. A coisa está feia!
Continuarei seguindo em frente com a minha viagem. Ao chegar à fronteira, decidirei o que fazer, mas não gostaria de voltar pelo mesmo caminho.


Para quem diz que a gasolina é barata na Argentina!

No momento estou em Resistência, em um hotel onde já fiquei 2 vezes. É caro, mas é uma cidade grande e não há muitas opções. Rodei os 660 km de Foz até aqui em 9 horas, mesmo com as paradas para abastecer, almoçar e negociar com guardas. As travessias urbanas de Posadas e Corrientes também tomam algum tempo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um dia de muita chuva

Antes de sair, costumo fazer um pequeno check da moto. Lubrifiquei a corrente e ao conferir o nível do óleo, vi que a vareta não estava nem molhando! Segui sem exigir muito do motor em direção a Londrina. O primeiro posto que possuía óleo para vender, estava a 60 km de distância. Completei o nível e segui viagem.

Entre Cornélio Procópio e Londrina a estrada estava vazia, uma beleza para andar. Nem corri, pois não havia necessidade. Atravessar o perímetro urbano de Londrina é um saco: velocidade controlada, quebra molas e muitos sinais. Leva-se quase meia hora.

Entre Londrina e Maringá, a estrada também não estava cheia, uma delícia. Em Maringá a sinalização é deficiente, se eu não conhecesse o contorno sul, teria atravessado a cidade, o que já ocorreu na viagem a Atacama. Perde-se no mínimo 45 minutos. O contorno tem 12 km de asfalto ruim, mas compensa.


Uns 30 km após Maringá, desabou uma chuva como eu nunca houvera visto. Primeiro, pingos grossos e volumosos, depois veio um vento fortíssimo e chegou até a cair um pouco de granizo. A chuva era tal que o dia fez-se noite e os pingos machucavam onde batiam, devido à velocidade. Não costumo ter medo de chuvas ou tempestades, mas tive que parar onde achei um posto como abrigo. A visibilidade era próxima de zero, parecia um dilúvio. Até os caminhões estavam parando.


Quando o vento passou, segui viagem sob o temporal, que me acompanhou até Foz do Iguaçu, foram mais de 6 horas de chuva impiedosa. Meu nariz escorria direto, e o resfriado piorou, mas eu não poderia ficar parado, tinha que seguir.

Felizmente, ao chegar em Foz do Iguaçu, já às 18:30 h, a chuva deu uma trégua. Hospedei-me em um hotel meia-boca por R$60,00, mas como é só para dormir, não me importo.

Minhas roupas estão molhadas, até a máquina fotográfica, dentro do próprio case e dentro do alforje, estava molhada. Tomara que não estrague!

Minha intenção é amanhã pela manhã ingressar na Argentina, mas agora não consigo pensar com clareza o que farei. Quando chegar a hora, decidirei.

Apesar de toda a chuva, consegui andar a uma velocidade razoável, em alguns trechos mais retos mantive 110 km/h, normalmente fui entre 90 e 100 km/h.

No hotel conheci 2 motoqueiros do motoclube Renegados, de Praia Grande/Santos, estavam voltando do Uruguai. Deram-me um adesivo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O primeiro dia

Finalmente chegou o dia!
Não dormi bem à noite, com mal estar generalizado e muita dor de garganta, mas imaginem se eu desistiria ou adiaria a viagem!
Após tomar café na padaria em Rio Claro (onde pernoitei), saí às 7:30 h, com neblina e um pouquinho de frio.
Após a deliciosa RJ 155 até Barra Mansa, cheguei à Dutra e segui viagem, no ritmo que a Falcon permite. A Dutra estava muito tranquila, com pequeno volume de veículos, assim como a Carvalho Pinto. Cruzar São Paulo nunca é bom, mas desta vez levei apenas 50 min do último posto da rodovia Trabalhadores até entrar na rodovia Castelo Branco. Mesmo de moto, já cheguei a levar 1:10 h para percorrer este trecho. Percorri os 315 km da Castelo Branco a uma velocidade em torno de 110 km/h, embora a estrada permitisse 120 km/h. Desta maneira, poupei a moto e a mim mesmo, pois o stress aumenta com a velocidade.
Após o término da Castelo, segui na direção de Ourinhos, e uma sinalização deficiente da concessionária CART me levou a errar uma saída, e nem notei. O mais interessante é que já fiz este caminho mais de 20 vezes! Andei muito tempo na rod. Raposo Tavares, até desconfiar que havia algo errado. Como para tudo tem jeito, peguei uma estrada secundária que passa por Palmital e foi sair em Andirá, já no Paraná, depois de cruzar o imponente rio Paranapanema. Esta estrada está ótima dentro do estado de São Paulo e péssima após entrar no Paraná, o que mostra a diferença entre as gestões estaduais e a importância que cada estado dá às suas rodovias.

Andei cerca de 90 km e cheguei a Cornélio Procópio (PR), minha meta estabelecida para hoje.
Viajei bastante combalido e congestionado todo o dia, sentindo-me até um pouco febril mas consegui andar 830 km em 11 horas de viagem. Nada mau para o primeiro dia.
Hospedei-me no hotel Midas (R$71,00), onde já estivera por duas vezes em viagens anteriores. Curioso é que consegui chegar ao hotel atravessando toda a cidade, sem errar o caminho! E olhe que não é tão simples!
A moto está se comportando muito bem. Sinto falta do torque e da velocidade da Bandit, mas já me entendi com a Falcon, apesar de mais lenta e mais fraca, ela dá conta do recado, apenas precisamos conhecer suas limitações para não arriscar alguma ultrapassagem e correr perigo. A média de consumo foi 17 km/litro, variando de 20 km/l nos trechos onde a velocidade média foi inferior a 100 km/h e 15 km/l quando andei a 120 km/h, ou seja, a Bandit com seus 4 cilindros e 100 CV é mais econômica que a Falcon, de 1 cilindro e meros 32 CV. Isto a 120 km/hora! O  arrasto (resistência ao deslocamento) está muito grande devido aos alforjes laterais. Um pequeno aumento na velocidade aumenta exponencialmente a resistência do ar e o consumo.
Quanto às estradas que percorri, já as conhecia, talvez por isso não discorra muito sobre o assunto. O por-do-sol na pequena estrada que liga a Raposo Tavares a Andirá via Palmital foi fantástico!
Amanhã tem mais!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quase partindo!


Estou em Rio Claro, a uma semana da partida para o Norte da Argentina e Bolívia. A expectativa é grande, não vejo a hora de me lançar na estrada.
A Falcon está pronta, ontem troquei-lhe o óleo e hoje instalei os protetores de mão e uma pequena bolsa no guidão para facilitar o dinheiro e o troco nos diversos pedágios pelos quais passarei.
Estou levando pouca bagagem, talvez as roupas de frio sejam insuficientes, mas o espaço é pouco e precioso.
Para o acondicionamento de todas as coisas, levarei o bauleto, uma pequena maleta amarrada ao banco e os alforjes laterais. Não gosto de viajar com alforjes ou malas laterais, a moto fica “gorda” e limitada para passar em locais apertados, mas acho que serão necessários desta vez.

No mais, é aguardar a partida, prevista para a próxima semana! 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quatis e Passa Vinte - serra da Mantiqueira


Às 7:45 h saí de Rio Claro com a Falcon. É uma segunda feira de carnaval. Estava frio na RJ 155 e com muita neblina. Apesar do verão, a temperatura era de 16°C. A partir de Getulândia a neblina se dissipou e o céu mostrou sua cor azul.
Em menos de meia hora cheguei à rod. Presidente Dutra na altura de Barra Mansa, e tomei a direção São Paulo. Mantive velocidade entre 100 km/h e 110 km/h. Devido a uma sinalização deficiente, deixei passar a entrada principal para Quatis, e tive que seguir até Porto Real. Entrei no acesso a Porto Real, cruzei a cidade, atravessei uma enorme e estreita ponte metálica que só dava passagem para 1 carro e segui para Quatis por essa rota alternativa.
                                                         Igreja de Quatis

Quatis é uma típica cidade do interior: pequena, calma e com uma praça central onde existe uma igreja e alguns prédios públicos. A praça é bem arborizada e tem um coreto em seu centro. Há diversas casas e construções antigas pela cidade, porém havia diversas ruas interditadas devido aos festejos de carnaval.
Dei um giro pelo centro de Quatis e peguei a estrada RJ 159, que leva a Minas Gerais.
                                          Saindo de Quatis, com destino a Passa Vinte 

                                            RJ 159, trecho asfaltado

A estrada é bonita, tem bom asfalto, está sinalizada e o movimento de carros é pequeno, mas deve-se tomar cuidado com as curvas, que são muitas, e algumas muito perigosas. A rodovia vai seguindo entre as montanhas da serra da Mantiqueira, no meio de 2 ferrovias (uma de bitola larga e uma de bitola estreita, ambas ativas), e passa pelo povoado de Falcão, onde há 2 construções marcantes: uma pequena igreja e um banheiro público (masculino e feminino), na sua rua principal, que é a própria RJ 159.
                                          Igrejinha de Falcão

Após Falcão, acaba o asfalto e a RJ 159 passa a ser de terra, com muitas britas soltas pela pista. Não dá para manter velocidade alta, pois além de haver muita brita nas curvas, tornando a superfície extremamente escorregadia, ao se cruzar com algum veículo a nuvem de poeira é tal que às vezes é necessário quase parar até recuperar a visibildade. Há também trânsito de carroças e animais pela pista. Se fosse tudo reto, seria fácil, mas com curvas há que se tomar cuidado. A estrada margeia o rio das Pacas que em determinado momento se encontra com o rio Preto. No local há uma bela ponte ferroviária em atividade.
                                          Moto ultrapassada por um animal (literalmente)!

                                           Encontro dos rios Preto e das Pacas - ponte ferroviária

Após cruzar o rio Preto, entramos no estado de Minas Gerais.


Entre rios, fazendas, montanhas e chapadas, vamos subido lentamente até chegar a Passa Vinte, uma pequena cidade incrustrada na serra da Mantiqueira. 

Nessa cidade há 2 coisas que chamam a atenção: a praça, com seu coreto e igreja do século XIX e a estação ferroviária. O trem, de bitola estreita, ainda circula, mas apenas para o transporte de carga. Curiosamente, é o trem que vem de Ribeirão Vermelho (MG), passa por Barra Mansa e Rio Claro e vai até Angra dos Reis (RJ). É a antiga RMV, depois RFFSA, hoje concessionada à FCA. Isto significa que, no passado, era possível ir de Rio Claro a Passa Vinte de trem. Legal, não?


                                           Igreja de Passa Vinte

O ponto final do passeio foi Passa Vinte, gostei muito do passeio e do visual oferecido. Levei 3 horas desde Rio Claro, com paradas para apreciar a paisagem, tirar fotos e obter informações. A volta foi feita em apenas 1:20 h, com 1 parada para abastecer a moto. Andei mais forte no trecho de terra, porém sem abusar. Curti as curvas do trecho asfaltado da RJ 159 a 70 km/h e na Dutra mantive 120 km/h. Na RJ 155 a velocidade foi em torno de 90 km/h, e, assim, cheguei de volta a Rio Claro às 12:20 h, após percorrer exatos 200 km de ida e volta.
Mais um treinamento em estradas não asfaltadas para a viagem à Bolívia! Tive que lavar a moto e lubrificar a corrente na chegada, pois a quantidade de pó e pedriscos em toda a parte era grande.
E assim vamos viajando e conhecendo diversas regiões, que muitas vezes estão perto de nós mas não nos damos conta de sua beleza.

Sertão dos Hortelãs e Sertão do Prata


Mais uma aventura-treino durante o carnaval 2012. Após tomar um café na padaria em Rio Claro, segui com a Falcon em direção a Bananal (SP). Na localidade de Pouso Seco inicia-se uma pequena estrada (se é que se pode chamar aquilo de estrada), praticamente uma trilha, que leva ao Sertão dos Hortelãs e ao Sertão do Prata. Essas localidades estão situadas a 1120 msnm, e não são propriamente povoados: existem apenas algumas casas e propriedades dispersas. É o nome da região.
No início a estrada, apesar de estreita, é razoável. De terra, com cascalho e valetas, porém plana. Rios às suas margens e as grandes montanhas ao fundo dão-lhe uma beleza rústica. Já se vislumbra a montanha que deverá ser vencida para se alcançar o sertão dos Hortelãs.
                                           Mostrando o caminho a percorrer para subir a montanha

Após a travessia de um riacho, inicia-se a subida, tremendamente íngreme, com pedregulhos, valas, terra solta e muitas depressões e lajes de pedra.
Parei para fotografar na subida. Na hora de sair, a roda traseira da moto patinou e a moto andou de lado, caindo dentro de uma valeta na estrada. Havia muita terra e pedras soltas, e eu não conseguia sair da valeta. Pior: a cada tentativa, a roda simplesmente patinava e a moto andava de lado e recuava em direção a uma canaleta na lateral do leito da estrada. Parei de tentar sair dali sozinho, pois se eu caísse na tal canaleta, não teria mais como sair, isso sem contar com a possibilidade de um tombo, pois a inclinação da estrada e a moto atravessada não me permitiam colocar um dos pés no chão. Se eu inclinasse para aquele lado, cairíamos, eu a moto, e rolaríamos estrada abaixo! Assim, fiquei parado esperando que aparecesse alguém para me ajudar a sair daquela situação. Esperei 40 min, até que surgiram 2 motoqueiros, que me ajudaram a tirar a moto daquela posição. Posicionamos a moto corretamente na estrada e eu pude continuar a terrível subida.
                                            Ladeira íngreme

Ainda subi muito, e o caminho foi piorando. Se eu parasse ou perdesse velocidade, cairia ou não conseguiria ir adiante.
Imaginei se estivesse nos altiplanos bolivianos e me acontecesse algo parecido: sozinho, a mais de 4.000 msnm, com pouco oxigênio, temperatura de -10 °C, penhascos e a possibilidade de chuva ou neve. Se não houvesse um auxílio rápido, o final poderia não ser tão feliz...
                                           Vista durante a subida

Bem, voltando à minha pequena estrada, havia diversas motos trail subindo, e até algumas 125 cc, que se esforçavam e cheiravam a queimado devido à patinação da embreagem. Automóveis, só 4 x 4 mais rústicos, como Toyota Bandeirantes e Pick up, Jeep Willys e a linha VW a ar, ou seja, Fuscas, Brasílias e Variants. São valentes esses carrinhos. Todos sobem devagar, bem mais devagar que a moto, mas chegam!
Após atravessar um rio sem ponte e vencer uma laje de pedra bem inclinada, chegamos ao sertão dos Hortelãs, a mais de 1.100 m de altitude. Há no local uma capela, em cujo gramado havia muitas barracas armadas e bastante gente, tanto assistindo à missa como do lado de fora. Junto às barracas, diversas motos trail que venceram o desafio da subida e alguns Fuscas e Brasílias. O pessoal fazia um retiro durante o carnaval.
Travessia  de um riacho


                                           Sertão dos Hortelãs - igrejinha e acampamento

Motos no acampamento: melhor maneira de chegar!

Seguindo a estrada 5 km adiante, chega-se ao sertão do Prata, às margens do rio de mesmo nome. De um lado do rio está o estado do Rio de Janeiro, na outra margem é São Paulo. Conversando com um morador local, cujo pai mora na casa do outro lado do rio, ele disse que até as concessionárias de energia são diferentes: ele recebe luz da Light e o pai recebe da CESP, e as casas estão no mesmo terreno separadas apenas pelo rio, cerca de 20 metros!
E pagam IPTU para 2 estados!
                                           Sertão do Prata - rio da Prata, separando os estados RJ e SP 


Paisagem pouco usual no alto das montanhas
Retornando, a descida é bastante perigosa, pois devido à grande inclinação e à quantidade de cascalho, pedras e areia soltas, qualquer erro resultaria em um tombo e muitos ralados, isso se der sorte e a moto não cair por cima. Desci com a 1ª marcha engatada quase o tempo todo, e, ainda assim, se viesse um carro em sentido contrário eu não conseguiria frear e bateria nele. Somente em alguns trechos é possível 2 veículos se cruzarem.
Foram um total de 32 km em estrada de terra bem precária. Imaginei os 700 km na Bolívia, em condições climáticas bem piores!
Quando cheguei ao asfalto, em Pouso Seco, abri o gás e levei 30 min para chegar em Rio Claro.
Gostei do passeio! Exigiu muita atenção e pude treinar minhas habilidades no fora-de-estrada, coisa que, definitivamente, não é minha praia!
O visual é belo todo o tempo, e após chegar-se à altitude dos Hortelãs e do Prata, a paisagem é toda composta de árvores não muito comuns em nossa região: araucárias, pinheiros e ciprestes, além de resquícios da exuberante mata atlântica. Vale conhecer, mas é preciso disposição! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Serra da Bocaina

Estou em Rio Claro e resolvi dar um treino mais real para a viagem à Bolívia.
Tomei a rodovia RJ 155 pela manhã, às 8:00 h do dia 16/2/2012, enquanto os primeiros raios de sol atravessavam as árvores às suas margens. A temperatura estava amena e o tempo aberto. Após a RJ 155, entrei na antiga estrada Rio – São Paulo, com destino a Bananal. A antiga Rio – São Paulo chama-se RJ 139 no estado do Rio de Janeiro e SP 68 (rodovia dos Tropeiros) no estado de São Paulo. Muitas curvas, asfalto em condições razoáveis, a viagem é um prazer, a Falcon deslizava pela pista.

Cheguei a Bananal, cidade histórica que por si só merece uma visita. É uma cidade que conheceu por duas vezes, em épocas distintas, a glória e a decadência, sendo uma vez no ciclo do café (chegou a ser o município mais rico do Brasil, o único com ferrovia própria) e outra vez nos anos 1940, quando a estrada Rio – São Paulo a cortava ao meio. Uma coisa marcante na cidade é a sua estação ferroviária, totalmente construída em chapas metálicas, importadas da Bélgica no século XIX, única no Brasil.
Como eu já conheço a cidade de outras visitas, não me detive: entrei na pequena rodovia SP 247, que sobe a imponente e bela Serra da Bocaina.

Inicialmente em asfalto, a estrada é bem estreita, porém sinalizada. Quando o asfalto acaba, torna-se uma mistura de restos de asfalto, buracos e algo que se assemelha ao rípio, pequenas pedras britadas espalhadas em sua superfície. A subida da serra, cerca de 10 km, é asfaltada, do contrário seria impossível vencer tamanha inclinação com curvas às vezes de 180 ° com um carro normal, sem tração nas 4 rodas. A subida é muito bonita, com a pequena estrada serpenteando entre as montanhas, e em seu topo atingimos a altitude de cerca de 1.100 msnm.


Aí a coisa fica feia: o asfalto acaba e a estrada transforma-se quase em uma trilha, com pedregulhos, buracos, pedras soltas, valas  e degraus, além de ficar ainda mais estreita. Um carro baixo não consegue passar por ali. Se chover, então, nem pensar. De moto, simulando o que enfrentarei na Bolívia, não conseguia passar dos 20 km/h. Andar a 30 km/h é um excesso de velocidade insano, certamente levará a um tombo. É claro que, fazendo trilha, com roupa e moto adequadas, anda-se um pouco mais, mas não era o meu caso, e eu queria sentir como será andar em estradas nessas condições com a moto carregada e a preocupação de não levar tombo algum, o que atrasaria a viagem, podendo até interrompê-la, se algo mais grave ocorrer comigo ou com a moto.

Cheguei até um micropovoado chamado Sertão da Bocaina, ou, simplesmente, Bocaina. A temperatura caiu e a paisagem mudou. Árvores floridas, muitas araucárias e vegetação típica de clima frio fizeram-me sentir em algum país temperado, como os da Europa. Segundo um morador, durante o inverno, temperaturas de zero graus Celsius ou inferiores são normais.
Há diversas pousadas e hotéis em um raio de 13 km em torno do povoado. Creio que é uma opção e uma aventura diferente passar um fim de semana em um desses estabelecimentos, principalmente se a viagem for feita de moto. Não há muito o que fazer, será apenas curtir a companhia e a natureza.
A volta foi pelo mesmo caminho, porém mais rápida, pois já havia curtido a natureza e o visual da serra na ida. Cheguei em Rio Claro às 13:00 h. Um passeio e tanto!
E um bom treino, pois não sou habituado a transitar por trilhas ou estradas de terra, muito menos em serras!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Nossas estradas

Sempre em meus relatos, tenho feitos críticas às rodovias brasileiras. Apesar de algumas rodovias concessionadas (falo das pertencentes à CCR) apresentarem um padrão razoável se comparadas ao que tenho visto nos países desenvolvidos, as demais são comparáveis e muitas vezes piores do que as estradas de países substancialmente mais atrasados e pobres que o Brasil. Somos comparáveis à África; apesar de não conhecer aquele continente, amigos e leituras sobre o assunto me dão esta convicção.

                                                    Falcon em Rio Claro


Duas coisas têm me incomodado bastante em nossas estradas: o número absurdo de caminhões e a quantidade de crescente de congestionamentos que ocorrem devido a obras e, principamente, acidentes.
Ontem, domingo, retornava de Rio Claro ao Rio de moto (Falcon), quando, cerca de 1 km antes de chegar à descida da serra das Araras, o trânsito parou completamente. Fui passando pelo corredor entre os carros e caminhões até chegar à causa da retenção: uma carreta transportando madeira laminada houvera tombado e espalhado sua carga, e uma retroescavadeira e um guincho ocupavam totalmente a pista, onde nem as motos podiam passar.                                                      Acidente na via Dutra, antes da descida da serra
Fiquei observando a operação da concessionária (Nova Dutra-CCR) para desvirar a carreta e retirar as placas de madeira da pista, o que levou meia hora. Consegui passar sob a lança do guindaste quando a pista ainda se encontrava interditada e segui viagem, tendo a Dutra somente para mim até o Rio de Janeiro, devido ao enorme represamento de veículos no local do acidente. Não havia nenhum carro à minha frente na serra e durante mais de 40 km. Somente na região da baixada fluminense, a partir de Nova Iguaçu, começaram a brotar carros dos diversos acessos. Fora o tempo parado no local do acidente, o restante da viagem foi como todos sonham: uma estrada vazia, e, consequentemente, muito mais segura e agradável.
Isto serve para ilustrar o drama por que passam os usuários de estradas em nosso país: além de ter que enfrentar a fúria, irresponsabilidade e selvageria dos caminhões, temos que conviver com engarrafamentos que consomem horas parado sob sol ou chuva, sem banheiro ou qualquer recurso. E geralmente os acidentes são causados pelos próprios caminhões.
Outro problelma é a grande quantidade de acessos às faixas centrais ou expressas das rodovias, o que as sobrecarrega sobremaneira e as torna mais perigosas. Só para exemplificar, na região das cidades da baixada fluminense, os moradores utilizam a via Dutra como uma avenida local, ingressando com veículos em baixa velocidade em uma via expressa, circulando com veículos em mau estado de conservação e dirigindo como se estivessem em seu bairro, isso sem contar os acessos irregulares, circulação de pedestres e ciclistas, animais na pista, presença de ambulantes e outras mazelas de terceiro mundo. Deveriam ser criadas pistas marginais para o tráfego local, com pouquíssimas ligações à via principal, para evitar acidentes e lentidão no trânsito. E olhe que estamos falando da rodovia Presidente Dutra, principal estrada do país e ligação entre as 2 cidades mais importantes, sem contar as ricas regiões que atravessa, como o vale do Paraíba. Fica o desafio para as autoridades (in)competentes resolverem!
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Tenho viajado constantemente com a Falcon para assegurar-me de que está realmente em condições de enfrentar o desafio de cruzar o Noroeste da Argentina e os altiplanos bolivianos. Vamos ver!

sábado, 28 de janeiro de 2012

2º Bike Show - Rio

Estive hoje à tarde visitando o Bike Show que está acontecendo no centro de convenções Riocentro- Rio de Janeiro. É uma tentativa de aquecer o mercado motociclístico do Rio, mas o evento não é páreo para os que acontecem em São Paulo.
Poderia ficar tecendo comentários e impressões sobre o Salão, mas seria perda de tempo. Dá para resumir em algumas linhas:
- foi bem melhor e maior do que o do ano passado;
- notei a falta da Yamaha;
- nos stands da Honda, Suzuki (Del Nero Rio) e BMW havia poucos vendedores, que não pareciam muito interessados em atender o público. Na Suzuki, por exemplo, quase tive que agarrar a laço um representante, e o mesmo se mostrou desinteressado e despreparado. Creio que sua função era consultar tabelas e dar preços de lista, o que pode ser obtido em qualquer revista especializada ou revenda;
- a Kasinski investiu em um bom stand e em um DJ motociclista, que caprichou nos rocks temáticos;
- quantidade satisfatória de lojas de acessórios e equipamentos;
- estacionamento bem organizado e gratuito para motos.
Comprei alforjes para a Falcon e uma pochete de perna, que serão úteis em minha próxima viagem; apesar de eu não gostar de alforjes e malas laterais, vou precisar de mais espaço.
Assisti  parte da apresentação de uma banda. Os caras não tocavam mal, mas também nada acrescentavam à mesmice das bandas que atuam em encontros de motos.
Enfim, o melhor do Bike Show (vamos chamar de Salão) foi o fato de eu ter ido e voltado de moto, no caso, de Falcon. Apesar de estar frio e eu ter pego chuva  na ida  e na volta, andar de moto é sempre bom. Foram cerca de 100 km (ida e volta) sob chuva fraca.
Vamos aguarda a edição de 2013 do evento!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Norte Fluminense

Estou preparando a Falcon para a próxima viagem, já troquei tudo o que era necessário. Agora, tenho feito com ela pequenas viagens a Rio Claro, para sentí-la na estrada e corrigir o que for preciso. Ela está ótima e pronta. 

No dia 19 de janeiro, véspera do feriado de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, estava em Rio Claro, de Falcon. Toquei para o Rio ainda pela manhã. Chegando, peguei uma muda de roupas, coloquei no bauleto da Bandit, troquei de moto (Falcon por Bandit) e saí do Rio às 16:00 h com destino a Gruçaí, um distrito de São João da Barra (a cidade do famoso Conhaque de Alcatrão), no Norte Fluminense, de Bandit. Eu já houvera estado lá de moto anteriormente, em 2 ocasiões.
Peguei a ponte Rio-Niterói completamente congestionada, devido ao feriadão. As 4 faixas de rolamento estavam totalmente ocupadas por carros que andavam em velocidade inferior a 10 km/h. Estava difícil  passar de moto nos corredores, pois a faixas estreitas deixam pouco espaço, e os atuais SUV possuem espelhos altos e proeminentes, dificultando a passagem. Levei 50 minutos (de moto!) para cruzar os 14 km da Ponte. Quem estava de carro, seguramente levou mais de 2 horas.
Após a travessia, a estrada (BR 101) que leva ao Norte Fluminense também estava bem sobrecarregada. Foi difícil passar dos 90 km/h na Niterói-Manilha, apesar da pista dupla, tamanho o volume de veículos.
Fui seguindo viagem e a tarde avançando. Após Rio Bonito, a pista fica simples e as coisas complicam, pois com o grande volume de veículos nos 2 sentidos, é difícil fazer uma ultrapassagem segura. Diversas vezes fui obrigado a me jogar no acostamento, por conta de veículos na pista contrária (geralmente caminhões) entrarem na minha pista durante as ultrapassagens. Forcei um pouco mais o ritmo da viagem, pois queria chegar com tempo claro ao menos em Campos. Apesar das dificuldades e da estrada cheia, fui ultrapassando e ganhando os quilômetros, tentando manter ao menos a velocidade de 110 km/h, o que estava difícil. Quando era possível, acelerava mais para compensar os trechos lentos.
Tem escurecido mais tarde, pois estamos em horário de verão, mas ainda assim, quando cheguei em Campos às 20:00 h, já era noite e estava escuro. Estava rodando há 4 horas, em meio a um trânsito intenso e com muito caminhões, decidi parar em um Mac Donald's e fazer um lanche, descansando um pouco antes da próxima etapa da viagem. Lembrem-se que eu ainda viajei de Rio Claro ao Rio de Falcon pela manhã!
Um rapaz com uma Titan 150 se ofereceu para me guiar dentro da cidade de Campos e na estrada até Gruçaí. Segui-o dentro da cidade, passando a mais de 80 km/h nos diversos "pardais", mas não podia me afastar dele. Chegando à estrada que liga Campos a São João da Barra (e a Gruçaí), com noite alta, o rapaz andou a mais de 100 km/h na pequena Titan com a namorada na garupa. sem óculos ou viseira. Não sei como ele coneguia. Acompanhei-o durante mais de meia hora, até que ele me deixou na porta do SESC, um grande hotel/resort, onde me hospedei.
O SESC é a maior atração de Gruçaí,  uma verdadeira cidade, com diversos prédios e pavilhões, bares, restaurantes, piscinas, esportes e até uma ferrovia de 6.500 metros, percorrida por um trem de época, com diversas estações no percurso. Há atividades esportivas, teatro, atividades culturais, música ao vivo e tudo o que se possa imaginar, tudo por menos de R$90,00 a diária.

Apesar de tudo isso, na manhã do dia seguinte queria ir à praia, e fui a pé, tendo caminhado no total mais de 3 km. Passei a manhã na praia.


Na volta da praia, usei a piscina do hotel, almocei no próprio hotel e descansei um pouco à tarde.
Às 17:00 h saí de moto, indo até a lagoa de Gruçaí e de lá até Atafona pela orla, um passeio muito agradável. O mar continua ameaçando e destruindo Atafona, só que agora está depositando montes de areia nas casas  que destruiu. Atafona merece uma visita mais detalhada para que se possa ver, analisar e entender o que está acontecendo. O mar, juntamente com a foz do rio Paraíba do Sul, estão gradativamente destruindo o povoado, literalmente "comendo" as avenidas litorâneas e destruindo as casas e demais construções.

À noite, no hotel, ainda havia  música ao vivo, com músicas italianas, espanholas, boleros e até bossa nova. Não era grande coisa, mas serviu para dar sono!

No 3º dia, 21 de janeiro, um sábado, parti de Gruçaí com destino ao Rio às 9:00 h, pois tinha ensaio da banda à tarde. A estrada estava cheia, mas nada que se comparasse com a ida. Deu para andar bem, principalmente depois de Rio Bonito, quando a pista torna-se dupla. Fiz apenas uma lanche na estrada, em Casimiro de Abreu. Cheguei em casa às13:20 h.
Foram 5 horas de viagem na ida e 4:20 h de viagem na volta. Vale ressaltar que estava muito calor, tanto que na ida e na  volta não uttilizei casaco de cordura ou qualquer outra proteção, viajei apenas de camiseta. Com o sol e o calor, era impossível fazer diferente!
Uma boa viagem, dias agradáveis e um bom aquecimento para a grande viagem que vem pela frente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bolívia e Argentina - Mudança de data

Decidi adiar a viagem para Bolívia e Norte da Argentina. Será realizada em abril 2012, e não agora em janeiro ou fevereiro.
Há 2 motivos: o principal é a quantidade de chuvas que caem na região no verão, o que tira a graça de qualquer viagem, ainda mais considerando que haverá estradas de terra, grandes altitudes e diversos rios a cruzar sem pontes. Em abril chove menos, mas, em compensação, as temperaturas serão bem mais baixas. Não há como escapar: é chuva ou frio! Escolhi um pouco dos dois, porém sem extremos. E talvez eu tenha uma companhia para esta empreitada, o que é bom, dado o traçado desafiador dos caminhos a serem percorridos. Aguardem notícias a respeito, neste blog.  O segundo motivo é o acúmulo de coisas a resolver neste início de ano, o que envove a minha presença aqui pelo Rio de Janeiro.
Acho que fiz a escolha correta.
Devo empreender alguma viagem em janeiro ou fevereiro. Também manterei  todos atualizados sobre isto. Ainda estou avaliando regiões, climas e roteiros.