A chuva caiu a noite toda e pela manhã não havia passado. Coloquei a roupa mais quente que tinha, incluindo a blusa que houvera comprado ontem e arrisquei uma saída. Tentativa frustrada, havia caminhado pouco mais de 1 quilômetro quando a chuva ficou forte, obrigando-me a procurar abrigo sob uma marquise. Estava muito frio, 12 ºC com vento! Quando a chuva diminuiu tentei ir adiante, mas, novamente, começou a cair muita água e novamente me abriguei sentindo frio. Resolvi voltar o hotel, mas a chuva forte me pegou no caminho, deixando-me molhado e com muito frio.
Chuva e frio: sem condições de caminhar pelas ruas
Como sou teimoso, quando a chuva diminuiu saí novamente, desta vez disposto a comprar um casaco adequado ao frio. Consegui sacar dinheiro em um caixa eletrônico e encontrei uma loja que estava encerrando suas atividades. O proprietário encontrara coisas que nem ele sabia que tinha no estoque, e estava liquidando tudo. Comprei um casaco interessante, forrado por dentro, pelo preco de uma camiseta! Agora o frio estava resolvido! Com chuva fraca voltei ao hotel para almoçar.
Lá pelas 15 h a chuva parou mas o frio persistiu. Fiz nova caminhada, desta vez fui até o local denominado Tres Cruces, estava ventando mas o frio não me incomodou mais, eu estava usando o novo casaco.
Casaco de liquidação! Resolveu o frio!
Peguei na lavanderia a roupa que mandara lavar, agora só falta botas, luvas, casaco e capa de chuva secarem!
Começaram a surgir nesgas de céu azul por volta das 17 h, creio que amanhã o tempo estará melhor, apesar da previsão de frio, e eu poderei aproveitar a cidade, andar pelas ruas, olhar livrarias e visitar locais. Sem chuva, tudo é mais fácil!
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Vídeos da viagem
O Vilson fez alguns vídeos da viagem. Seguem 2 deles, um a 4.180 m de altitude, quando estávamos descendo a cordilheira dos Andes em direção à Argentina, e outro quando cruzávamos o Chaco na interminável ruta 16.
14º dia Durazno a Montevideo - com muita chuva!
Montevidéu - av. 18 de Julho
Tive que esperar que a chuva estiasse para poder colocar a bagagem na moto e partir. Quando isto aconteceu, saí de Durazno e retornei à ruta 5, em direção a Montevidéu. Logo a chuva aumentou e o vento chegou. O vento não tinha a intensidade do que soprou entre Uruguaiana e Santana do Livramento, mas a chuva foi muito mais forte, foi a pior chuva que peguei em toda a viagem até agora. A visibilidade ficou muito reduzida e o temporal castigou firme, acompanhado de vento.
Em nenhum momento a chuva deu trégua. Parei para abastecer e tomar um café em um excelente posto da Petrobrás em Florida, tinha até wi-fi grátis e sem senha! Fiquei no posto por mais de uma hora, pois a chuva aumentara de volume. Como não diminuiu, segui viagem assim mesmo, sempre com cuidado e prudência.
Posto em Florida - muita chuva
Cheguei em Montevidéu sob um dilúvio, a pavimentação de concreto do final da estrada e da região portuária, por onde passei, tornava as pistas mais escorregadias e a pilotagem mais perigosa. Passei por 2 acidentes devido às chuvas.
Como já conheço razoavelmente a cidade, fiz um caminho alternativo e cheguei tranquilo no hotel que escolhera, na região central. Tudo o que eu precisava era tirar as roupas molhadas e tomar um banho quente.
Almocei no restaurante do próprio hotel, uma comida boa por um preço justo, apesar de a quantidade de comida ser pequena. Eu não como muito, então está ótimo para mim!
A chuva dificultava sair às ruas, mas, ainda assim, reuni toda a roupa suja de 14 dias de viagem e levei a uma lavanderia, ficando apenas com uma muda de roupas até amanhã, quanto tudo estará lavado e seco.
O casaco e as luvas estão muito molhados e não secarão, a menos que faça sol e eu os coloque na janela. Até as botas de couro ainda estão bem encharcadas da chuva dos dois dias anteriores, nem as retirei da moto, não teria onde colocá-las para secar. As botas de borracha resolveram bem, os pés chegaram quase secos. Acho que com muita chuva, a água acaba entrando por cima do cano das botas, e, neste caso, nem as impermeáveis conseguem resolver!
Saí novamente para tentar andar pelas ruas, mas foi difícil. Tomei um chocolate quente para aquecer o corpo e comprei uma blusa quente de manga comprida, pois as minhas foram para a lavanderia. A temperatura local é de 14 ºC com vento e chuva, o que leva a uma sensação térmica de 7 ºC!
Assim, encerra-se mais um dia desta viagem deliciosa e maravilhosa! Chuva, vento, frio e calor fazem parte, não há porque reclamar, sabemos que isto faz parte, é acelerar e seguir em frente!
Esta parada em Montevidéu, cidade que gosto tanto, servirá para descansar o corpo, lavar e secar as roupas e deixar-me pronto para o retorno! Vou aproveitar para visitar e conhecer algumas coisas que não vi em viagens anteriores.
Cadeados na chuva!
Praça de Cagancha com chuva
Av. 18 de Julho (esq. com Ejido) com chuva
Recebi mensagens há pouco, Daniele (o ítalo-argentino) está ainda na estrada, a 200 km de Buenos Aires, encarando muita chuva e vento. O perigo com uma moto pequena é maior, ao cruzar com caminhões a moto é jogada para fora da estrada, mas ele é experiente e chegará bem.
Elton chegou ontem a Porto Alegre.
Vilson e Ricardo estão tranquilos, voltando à rotina, em Santos.
E eu, continuo na estrada, com a força dos familiares e amigos!
Tive que esperar que a chuva estiasse para poder colocar a bagagem na moto e partir. Quando isto aconteceu, saí de Durazno e retornei à ruta 5, em direção a Montevidéu. Logo a chuva aumentou e o vento chegou. O vento não tinha a intensidade do que soprou entre Uruguaiana e Santana do Livramento, mas a chuva foi muito mais forte, foi a pior chuva que peguei em toda a viagem até agora. A visibilidade ficou muito reduzida e o temporal castigou firme, acompanhado de vento.
Em nenhum momento a chuva deu trégua. Parei para abastecer e tomar um café em um excelente posto da Petrobrás em Florida, tinha até wi-fi grátis e sem senha! Fiquei no posto por mais de uma hora, pois a chuva aumentara de volume. Como não diminuiu, segui viagem assim mesmo, sempre com cuidado e prudência.
Posto em Florida - muita chuva
Cheguei em Montevidéu sob um dilúvio, a pavimentação de concreto do final da estrada e da região portuária, por onde passei, tornava as pistas mais escorregadias e a pilotagem mais perigosa. Passei por 2 acidentes devido às chuvas.
Como já conheço razoavelmente a cidade, fiz um caminho alternativo e cheguei tranquilo no hotel que escolhera, na região central. Tudo o que eu precisava era tirar as roupas molhadas e tomar um banho quente.
Almocei no restaurante do próprio hotel, uma comida boa por um preço justo, apesar de a quantidade de comida ser pequena. Eu não como muito, então está ótimo para mim!
A chuva dificultava sair às ruas, mas, ainda assim, reuni toda a roupa suja de 14 dias de viagem e levei a uma lavanderia, ficando apenas com uma muda de roupas até amanhã, quanto tudo estará lavado e seco.
O casaco e as luvas estão muito molhados e não secarão, a menos que faça sol e eu os coloque na janela. Até as botas de couro ainda estão bem encharcadas da chuva dos dois dias anteriores, nem as retirei da moto, não teria onde colocá-las para secar. As botas de borracha resolveram bem, os pés chegaram quase secos. Acho que com muita chuva, a água acaba entrando por cima do cano das botas, e, neste caso, nem as impermeáveis conseguem resolver!
Saí novamente para tentar andar pelas ruas, mas foi difícil. Tomei um chocolate quente para aquecer o corpo e comprei uma blusa quente de manga comprida, pois as minhas foram para a lavanderia. A temperatura local é de 14 ºC com vento e chuva, o que leva a uma sensação térmica de 7 ºC!
Assim, encerra-se mais um dia desta viagem deliciosa e maravilhosa! Chuva, vento, frio e calor fazem parte, não há porque reclamar, sabemos que isto faz parte, é acelerar e seguir em frente!
Esta parada em Montevidéu, cidade que gosto tanto, servirá para descansar o corpo, lavar e secar as roupas e deixar-me pronto para o retorno! Vou aproveitar para visitar e conhecer algumas coisas que não vi em viagens anteriores.
Cadeados na chuva!
Praça de Cagancha com chuva
Av. 18 de Julho (esq. com Ejido) com chuva
Recebi mensagens há pouco, Daniele (o ítalo-argentino) está ainda na estrada, a 200 km de Buenos Aires, encarando muita chuva e vento. O perigo com uma moto pequena é maior, ao cruzar com caminhões a moto é jogada para fora da estrada, mas ele é experiente e chegará bem.
Elton chegou ontem a Porto Alegre.
Vilson e Ricardo estão tranquilos, voltando à rotina, em Santos.
E eu, continuo na estrada, com a força dos familiares e amigos!
terça-feira, 18 de outubro de 2016
13º dia Uruguai! S. do Livramento a Durazno
Soube que Ricardo e Vilson chegaram bem em casa ontem, às 20 h, após boa viagem.
Quando olhei pela janela do hotel e vi a chuva e o tempo fechado em todas as direções, fiquei pensando o que deveria fazer: ficar mais um dia em Santana do Livramento ou enfrentar mais chuva, vento e, agora, frio, pois a temperatura era de 16 graus. Optei por seguir em frente.
A primeira providência seria viajar seco; fui à rua e comprei um par de botas de borracha, como as utilizadas por motoboys. Pode não ser muito elegante, mas resolvem, são realmente impermeáveis!
Quando voltei ao hotel para mudar de roupa e ir embora, conheci dois motociclistas na garagem: Elton, de Porto Alegre, que viajava em uma Boulevard 800 e Daniele, um ítalo-argentino que apesar de possuir uma Yamaha FJR 1300, houvera ido de Buenos Aires a Porto Alegre com uma Mondial 150, para participar de um encontro, e estava retornando à cidade portenha. Conversamos por mais de uma hora, trocamos contatos e subimos para colocar as roupas e descer com a bagagem.
Calcei as botas de borracha e coloquei a calça da capa de chuva, Elton partiu para Porto Alegre e Daniele iria ficar mais um dia no hotel para descansar e, quem sabe, esperar a chuva passar; voltará para Buenos Aires somente amanhã.
Com Daniele, na garagem do hotel Jandaia
Nas estradas uruguaias (ruta 5)
Parti com chuva e rodei 40 minutos dentro de Rivera até achar a saída da cidade em direção a Montevidéu, devido à sinalização deficiente. Antes de pegar a estrada que leva a Montevidéu (Ruta 5), é necessário passar na Imigração, que não fica na estrada. Fica o aviso aos que pretendem ir ao Uruguai por Santana do Livramento. Já na estrada, 10 km adiante, fica a aduana. Se não houver passado na imigração antes ou se faltar algum documento, como o seguro carta verde, não passa na aduana, terá que voltar.
A temperatura era de 15 ºC, e assim permaneceu por todo o dia. Caía uma chuva fina, que deixou a pista molhada e escorregadia, mas não chegou a incomodar. Até Tacuarembó, 120 km depois de Rivera, a chuva me acompanhou, e as paisagens agora eram de campos verdes, planícies, fazendas, árvores e colinas, totalmente diferente do que encontramos no deserto, na cordilheira e no Chaco.
Há um trecho interessante, que apresenta formações em forma de mesas, chamadas na Venezuela de "tepuys", há diversas delas em um pequeno trecho.
Tepuys ao longe
Tempo chuvoso
Almocei e abasteci a moto em Tacuarembó. A partir desta cidade a chuva parou, mas veio o frio e o vento ficou forte. Curioso é que a temperatura era de 15 ºC, mas senti mais frio do que ao cruzar a cordilheira a 3 ºC. Gostaria de entender isso!
Passei por Paso de los Toros e cheguei a Durazno, onde entrei e procurei um hotel para passar a noite.
Havia rodado apenas 320 km, parte com chuva e parte com vento e frio, achei bom por hoje, pois não tenho pressa de chegar. Cheguei seco, as botas funcionaram bem!
Almoço em Tacuarembó
Sem chuva após Tacuarembó
Paisagens uruguaias
Andei pelas ruas da cidade, é uma pequena Montevidéu, com plátanos nas ruas e praças arborizadas, além de ser uma cidade planejada, com ruas largas que formam quadras retangulares.
Hotel em Durazno
Ruas arborizadas e com pérgulas
Igreja de San Pedro
Praça Independência
Quando olhei pela janela do hotel e vi a chuva e o tempo fechado em todas as direções, fiquei pensando o que deveria fazer: ficar mais um dia em Santana do Livramento ou enfrentar mais chuva, vento e, agora, frio, pois a temperatura era de 16 graus. Optei por seguir em frente.
A primeira providência seria viajar seco; fui à rua e comprei um par de botas de borracha, como as utilizadas por motoboys. Pode não ser muito elegante, mas resolvem, são realmente impermeáveis!
Quando voltei ao hotel para mudar de roupa e ir embora, conheci dois motociclistas na garagem: Elton, de Porto Alegre, que viajava em uma Boulevard 800 e Daniele, um ítalo-argentino que apesar de possuir uma Yamaha FJR 1300, houvera ido de Buenos Aires a Porto Alegre com uma Mondial 150, para participar de um encontro, e estava retornando à cidade portenha. Conversamos por mais de uma hora, trocamos contatos e subimos para colocar as roupas e descer com a bagagem.
Calcei as botas de borracha e coloquei a calça da capa de chuva, Elton partiu para Porto Alegre e Daniele iria ficar mais um dia no hotel para descansar e, quem sabe, esperar a chuva passar; voltará para Buenos Aires somente amanhã.
Com Daniele, na garagem do hotel Jandaia
Nas estradas uruguaias (ruta 5)
Parti com chuva e rodei 40 minutos dentro de Rivera até achar a saída da cidade em direção a Montevidéu, devido à sinalização deficiente. Antes de pegar a estrada que leva a Montevidéu (Ruta 5), é necessário passar na Imigração, que não fica na estrada. Fica o aviso aos que pretendem ir ao Uruguai por Santana do Livramento. Já na estrada, 10 km adiante, fica a aduana. Se não houver passado na imigração antes ou se faltar algum documento, como o seguro carta verde, não passa na aduana, terá que voltar.
A temperatura era de 15 ºC, e assim permaneceu por todo o dia. Caía uma chuva fina, que deixou a pista molhada e escorregadia, mas não chegou a incomodar. Até Tacuarembó, 120 km depois de Rivera, a chuva me acompanhou, e as paisagens agora eram de campos verdes, planícies, fazendas, árvores e colinas, totalmente diferente do que encontramos no deserto, na cordilheira e no Chaco.
Há um trecho interessante, que apresenta formações em forma de mesas, chamadas na Venezuela de "tepuys", há diversas delas em um pequeno trecho.
Tepuys ao longe
Tempo chuvoso
Almocei e abasteci a moto em Tacuarembó. A partir desta cidade a chuva parou, mas veio o frio e o vento ficou forte. Curioso é que a temperatura era de 15 ºC, mas senti mais frio do que ao cruzar a cordilheira a 3 ºC. Gostaria de entender isso!
Passei por Paso de los Toros e cheguei a Durazno, onde entrei e procurei um hotel para passar a noite.
Havia rodado apenas 320 km, parte com chuva e parte com vento e frio, achei bom por hoje, pois não tenho pressa de chegar. Cheguei seco, as botas funcionaram bem!
Almoço em Tacuarembó
Sem chuva após Tacuarembó
Paisagens uruguaias
Andei pelas ruas da cidade, é uma pequena Montevidéu, com plátanos nas ruas e praças arborizadas, além de ser uma cidade planejada, com ruas largas que formam quadras retangulares.
Hotel em Durazno
Ruas arborizadas e com pérgulas
Igreja de San Pedro
Praça Independência
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
12º dia Um dia no Brasil, com chuva! Uruguaiana a Santana do Livramento
Acordei de madrugada com um estrondo assustador! Era um trovão fortíssimo, o raio deve ter caído perto! Em seguida, o barulho de muita chuva caindo e o uivo do vento soprando, a janela do quarto vibrava forte com a força do vento.
Não consegui mais dormir,e quando levantei chovia a cântaros e ventava muito. Não havia condições de sair do hotel com aquela chuva, esperei que diminuísse, amarrei a bagagem na moto e parti quase às 10 h, com muito cuidado.
Na estrada (BR-290) a chuva veio muito forte, com um vento mais forte que o da cordilheira, soprava a 90 graus, e, para piorar a situação, vinha em rajadas, jogando a moto de um lado a outro da pista, que estava encharcada. Os rios estavam quase transbordando nas pontes e as margens da estrada formavam lagos e cascatas, de tanta água que caía. Não havia postos para parar nem abastecer, andei 150 km até encontrar o primeiro, em Alegrete (lembrei do Ricardo!). Abasteci e vi o tamanho do estrago: estava totalmente molhado por fora e por dentro! A água escorria por dentro da calça, a bota e as meias encharcaram, a luva molhou totalmente e até a cueca ficou ensopada! Eu tinha que seguir, e assim fiz após colocar gasolina na moto!
Alegrete ou Allegretti?
Muita chuva!
E tome chuva!
Mais chuva! Totalmente molhado, mas com bom humor!
A chuva e o vento continuaram com força, era impossível parar ou mesmo diminuir a velocidade, o vento derrubaria a moto! Ela só ficava em pé devido à velocidade, que causa o efeito giroscópio, mas dançava na pista molhada ao sabor das rajadas de vento.
Mais 110 km adiante encontrei um restaurante às margens da estrada, em Rosário do Sul. Parei, tirei as botas e torci as meias, que jorraram muita água. Almocei molhado e descalço e peguei novamente a estrada, até que a chuva diminuiu quando faltavam 20 km para Santana do Livramento, cidade de fronteira com o Uruguai.
Botas e meias encharcadas! E o Tigre olhando!
Fui direto para o hotel Jandaia, onde já houvera me hospedado em uma viagem com a Bandit, há 9 anos atrás. A placa da moto ainda estava no cadastro do hotel! Não é barato, mas eu não tinha condições e nem queria procurar muito.
Hospedei-me, tirei toda a roupa molhada e tomei um banho quente para recuperar o calor do corpo!
A cidade faz fronteira seca com o Uruguai, cuja cidade limítrofe é Rivera. Uma praça divide as duas cidades, de cada lado é um país.
Livramento/Rivera - Uma praça pertencente a dois países!
Andei pelas ruas de ambos os países e comprei uma camiseta, meias e cuecas novas, que substituirão as peças que molharam e serão descartadas ao longo da viagem. Aproveitei e fiz câmbio de dinheiro, trocando reais por pesos uruguaios. Os pesos argentinos que sobraram eu não troquei. Foram comprados na razão de 1 real = 3,3 pesos e a melhor cotação que obtive para vendê-los foi 1 real = 1,5 pesos, ou seja, menos da metade que paguei! Guardarei para uma próxima viagem à Argentina!
Tive notícias dos meus amigos Vilson e Ricardo, já estavam bem próximos de Santos e chegarão hoje em casa. Que tenham feito uma ótima viagem!
Não consegui mais dormir,e quando levantei chovia a cântaros e ventava muito. Não havia condições de sair do hotel com aquela chuva, esperei que diminuísse, amarrei a bagagem na moto e parti quase às 10 h, com muito cuidado.
Na estrada (BR-290) a chuva veio muito forte, com um vento mais forte que o da cordilheira, soprava a 90 graus, e, para piorar a situação, vinha em rajadas, jogando a moto de um lado a outro da pista, que estava encharcada. Os rios estavam quase transbordando nas pontes e as margens da estrada formavam lagos e cascatas, de tanta água que caía. Não havia postos para parar nem abastecer, andei 150 km até encontrar o primeiro, em Alegrete (lembrei do Ricardo!). Abasteci e vi o tamanho do estrago: estava totalmente molhado por fora e por dentro! A água escorria por dentro da calça, a bota e as meias encharcaram, a luva molhou totalmente e até a cueca ficou ensopada! Eu tinha que seguir, e assim fiz após colocar gasolina na moto!
Alegrete ou Allegretti?
Muita chuva!
E tome chuva!
Mais chuva! Totalmente molhado, mas com bom humor!
A chuva e o vento continuaram com força, era impossível parar ou mesmo diminuir a velocidade, o vento derrubaria a moto! Ela só ficava em pé devido à velocidade, que causa o efeito giroscópio, mas dançava na pista molhada ao sabor das rajadas de vento.
Mais 110 km adiante encontrei um restaurante às margens da estrada, em Rosário do Sul. Parei, tirei as botas e torci as meias, que jorraram muita água. Almocei molhado e descalço e peguei novamente a estrada, até que a chuva diminuiu quando faltavam 20 km para Santana do Livramento, cidade de fronteira com o Uruguai.
Botas e meias encharcadas! E o Tigre olhando!
Fui direto para o hotel Jandaia, onde já houvera me hospedado em uma viagem com a Bandit, há 9 anos atrás. A placa da moto ainda estava no cadastro do hotel! Não é barato, mas eu não tinha condições e nem queria procurar muito.
Hospedei-me, tirei toda a roupa molhada e tomei um banho quente para recuperar o calor do corpo!
A cidade faz fronteira seca com o Uruguai, cuja cidade limítrofe é Rivera. Uma praça divide as duas cidades, de cada lado é um país.
Livramento/Rivera - Uma praça pertencente a dois países!
Andei pelas ruas de ambos os países e comprei uma camiseta, meias e cuecas novas, que substituirão as peças que molharam e serão descartadas ao longo da viagem. Aproveitei e fiz câmbio de dinheiro, trocando reais por pesos uruguaios. Os pesos argentinos que sobraram eu não troquei. Foram comprados na razão de 1 real = 3,3 pesos e a melhor cotação que obtive para vendê-los foi 1 real = 1,5 pesos, ou seja, menos da metade que paguei! Guardarei para uma próxima viagem à Argentina!
Tive notícias dos meus amigos Vilson e Ricardo, já estavam bem próximos de Santos e chegarão hoje em casa. Que tenham feito uma ótima viagem!
domingo, 16 de outubro de 2016
11º dia De volta ao Brasil! - Quitilipi a Uruguaiana
O dia começou cedo para nós, levantamos antes das 6:00 h
para fugir do calor do Chaco e adiantar a viagem com temperaturas mais
civilizadas.
Após tomar um café no posto Shell ao lado do hotel, entramos
na ruta 16 com temperatura de 28 ºC. Vencemos os 160 km que nos separavam de Corrientes, onde paramos logo após
atravessar a ponte Gral. Belgrano para abastecer as motos e nos despedir: todos
seguiríamos pela ruta 12, mas em sentidos diferentes: Ricardo e Vilson no
sentido Foz do Iguaçu e eu no sentido Buenos Aires.
Saída do hotel El Refugio, em Quitilipi, ruta 16
A despedida em Corrientes
Ter a companhia de Ricardo e Vilson foi o melhor da viagem,
funcionamos como uma equipe, com amizade e companheirismo, e credito a isto o
sucesso que tivemos ao ir tão longe e enfrentar
altitudes e temperaturas extremas, tanto para cima como para baixo! A
pilotagem segura e tranquila de todos, o bom humor e a determinação em cumprir
o nosso objetivo estiveram presentes o tempo todo.
Bem, agora estou só e ainda tenho um roteiro a cumprir! Segui
pela ruta 12 sentido Buenos Aires, passando por diversas cidades. A temperatura
foi de 32 ºC em quase toda a viagem, é bem quente, mas bem melhor do que os 40
graus do dia anterior. A paisagem mudou, começaram a surgir fazendas de gado,
vegetação verde, cruzei alguns rios (com água!) e havia alagadiços à margens da
estrada com animais ao redor.
Ruta 12
Apenas 1!
Na altura da cidade 9 de Julio mudei de estrada para a ruta 123, que margeia um pequeno
trecho dos Esteros del Iberá, um grande alagado onde se desenvolvem aves e
diversas outras espécies de vida animal, uma paisagem muito bonita e interessante.
Os Esteros del Iberá ocupam uma área significativa da província de Corrientes,
cerca de ¼ de sua área, e não há estradas que o cortam, é uma unidade de
preservação, frequentada por aficionados da pesca, que, para exercê-la no
local, necessitam de uma licença especial.
Eu precisava abastecer e almoçar e não havia postos na
estrada, então entrei na cidade de Mercedes e fiz as duas coisas, abastecia a
moto e a mim!
Restauante em Mercedes
Fui avançando para o sul, sem pressa, em estradas vazias e retas, logo cheguei a
Paso de los Libres, na fronteira com o Brasil. Por ser um domingo, havia pouca gente no posto
aduaneiro, os trâmites foram rápidos e ingressei no Brasil pela
cidade de Uruguaiana, por volta das 16 h, mas os relógios precisavam ser
adiantados em 1 hora!
Procurei um hotel e me instalei para tomar um banho e passar
a noite.
Fuscas em Uruguaiana
Aproveitei que estou no Brasil e fui a um caixa eletrônico
sacar dinheiro, pois precisarei comprar pesos uruguaios. À tarde a cidade
estava vazia, sem carros nas ruas e pouca gente nas praças, mas à noite, quando
saí para jantar, as ruas estavam congestionadas de carros e motos; nas
calçadas, bares e restaurantes, havia muita gente, tudo estava lotado. Barulho,
agitação... eu já estava desacostumado! Fiz um lanche e voltei para o hotel.
Ricardo e Vilson chegaram a Cascavel às 20:15 h, fizeram boa
viagem, pilotaram por 12 horas.
sábado, 15 de outubro de 2016
10º dia Muito calor - Jujuy a Quitilipi
Cruzando o Chaco
Em Jujuy, logo ao sair do hotel, tivemos que enfrentar fila
para abastecer as motos. Tivemos também alguma dificuldade para conseguir sair
da cidade, erramos o caminho algumas vezes, mas finalmente chegamos à estrada e
tomamos nosso caminho.
Nossa primeira parada foi a 200 km de Jujuy, no início da ruta 16, em um posto Refinor em El Galpón.
Abastecemos e tomamos um café, a temperatura era de 37 ºC. Algum tempo depois, na interminável
reta de 707 km da ruta 16, a temperatura subiu e estacionou nos 40,5 ºC, e
assim permaneceu ao longo de todo o dia, até que a partir das 17:00 h começou a
cair lentamente até atingir 35 ºC às 18:45 h, quando paramos em Quitilipi, no
Chaco, no Hotel El Refugio, o mesmo onde nos hospedamos na ida.
Abastecimento, posto Refinor em El Galpón
Entrando na ruta 16
Estávamos exaustos devido ao intenso calor na ruta 16, que
atravessa a província do Chaco e parte das províncias de Salta e Santiago del
Estero.
Nosso almoço foi em um posto em Taco Pozo, sob 40,5 ºC.
Apesar de termos andado bem e percorrido mais de 700 km no dia de hoje, ficamos
com a impressão de que a viagem não rendeu proporcionalmente ao nosso cansaço.
Almoço em Taco Pozo
A ruta 16 é uma estrada reta, com 707 km de extensão e
totalmente sem graça: não há qualquer relevo ou acidente geográfico, nada de
morros, rios, lagos ou algo que chame a atenção. Poucos povoados, todos pobres
e feios, sem estrutura de apoio em caso de necessidade. Apenas uma estrada reta
e plana ladeada por uma ferrovia em toda a sua extensão. Some-se a isso um
calor de 40,5 ºC com o sol nas costas o dia todo e está explicado o motivo do
nosso cansaço. Nós três temos a mesma opinião de que o dia de hoje cansou mais
do que cruzar a cordilheira, estávamos exauridos ao encerrar a viagem do dia! São
dois extremos em dois dias consecutivos: altitude acima de 4.000 m e
temperatura de 3 ºC m no primeiro dia e quase no nível do mar e temperatura de
40,5 ºC no segundo!
Já falei bastante sobre a travessia do Chaco em viagens
anteriores, portanto, nada mais direi para não me repetir. Acho todos deveriam
cruzá-lo um dia, de moto, para saber realmente o que é. Dentro de um carro com
ar condicionado não vale, há que sentir o calor, respirar a poeira, ficar sem
combustível, ser achacado por policiais corruptos e ser envolvido pelo clima
dos pequenos povoados às suas margens, um verdadeiro faroeste austral!
Pampa de los Guanacos - este é o Chaco!
Abastecimento em Pampa de los Guanacos
Já hospedados e acomodados, tomamos um merecido banho e
fomos fazer um lanche a título de jantar no posto vizinho ao hotel. Esperamos
por uma boa noite de sono para recuperar as energias e amanhã enfrentar mais um dia de
estrada.
Infelizmente, não há muita beleza a mostrar no percurso de
hoje!
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
9º dia De volta à Argentina - S.P. Atacama a S.S. Jujuy
Hora de cruzar novamente a cordilheira dos Andes! Eram 9:20
h e a temperatura era de 16 ºC quando saímos de San Pedro de Atacama rumo ao
Paso de Jama.
Fomos subindo, passamos ao lado do vulcão Licancabur e
continuamos. Nos trechos mais retos andamos
a 160 km/h a mais de 4.000 m de altitude! Tirei o trauma de cruzar a
cordilheira com a Falcon carburada, que
mal passava dos 50 km/h, sendo que nos trechos mais críticos precisava andar em
1ª marcha.
A estrada passa pela altitude máxima de 5.200 m, mas na
maioria do tempo corre a 4.600 msnm. A temperatura mínima chegou a 3ºC; com
o vento contra e mais a velocidade da moto, a sensação térmica devia ser de
-10ºC. Assim como na ida, fomos apreciando as paisagens radicais da puna, com
lagunas, rios de degelo, vulcões, salares, muitas montanhas e bandos de
vicunhas selvagens à beira da estrada. Realmente um cenário fantástico e inesquecível!
Lagunas altiplânicas ao longo do percurso
GE, Ricardo e Vilson na puna gelada
Perdemos pouco mais de 1 hora fazendo os trâmites de
fronteira no Paso de Jama e ingressamos novamente na Argentina. Mais 110 km e
chegamos a Susques, onde almoçamos no Pastos Chicos, parada quase obrigatória
para quem faz a travessia Chile-Argentina por este caminho.
Descemos a imponente Cuesta de Lipán, passamos por Purmamarca e chegamos a
San Salvador de Jujuy às 18 h, após uma ótima viagem, sem sustos ou imprevistos.
Fomos para o mesmo hotel em que ficamos na ida (Sumay) e lá nos hospedamos.
Abra de Lipán
Um dia agradável passado na estrada, no trecho mais radical
da viagem, que é cruzar a cordilheira dos Andes.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
8º dia San Pedro de Atacama e Geiseres del Tatio
Vilson e Ricardo foram visitar os geiseres del Tatio, saíram às 5:00 h da pousada com temperatura de -1 º! Como é um passeio que já fiz em viagens anteriores, fiquei sob as cobertas até que o sol mostrasse sua cara e a temperatura se tornasse mais amigável!
A temperatura em Tatio era de 13 graus negativos! O Vilson não levou roupas suficientes e quase congelou, mesmo vendo a água brotar do solo a 100 ºC! É como o náufrago que morre de sede no mar! Ricardo fez algumas imagens do local com o celular:
Piscina de água quente dos geiseres
Jatos de vapor brotando da terra, a mais de 4.000 msnm
Ricardo e Vilson a -13ºC
De minha parte, após tomar café, vaguei pelas ruas da cidade sem rumo nem destino certo, apenas andei, observei e curti! Fiz algumas fotos da cidade, as quais publico a seguir, para animar possíveis pretendentes a visitar o local! Não devemos nos impressionar com a aparência singela e rústica das construções e ruas, assim é San Pedro de Atacama, e talvez por essa mistura de local simples, informal, despojado, rústico e universal é que atrai tantos visitantes de todas as partes do mundo. Nas ruas, a Babel de idiomas é incrível, ouve-se línguas que nem dá para distinguir de que país são.
Tudo isso cercado de deserto por todos os lados, um deserto de altitude implacável que atinge temperaturas de -25 ºC no inverno e 35 ºC no verão. A cidade fica a 2440 msnm, mas basta andarmos 50 km para atingirmos altitudes superiores a 5.000 m!
Arcadas na praça de Armas, típico de cidades de origem espanhola
Casa Pedro de Valdívia
"Nosso" restaurante, a bandeira andina e o vulcão Licacabur, guardião do deserto
San Pedro de Atacama
San Pedro de Atacama
O meio-fio como travesseiro
Hostal Lickana- apesar da aparência externa, confortável e agradável
Após a volta de Ricardo e Vilson da visita aos geiseres, saímos para almoçar e aproveitamos a tarde livre para descansar.
Mais uma saída, desta vez com as motos, para deixá-las abastecidas para amanhã cruzar novamente a cordilheira dos Andes, com destino à Argentina.
Tarde da noite fizemos nossa última ceia em San Pedro de Atacama, já sentindo saudades de um local tão interessante e mágico, mas ao mesmo tempo com saudades da estrada!
A temperatura em Tatio era de 13 graus negativos! O Vilson não levou roupas suficientes e quase congelou, mesmo vendo a água brotar do solo a 100 ºC! É como o náufrago que morre de sede no mar! Ricardo fez algumas imagens do local com o celular:
Piscina de água quente dos geiseres
Jatos de vapor brotando da terra, a mais de 4.000 msnm
Ricardo e Vilson a -13ºC
De minha parte, após tomar café, vaguei pelas ruas da cidade sem rumo nem destino certo, apenas andei, observei e curti! Fiz algumas fotos da cidade, as quais publico a seguir, para animar possíveis pretendentes a visitar o local! Não devemos nos impressionar com a aparência singela e rústica das construções e ruas, assim é San Pedro de Atacama, e talvez por essa mistura de local simples, informal, despojado, rústico e universal é que atrai tantos visitantes de todas as partes do mundo. Nas ruas, a Babel de idiomas é incrível, ouve-se línguas que nem dá para distinguir de que país são.
Tudo isso cercado de deserto por todos os lados, um deserto de altitude implacável que atinge temperaturas de -25 ºC no inverno e 35 ºC no verão. A cidade fica a 2440 msnm, mas basta andarmos 50 km para atingirmos altitudes superiores a 5.000 m!
Arcadas na praça de Armas, típico de cidades de origem espanhola
Praça de Armas
Igreja de San Pedro, fotogênica sob qualquer ângulo
Casa Pedro de Valdívia
"Nosso" restaurante, a bandeira andina e o vulcão Licacabur, guardião do deserto
San Pedro de Atacama
San Pedro de Atacama
O meio-fio como travesseiro
Hostal Lickana- apesar da aparência externa, confortável e agradável
Após a volta de Ricardo e Vilson da visita aos geiseres, saímos para almoçar e aproveitamos a tarde livre para descansar.
Mais uma saída, desta vez com as motos, para deixá-las abastecidas para amanhã cruzar novamente a cordilheira dos Andes, com destino à Argentina.
Tarde da noite fizemos nossa última ceia em San Pedro de Atacama, já sentindo saudades de um local tão interessante e mágico, mas ao mesmo tempo com saudades da estrada!
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