quarta-feira, 27 de junho de 2012

Serra de Rio Claro


Estando em Rio Claro, costumo fazer alguns passeios pelas redondezas, sempre há coisas novas a descobrir, apesar de eu frequentar o local desde que nasci.
Há um caminho, que se inicia como uma servidão dentro da minha propriedade, que leva ao sertão e a alguns currais e fazendas localizados no alto das montanhas, e, seguindo-se este mesmo caminho é possível chegar-se ao sertão dos Hortelãs e sertão do Prata, e, por conseguinte, atingir-se o povado de Pouso Seco e a cidade de Bananal.
Este caminho, obviamente sem qualquer traço de pavimentação ou drenagem, só era possível ser percorrido a cavalo ou em motos preparadas para trilhas pesadas, inclusive com pneus especiais. Há algum tempo atrás, a prefeitura local passou um trator pelo caminho, tornando possível passar com motos "normais" ao longo de quase toda a sua extensão. Claro que motos tipo custom, superesportivas ou grandes nakeds estão descartadas, devido ao seu peso e à pequena altura do solo.

Assim, hoje pela manhã, peguei minha pequena e velhinha CG 125, com seus pneus street, e me aventurei a subir a trilha até o local conhecido como Pedra do Rastro. Achei que a moto não teria forças para vencer a forte inclinação, mas ela me surpreendeu. Eu poderia ter ido além, talvez até o sertão do Prata, 14 km morro acima, mas achei prudente retornar, pois não sabia o que encontraria pela frente, e qualquer emergência sozinho torna-se calamitosa, mas é certo que voltarei ao local outro dia para percorrer todo o caminho.

A vista é muito bacana, e a imensidão verde do alto das montanhas me agrada muito.
Apenas um momento triste: encontrei uma égua que acabara de cair de um barranco morta na beira do caminho. A coisa aconteceu minutos antes da minha passagem, pois ela ainda sangrava muito pelas narinas, e o sangue que corria como um riacho ladeira abaixo sequer havia coagulado, e ainda pingava das narinas da égua, que deve ter dado uma forte pancada com a cabeça ao cair,  fraturando o crânio. Uma pena, mas nada havia a fazer.

E assim desci o caminho que houvera vencido morro acima até chegar de volta em casa, com a convicção de que voltarei brevemente ao local, apesar de não ter intimidade com trilhas ou fora-de-estrada e de não ter a moto e as vestimentas adequadas. Nem por isso deixo de conhecer as belezas da natureza que se me apresentam!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Passeio agradável

Estava em Rio Claro, para onde fora com a nova XT 660 R, a fim de me familiarizar com ela.
Combinei com o Hélio no sábado (16/6/2012) à noite por telefone sobre ele pegar a Falcon e levá-la para o Rio. Ele pegou um ônibus às 6:00 h do domingo (dia seguinte - 17/6/2012) para Barra Mansa e eu fui buscá-lo de fusca na rodoviária daquela cidade do Sul Fluminense duas horas após.
Ao chegarmos a Rio Claro, pegamos as 2 motos (Falcon e XT 660) e saímos para dar uma volta, pois o Hélio não andava de moto há mais de 15 anos.

Seguimos pela recém-pavimentada estrada da Água Fria, que liga Rio Claro a Mangaratiba. A temperatura estava bastante agradável, e o céu aberto. Andamos entre pastos, fazendas, morros e rios até a entrada do parque ecológico de São João Marcos, para que ele sentisse a moto nas curvas, aclives e declives.


Retornamos ao sítio e nos preparamos para fazer a viagem de volta ao Rio.
Viemos de Rio Claro ao Rio com muita tranquilidade, a Dutra não estava  cheia e o tempo apresentava-se muito bom para pegar estrada, com sol, porém sem calor, coisa típica do inverno.
Foi um bom treino de ambientação para ambos: ele, com a Falcon e eu com a XT 660. Creio que ambos estamos prontos para as motos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O último dia


Às 7:40 h estava entrando na BR 040 com destino ao Rio, após fechar a conta e tomar café no hotel Hebron, em Três Marias. Estava frio no cerrado, apesar do prenúncio de céu azul e dia quente.
Segui sem  pressa, e 3 horas depois da partida cheguei ao anel rodoviário de Belo Horizonte. O trânsito estava parado, com os caminhões soltando fumaça e invadindo as 3 pistas. Segui com cuidado pelo corredor entre os caminhões durante 40 minutos, até chegar ao início do trecho BH - Rio da BR 040. O anel de BH é um problema que demanda uma solução urgente, mas não vejo qualquer movimento neste sentido. Talvez um anel mais externo, como fizeram em São Paulo seja a solução, pois o atual acabou ficando muito próximo ao centro, com a expansão da cidade.
Quando saí do anel e achei que as coisas iriam melhorar, foi que vi o que era o inferno. O trecho entre Belo Horizonte e Conselheiro Lafayete da BR 040 é uma verdadeira selvageria: asfalto em péssimas condições, rodovia sem sinalização e sem acostamento, caminhões em alta velocidade, poeira das mineradoras, caçambas de caminhões soltando pedras e pó de minério, quebra molas, pardais e trânsito muito intenso, com a estrada sobrecarregada de caminhões. Esta situação só foi melhorar após 100 km de Belo Horizonte, mesmo assim a estrada continuou péssima e perigosa.
Mantive velocidade entre 110 e 120 km/h, estava difícil andar em segurança  mais rápido do que isso. O ronco do motor da Bandit foi me fazendo companhia e me mentendo calmo, como uma música para os ouvidos.
A partir de Juiz de Fora, a estrada é concessionada e duplicada, melhorando substancialmente, e permitindo andar um pouco mais rápido.
Na descida da serra de Petrópolis, outro congestionamento: o transporte de uma peça com 8 m de largura ocupava as duas pistas e metade de cada acostamento. O comprimento também era muito grande, a prancha que a transportava tinha mais de 40 eixos. Com o trânsito represado pela PRF, o conjunto descia a serra a 5 km/h, puxando uma enorme "procissão" atrás de si. Em uma curva, a carreta-prancha parou: quebrou-se um dos eixos, com a peça no meio da curva e no meio da pista!
A PRF liberou os carros que conseguissem passar (bendita moto!) e desci a serra sem qualquer carro à frente.
5 km adiante, ainda na serra, havia outro acidente: um caminhão houvera capotado e estava atravessado no meio da pista. Passei pelo acostamento e segui viagem, mas, com certeza, os carros levarão horas para descer a serra. Os caminhões e ônibus, esses nem poderão passar, somente o farão quando forem retirados da pista a carreta-prancha e o caminhão capotado. Coitados!
Com a estrada vazia, ficou uma beleza andar, mas não é que após o pedágio de Xerém a estrada ficou novamente cheia? De onde brotaram tantos carros, se a serra estava fechada há mais de meia hora? A estrada foi ficando cada vez mais cheia de carros, porém não havia caminhões. Até agora me pergunto de onde surgiram tão rapidamente! Pareciam ervas-daninhas, brotavam e se proliferavam!
Cheguei em casa às 17:10 h.
Foi uma ótima viagem, curta e proveitosa; não só pela viagem de moto em si, mas pelos locais que conheci e gostei tanto que pretendo voltar breve. O total percorrido foi pouco mais de 3.000 km.
A moto fez  média geral de 17 km/litro de gasolina, o que considero muito bom, considerando-se o conforto, a segurança e o desempenho que ela oferece. Não houve qualquer problema mecânico, nem mesmo um parafuso frouxo, mesmo a moto tendo andado em estradas de terra e alfaltos ruins.
Mais uma vez, fui acompanhado de perto por meus anjos da guarda, que, sob o comando do Divino, cuidaram de me trazer de volta são e salvo.
Até a próxima!

Guilherme Edel
Suzuki Bandit 1200 ano 2006
Junho 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Retornando...

Todo retorno de viagem, principalmente quando o percurso é o mesmo da ida, tende a ser chato e sem graça. Curiosamente, desta vez acordei disposto a pegar a estrada, sem me importar que caminho iria fazer.
Depois de 230 km cheguei ao Distrito Federal, o qual levei 1 hora e meia para atravessar, pois a velocidade é controlada através de inúmeros "pardais. Ao sair do DF, o caos é total, com carros cruzando a pista o tempo todo, ciclistas, carros velhos, quebra-molas aos montes e muitos caminhões e maus motoristas. Bem pior que a periferia do Rio de Janeiro, é quase a Índia!
Passado esse trecho sem lei e ordem, a estrada voltou a ficar mais vazia, com predominância absoluta de caminhões, mas a quantidade não era demais.
Às 16:30 h cheguei a Três Marias. Não valia a pena seguir mais adiante, pois, segundo informações, não haveria boas acomodações para dormir em menos de 100 km. Entrei na cidade e fui diretamente para o Hotel Hebron, o mesmo que fiquei na ida.
Tomei um banho e saí pelas ruas. Para não perder o hábito, tomei um sorvete com tudo que tinha direito (e não posso comer!). Em Alto Paraíso, cheguei a tomar 3 taças de sorvete com salada de frutas no mesmo dia, não podia perder o ritmo!
                                          Luar sobre Três Marias


Amanhã, se tudo correr bem, devo chegar ao Rio ao anoitecer. A moto está uma maravilha, parece que a retirei da concessionária ontem. Não sente o peso dos 6 anos e 78.000 km bem rodados. Ao torcer o cabo, ela ultrapassa os 200 km/h com facilidade, e consegue manter altas velocidades sem esforço.
Apesar de haver abusado da velocidade em alguns trechos, mantive um ritmo mais tranqüilo que o da ida, a 120 km/h. A esta velocidade a moto fica econômica e eu me canso menos, devido à menor tensão. E ainda há uma razoável reserva de potência para ultrapassagens ou qualquer necessidade.

sábado, 2 de junho de 2012

Mais cachoeiras!

Mais um dia cheio de cachoeiras! Incrível a quantidade delas na Chapada dos Veadeiros, principalmente na região de Alto Paraíso. Quase não se vê rios. Vai-se andando pelas trilhas e de repente "aparece" uma fantástica cachoeira! Muito legal isto.
A primeira a ser visitada foi Almécegas I. Pega-se a estrada para o povoado de São Jorge, entra-se na fazenda São Bento e anda-se em uma terrível estrada de terra de 6 km, com subidas e descidas íngremes, muitas pedras soltas e areia fofa nos trechos planos. Havia 2 "mata-burros" no caminho com as aberturas no sentido longitudinal, um desafio e grande perigo para as motos.
                                          E agora?

Após a estrada de terra, estacionei a moto e segui por uma trilha de alguns quilômetros, íngreme e pedregosa. Chega-se à cachoeira em seu topo, uma coisa maravilhosa, com grande altura e bom volume de água.

Desci por uma trilha ainda pior até a base da cachoeira, onde há um imenso e profundo poço. Tomei um banho delicioso naquela água gelada, nadei muito.
                                           Almécegas I 

Retornei pela mesma trilha até onde havia deixado a moto, e tomei o caminho da cachoeira Almécegas II. Estrada difícil, mas após estacionar a trilha era mais fácil que a primeira. Tirei algumas fotos mas não tomei banho. O poço da cachoeira é mais ensolarado, havia algumas pessoas aproveitando o sol e as águas limpas.

Voltei ao estacionamento, peguei a moto e fiz toda a estradinha de volta, com muito cuidado, até a entrada da fazenda São Bento. Ainda havia uma cachoeira a visitar, a São Bento, que é uma queda d'água pequena com um enorme poço ensolarado. Excelente para banho, e a trilha é de apenas 300 m em bom estado atravessando a fazenda, onde fui ameaçado por 6 gansos.
Retornei a Alto Paraíso para almoçar.
À tarde, tomei a estrada para São Jorge e andei 22 km, até o local chamado Jardim de Maytreia. Na verdade é um local de onde se tem uma bela vista de um trecho da chapada, com sua flora exuberante e morros ao fundo, um cenário de pintura ou cartão postal.
                                          Jardim de Maytreia
                                          
Aliás, a estrada que liga Alto Paraíso a São Jorge é uma boa amostra do que é a  Chapada dos Veadeiros, pois passa junto a morros, planícies e ondulações, mostrando o belo relevo e a intensa e variada flora da chapada. Nesta época do ano as quaresmeiras estão floridas, acrescentando um tom lilás à paisagem. Muito belo!
Na volta a Alto Paraíso mandei lavar a moto, pois estava toda grudada de óleo misturado com a poeira das estradas de terra por onde passei. Está pronta para o retorno!
Será necessário voltar, pois não conheci 10% das atrações do local. Há canions, águas termais, sertões e muitas outras coisas a serem vistas, além de algumas dezenas de rios, poços e cachoeiras. Talvez seja melhor ficar hospedado no povoado de São Jorge, pois a maioria das atrações que deixei de visitar ficam ao seu redor. Nesta viagem, procurei cobrir as atrações que ficam em torno da cidade de Alto Paraíso, e São Jorge fica a 37 km de Alto Paraíso, sendo que um trecho da estrada é de terra. Até que a Bandit se saiu muito bem nas estradas por onde andou, mesmo não tendo sido projetada para isto. É uma moto para asfalto bom, mas sua robustez e resistência mostram que ela pode se aventurar em locais que não são para ela, mas é preciso ter  cuidado.
Voltarei com certeza!


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cachoeiras e mais cachoeiras!

Esperei servirem o café da manhã na pousada para poder sair explorando as cercanias de Alto Paraíso.
Peguei a rodovia GO 118 em direção ao estado do Tocantins, até uma saída de terra, que leva à cachoeira dos Cristais. Após 3 km em uma estradinha de terra que não foi feita para a Bandit, chega-se ao início da trilha para a cachoeira. Na verdade, são 8 saltos e poços em um desnível de 92 m e extensão de 800 m. Cada salto é diferente do outro, e todos formam poços onde é possível tomar banho. O rio é de águas límpidas e cristalinas, um espetáculo da natureza e um convite ao banho.


Após conhecer os 8 saltos, retornei ao ponto de origem e entrei em outra trilha, que leva à cachoeira da Água Fria. São 2 km (4 km ida e volta) dentro do cerrado, o caminho é irregular e pedregoso, mas a vista das montanhas ao redor durante a caminhada vale. Chega-se à cachoeira da Água Fria por cima, é uma queda de mais de 100 m, dá até frio na barriga chegar na borda e olhar para baixo.


Retornei pela mesma trilha da ida, peguei a moto e segui pela GO 118 até o pico do Pouso Alto, ponto culminante da região, com 1.675 m de altitude. Venta bastante e faz até um pouco de frio, apesar do céu azul e o sol a pino.

Retornei a Alto Paraíso, onde almocei um peixe à pururuca em em restaurante bem charmoso.
Uma coisa que me chamou a atenção desde que cheguei aqui e que preciso falar é sobre a qualidade do atendimento em todos os locais por onde passei: restaurantes, sorveteria, pousada, atrações, lojas, supermercados e padarias. Sempre atencioso, cortês e simpático, por pessoas alegres e de bem com a vida. Nunca vi algo parecido, sentimo-nos como um rei!


Bem, voltando aos passeios, após o almoço fui ao conjunto de saltos e poços para banho chamado de "Lokinhas". A estrada de terra para chegar é uma verdadeira trilha, tive receio de levar um tombo com a Bandit, que é totalmente inadequada para este tipo de caminho: areia solta, pedras soltas, degraus na pista, subidas e descidas muito íngremes, trechos em cima de lajes de pedra e por aí vai. Andei com muito cuidado e tive sorte.

São 2 rios de águas transparentes que formam uma seqüencia de 7 poços grandes com pequenas quedas d'água, percorridos em 2 trilhas de 1 km cada, dentro da mata. Não resisiti, tirei a roupa, coloquei a sunga e tomei banho no maior dos poços. Não havia ninguém no local, deu para dar umas braçadas na água. O poço era muito fundo, devia ter de 3m a 4m de profundidade. Uma delícia!

Retornei e começou a chuviscar, meu medo era a  estrada de terra de 5 km ficar escorregadia demais, mas não houve problema, voltei com todo cuidado, sem tombos!
Novamente em Alto Paraíso, tomei uma salada de frutas com sorvete, que ninguém é de ferro. Já foram 3 desde ontem, é tão bom que vicia!
Conheci um inglês que está viajando por toda a América do Sul com um caminhão com um pedaço de carroceria de ônibus em cima. Uma aberração, mas diferente e interessante. Ele despachou o "monstro" da Inglaterra até o Equador e já percorreu Equador, Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Agora está conhecendo o Brasil. Como é que ele descobriu e veio parar em Alto Paraíso?

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alto Paraíso!

Às 8:00 h já estava entrando com moto e bagagem na estrada BR 040 em direção a Brasília. Logo após Três Marias, a estrada cruza o rio São Francisco, e não pude deixar de parar para tirar algumas fotos.

Segui sempre em velocidade superior a 140 km/h, a estrada permitia e a moto pedia!
Almocei em Cristalina e 120 km adiante cruzei Brasília, uma travessia lenta, com trânsito intenso e velocidade controlada. Foram 83 km dentro do Distrito Federal com velocidade máxima de 80 km/h, difícil agüentar!

A estrada que leva a Alto Paraíso (GO 118) começa na BR 020, ligação entre Brasília e Fortaleza. O trecho inicial da GO 118 apresenta asfalto em péssimas condições, que melhora adiante. Há muitas obras e desvios, o que atrasa a viagem. Ainda assim, nos trechos bons andei a 160 km, chegando até a 210 km/h por curtos períodos, em ultrapassagens ou aproveitando o bom estado do asfalto. Apesar do pouco trânsito, predominam os caminhões. Os automóveis não chegam a 10 % do volume de veículos na GO 118. Há caminhões circulando a 120 km/h ou mais, devido à falta de fiscalização.


Às 17:00 h cheguei em Alto Paraíso, localizada na Chapada dos Veadeiros, após rodar 691 km.
Estacionei a moto, dei um giro para reconhecimento a pé e hospedei-me em uma pousada simples, porém agradável e confortável, por R$ 50,00 a diária, com direito a café da manhã e garagem.
Após tomar um banho, dei uma volta a pé pela cidade, aproveitando os últimos raios de sol, assistindo ao sol se pondo atrás dos morros da chapada enquanto caminhava.

                                           Alto Paraíso ao anoitecer

A cidade é incrível, e muito agradável. Cheia de esotéricos e bichos-grilo, uma espécie de São Tomé das Letras melhorada. As atrações nas redondezas são muitas, seriam necessários mais de 10 dias para conhecer as coisas principais, sem repetir. Há inúmeras cachoeiras, canions, vales, morros, rios, trilhas e muito mais. Amanhã começarei a visitá-las.
À noite, esfria bastante no cerrado, é comum por aqui temperaturas de 5 ºC nos meses de junho, julho e agosto. Espero que todo esse frio não chegue durante a minha estada!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nova viagem: Alto Paraíso de Goiás

Ontem, de repente, decidi pegar a moto e cair na estrada. Cancelei alguns compromissos, separei algumas roupas, arrumei minha mala e hoje pela manhã saí de Bandit com destino a Alto Paraíso de Goiás e à Chapada dos Veadeiros, sem qualquer planejamento.
Parti às 7:30 h, com tempo bom e temperatura agradável. O caminho até Brasília é a BR 040. Até Belo Horizonte, mantive velocidade de 120 km/h. Foi tranquilo, exceto a travessia de BH pelo anel rodoviário, sempre sobrecarregado de veículos pesados e com velocidade controlada em 70 km/h.
Após Belo Horizonte aumentei a velocidade para 140 km/h, chegando a andar em alguns trechos a 160 km/h. A estrada não estava cheia, mas o tráfego é predominantemente de caminhões. É raro cruzar com automóveis.
Rodei até 3 Marias, uma cidade no cerrado, localizada às margens da represa de mesmo nome. Como já eram 17:00h e logo escureceria, resolvi pernoitar por aqui. Acomodei-me no hotel Hebron e fui dar um passeio a pé pelo centro e conversar com os locais. A cidade é turística e muito interessante: muitos hotéis e restaurantes, há cachoeiras e praias de água doce. Também se pratica bastante a pesca esportiva. Vale um passeio algum dia para passar um fim de semana.
Eu já estava sentindo falta de acelerar uma moto na estrada. E a Bandit se presta bem para isso...
Rodei 706 km de casa até Três Marias.

domingo, 8 de abril de 2012

O último dia - Assis (SP) a Rio Claro (RJ)

5 de abril de 2012

O hotel em Assis era muito bom, dormi como uma pedra até as 6:30 h. Às 8:00 h já estava na rodovia Raposo Tavares em direção a São Paulo. Cerca de 150 km adiante entrei na rodovia Castello Branco. A moto andava bem, mantive o ritmo dela, e ela voltou a fazer em torno de 19 km/litro de gasolina. Não adianta forçar a barra, temos que respeitar as limitações da máquina, sob o risco de ficar na estrada.

                                          Final (ou início) da Castello Branco - Esp. Santo do Turvo

Almocei no Frango Assado de Sorocaba, quando notei um barulho estranho no pinhão. Estiquei e lubrifiquei a corrente, que estava bem frouxa, o barulho diminuiu e continuei.
                                          Esticando a corrente na Castello Branco

Percorri os 315 km da Castello Branco e cheguei em uma Marginal do Tietê caótica com milhares de carros, ônibus e, principalmente caminhões. Era a saída do feriadão da semana santa, quando os paulistanos aproveitam para fugir da cidade em direção ao litoral. Ainda errei uma agulha na marginal e fui parar na rodovia Anhangüera, tendo que fazer um retorno em meio ao intenso tráfego, e com um calor de matar sob o casaco.

De volta à marginal, andei com cuidado pela pista lateral (a expressa é proibida às motos) até chegar à Dutra. Decidi ir pela Dutra mesmo, pois a Trabalhadores estava um congestionamento só. Andei muito lentamente na Dutra até a altura de Bonsucesso, com trânsito denso e lento, no máximo a 30 km/h.

A partir daí o fluxo fluiu melhor, mas com a estrada sobrecarregada de veículos, principalmente os pesados. Fui seguindo com cuidado até Roseira, onde apenas abasteci e continuei meu caminho.

Mais uma parada em Floriano, na cantina Ovomaltine, uma parada essencial para mim, que desde os tempos da cantina na própria fábrica paro por ali e tomo um autêntico Ovomaltine com leite.

Anoiteceu em Barra Mansa, entrei na RJ 155 e cheguei às 19:00 h em Rio Claro, local de onde parti rumo a esta aventura há exatos 16 dias e 7.280 km atrás.

Uma viagem ótima e cansativa, devido às limitações e características da Falcon, mas quem disse que uma moto pequena, antiga e carburada não seria capaz de suportar o que ela passou? Basta respeitar seu ritmo e conhecer suas limitações. Todas as vezes que tentei imprimir um regime que não era o dela, ela "reclamava" e aprontava alguma, como se para me alertar que eu deveria me lembrar em que máquina estava.

No final das contas, tudo terminou bem e o saldo foi altamente positivo. Além de conhecer a Quebrada de Humahuaca (um sonho antigo) e voltar a San Pedro de Atacama, ainda fiz amizade com Júlio e Almir, duas pessoas incríveis, que me acolheram em sua expediçao com motos maiores, mais potentes e injetadas e tiveram paciência com as minhas limitações, dando ainda uma ajuda quase divina quando precisei, seja empurrando a Falcon pelas cordilheiras geladas ou me escoltando nos trechos onde a Falcon mostrava sua inferioridade frente à V-Strom e à GS 800. Senti-me até amparado!

Apesar de não termos conseguido ingressar com as motos na Bolívia devido ao preconceito contra estrangeiros e à burocracia e corrupção reinantes naquele país, retornei a San Pedro de Atacama pela 3ª vez, cruzando o Paso de Jama, uma viagem que todos os apreciadores da natureza e das belezas selvagens da puna deveriam fazer. Não é um trecho fácil a travessia entre Purmamarca, na Argentina e San Pedro, no Chile, mas vale o sacrifício.

Cosidero a vigem encerrada com sucesso. Mais uma vez, agradeço a Deus por ter-me dado saúde para aproveitar todas as belezas que vi e vivi, e agradeço também aos meus novos amigos, Júlio e Almir pelo companheirismo e por toda a ajuda. Tenho certeza que ainda faremos outras viagens juntos, já me sinto até íntimo de seus amigos (Cláudio, Matheus e outros), mesmo sem conhecê-los. Como eles dizem, há parceiros e "malas", mas cabe a nós escolher os companheiros certos para cada viagem.

Até a próxima!

Guilherme Edel

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mais um problema!

Eu e Júlio saímos de Foz do Iguaçu um pouco antes das 9:00 h. Almir seguiu viagem  ontem, após nos deixar na oficina do Geraldo, que trocou o regulador de voltagem e deu um jeito na moto.
Abastecemos próximo ao hotel, e nos primeiros quilômetros rodados já notei que a moto falhava nas rotações intermediárias. Ela funcionava em marcha lenta e em altas rotações, mas não conseguia andar em velocidade abaixo de 80 km/h.
Fomos andando; enquanto estávamos na pista dupla, tudo foi bem, mas após o término da autopista, a cada caminhão na frente com velocidade reduzida, a cada quebra-mola ou redução de velocidade e nos postos de pedágio, a moto "apagava" e não conseguia reacelerar. Isto aconteceu diversas vezes, um verdadeiro tormento, mas seguimos assim por 400 km até chegarmos a um agradável restaurante em Floresta, a 30 km de Maringá, onde almoçamos um comida gostosa, com feijão e arroz. Só então me dei conta de que não comia feijão e arroz desde que saí de casa.

Terminado o almoço, fomos para Maringá à oficina do "Araponga", amigo do Júlio. Cruzar a cidade até chegar à oficina foi uma verdadeira maratona: a moto morria e não queria ligar, e quando ligava não conseguia arrancar, era necessário puxar o afogador a acelerar ao máximo, e ela saía empinando a roda dianteira.
Ficamos na oficina durante 3 horas. Nesse meio tempo o Almir veio nos encontrar e buscar seu notebook, que houvera ficado em poder do Júlio.
Saímos da oficina às 17:00 h, e rodamos os 110 km que separam Maringá de Londrina. Em Londrina, me despedi do Júlio, que foi para casa, e eu entrei na estrada que liga Maringá a Assis, no estado de São Paulo. Eram 18: 20 h. Logo escureceu, e rodei 140 km à noite, mas a sorte e os céus estavam do meu lado: tempo bom, lua cheia, estrada praticamente reta  e bem sinalizada. Apesar de haver um movimento razoável de carros e caminhões, andei bem, chegando a Assis às 20:20 h.
Hospedei-me no hotel Paragem, muito bom, novo, por R$ 58,00, com garagem e café da manhã.
Após um merecido banho, fui a pé jantar no restaurante "Vozão", uma comida caseira da melhor qualidade, conseguiu superar o almoço de hoje. Arroz, feijoada, carne de panela e salada, com um sabor especial. Tudo isso e mais um refrigerante 600 ml por R$  10,00. Maravilha!
Retornei ao hotel e fui dormir. Espero que doravante a moto se comporte bem e não me apronte mais nada!
Acho que agora que estou rodando sozinho novamente, manterei um ritmo mais tranquilo e não terei mais problemas. Tentei imprimir à Falcon um ritmo muito forte, que ela não suporta. Não há como acompanhar meus companheiros que possuem motos potentes e grandes com a pequena Falcon, projetada para rodar em ambientes urbanos e em velocidades mais baixas.
Esou a 950 km de casa!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Um dia em Foz do Iguaçu

Pela manhã, eu e Júlio ligamos a Falcon no tranco e fomos nos encontrar com Almir, que nos levou à oficina do Gerado, para consertar minha moto. Deixamos a moto lá. Almir seguiu viagem para Maringá, pois tinha negócios a resolver, Júlio e eu pegamos 2 moto-táxis e fomos na garupa para o Paraguai, disputando na ponte o trânsito com carros, vans, ônibus, pedestres e caminhões, em um cenário tipico de terceiro mundo.

Fizemos algmas compras no Paraguai e retornamos a Foz, para pegar a moto na oficina.

O problema estava no regulador de voltagem, conforme eu imaginava. Aproveitei e mandei trocar o relé de partida, o óleo e o filtro. O importante é deixar a moto boa para encarar os 1.600 km que me separam do Rio de Janeiro.

 
Ao retornar ao hotel, ao anoitecer, sentamos à beira da piscina e esperamos a noite cair, tomando uma gelada. Vida dificil!