segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Retornando - 3º dia - Alguns problemas


Ao lubrificar a corrente pela manhã, notei que havia uma deformação anormal na mesma, mas saí do hotel e peguei a estrada. O trecho entre Mineiros e Jataí, de 105 km, passou rápido, o ar estava fresco e andei bem.
Iria fazer um caminho diferente da ida, passando pela cidade de São Simão (GO), onde há uma represa e praias. A sugestão foi do Thiago e eu já a havia incorporado. Porém, logo após Jataí, em um posto no trevo da estrada que dá acesso a São Simão, achei a corrente barulhenta demais e trepidando quando a moto andava. Examinando melhor, verifiquei que todos os retentores se haviam desintegrado, e a corrente apresentava um alto grau de deformação. Além do mais, estava muito esticada, com folga ZERO. Não daria para continuar. Retornei a Jataí, entrei na cidade e procurei a concessionária Yamaha. Fui muito bem atendido, mas não tinham a relação para vender-me. Ligaram para a concessionária de Rio Verde, que também não a tinha em estoque. Muito atencioso, o vendedor ligou para a Lee Moto Peças, em Rio Verde; eles possuíam uma relação alternativa, com corrente sem retentores.
O mecânico da concessionária em Jataí afrouxou a corrente o quanto foi possível, para que não arrebentasse, e parti para Rio Verde (GO), 100 km adiante, evitando acelerações bruscas, pois bem sei o que é ficar sem corrente no meio da estrada!
A estrada entre Jataí e Rio Verde está em obras de duplicação, havia 9 desvios nesses 100 km, mas a moto foi bem, apenas com um ruído horrível, semelhante a um moedor de metais. Parecia que tudo iria se desmanchar!
Cheguei em Rio Verde, entrei na cidade e achei a Lee Moto Peças. Comprei a relação completa (com corrente sem retentor) e fiquei aguardando a troca. Para meu azar, o mecânico que trocaria a relação teve problemas (mecânicos!) com seu carro e atrasou bastante. Enquanto eu aguardava, a chuva caiu copiosa sobre Rio Verde, alagando ruas e enchendo os córregos que cruzam a cidade.
                                           O estado em que a corrente ficou

Lee Moto Peças, em Rio Verde - GO

A troca da relação completa

A moto ficou pronta às 15:00h, a chuva tinha cessado, mas somente sobre Rio Verde. Atravessei toda a cidade e cheguei à estrada para continuar a viagem, e logo a chuva caiu novamente, bem forte, e me acompanhou por mais de 100 km. Continuei rodando, saí de Goiás e entrei em Minas, o trecho entre Itumbiara (GO) e o "trevão" é duplicado e está em bom estado. Já estava começando a escurecer quando a chuva caiu novamente. Parei no "trevão" para abastecer, no mesmo local onde almoçara e conhecera Alcebíades na ida. Sob chuva seria muito difícil continuar à noite, então entrei na cidade de Monte Alegre de Minas, 18 km adiante do "trevão"" e cerca de 60 km antes de Uberlândia, e consegui um hotel simples, com mosquitos no quarto. Hoje o dia não rendeu muito devido ao problema com a corrente da moto, mas isto, ao menos, foi resolvido.
Caso não esteja chovendo, amanhã penso em ir para o parque nacional da Serra da Canastra, onde fica a nascente do Rio São Francisco.

Hotel em Monte Alegre de Minas

                                             Monte Alegre - MG


domingo, 9 de dezembro de 2012

Retornando - 2º dia


O dia de hoje foi especialmente cansativo.
Entre Cáceres e Cuiabá a viagem foi tranqüila, com a estrada vazia. É o melhor trecho da viagem, tirando a serra da Mantiqueira entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Possui matas às suas margens, bastante verde e até uma serra, a do Mangaval.
                                             Trecho entre Cáceres e Cuiabá  

Em Cuiabá começou o inferno. Devido à sinalização deficiente, acabei entrando em Várzea Grande e Cuiabá, rodando por dentro de Cuiabá por 32 km até conseguir encontrar a saída para a estrada! Isso na capital do calor, a 38 ºC, e eu estava de botas, luvas, casaco e capacete fechado. Retornei à estrada e aí vi que havia conhecido somente o purgatório, pois o inferno estava por vir. A estrada estava totalmente tomada por caminhões, que formavam uma fila indiana interminável. Nos primeiros 60 km, a velocidade não ultrapassava os 40 km/h, chegando o trânsito a parar totalmente por diversas vezes nos 2 sentidos, sem falar nos inúmeros quebra-molas, pardais e postos da PRF com obstáculos que pioram a situação. Após 60 km, há um pequeno trecho duplicado onde as coisas melhoram, para voltar a piorar em seguida. Somente depois de 110 km após Cuiabá consegui colocar 110 km/h na moto, mas nunca por mais do que 3 minutos, pois o volume de caminhões era absurdo, e olhe que hoje é um domingo! Imagine amanhã! Imagine na copa!
Entre Cuiabá e Rondonópolis há outra serra, bastante perigosa, mas que apresenta um belo visual das chapadas ao redor.
Ponte em Cuiabá




Serra entre Cuiabá e Rondonópolis
                                          

Logo após Jaciara houve um acidente em que uma carreta-prancha ficou atravessada na pista, interrompendo o trânsito nos dois sentidos. Entrei por uma pequena vila e por uma estrada de terra para me livrar do congestionamento de 8 km.
A partir de Rondonópolis, o volume de caminhões diminui bastante, pois a maioria segue em direção a Campo Grande e São Paulo, para atingir os portos de Santos e Paranaguá. O asfalto, em condições ruins, não ajuda muito, pois além de alguns buracos, há muitas imperfeições na pista que a tornam muito perigosa para motos (trilhos de rodas profundos, desplacamentos e exsudações). Os acostamentos são pequenos ou inexistentes, e quando existem, estão desnivelados em relação à estrada em mais de 10 cm, chegando a mais de 20 cm em alguns trechos.
Ao entrar no estado de Goiás as condições do asfalto melhoram sensivelmente, e deu para andar mais rápido, mas um novo acidente, com o tombamento de uma carreta transportando caroços de algodão fechou as duas pistas;  desta vez fui pelo acostamento até o local do acidente, e quando liberaram a estrada, andei 60 km sozinho, sem qualquer carro à frente, devido ao represamento.
                                           Acidente com tombamento de carreta     

                                           Tempestade (chuva) ao longe, na estrada

Para fechar bem o dia, o pôr do sol no planalto foi um belo espetáculo!
Cheguei ao acesso a Mineiros e resolvi entrar na cidade, já eram 20:30 h e eu estava bastante cansado de tanto andar no meio dos caminhões e com o asfalto ruim. Custei  a conseguir um hotel, e acabei hospedando-me em uma espelunca, mas ao menos tem ar condicionado!
Tomei um banho frio bem longo e saí para lanchar.

                                                Hotel em Mineiros

sábado, 8 de dezembro de 2012

Retornando...

Ontem à noite resolvi  que já estava na hora de começar o retorno. Ainda assim, eu e Thiago ficamos conversando, tomando vinho e tocando violão até quase 1:00 h. Foi muito agradável ficar em Rolim de Moura na companhia do Thiago, mas o Natal se aproxima e preciso estar no Rio e em Rio Claro para resolver algumas coisas.
Saí com tempo firme, com algumas nesgas de céu azul. Passei por Pimenta Bueno e continuei pela BR 364. Até Vilhena, 250 km após Rolim de Moura, não choveu. Enquanto eu abastecia, caiu um temporal como eu não via há muito tempo. Aguardei uma estiagem que não ocorreu, e continuei viagem com a chuva. A visibilidade era de poucos metros à frente, com muita água caindo. Peguei esta chuva fortíssima durante 100 km, entre Vilhena e Comodoro, onde almocei.

A partir de Comodoro o tempo foi alternando entre chuvas e mormaço, mas as pancadas não foram tão violentas quanto a chuva entre Vilhena e Comodoro.
E assim fui seguindo até Cáceres, onde cheguei ao cair da tarde, hospedando-me no mesmo hotel que ficara  hospedado na ida. Estava bastante cansado quando parei, talvez devido à tensão de viajar sob chuva.
Mesmo com as pistas molhadas e com a chuva que caia, consegui manter uma boa velocidade média. Apesar de capa e botas, molhei-me um pouco, deve ter sido pela intensidade da chuva.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Rolim de Moura (RO)

Ontem o tempo melhorou, e foi possível andar pela cidade, tanto a pé como de bicicleta. Aproveitei e comprei os ingredientes necessários e fiz um cozido, que foi deglutido à noite em casa, regado a vinho e cerveja por 5 pessoas.
                                          Cozido pronto, ainda nas panelas

Encontrei com o pessoal das motos que tão bem me recebeu no dia da chegada a Rolim de Moura na praça da prefeitura para conversar e tomar tererê, uma bebida típica,  espécie de chimarrão servido gelado. O que tomamos tinha adição de menta. Não conhecia, provei e gostei.
Ao sair para encontrar o pessoal à noite, notei que o farol baixo da moto não funcionava. Liguei o farol alto e fui, só que a luz alta também queimou logo adiante. Foi difícil andar nas ruas mal iluminadas e até sem iluminação da cidade sem os faróis, mas sobrevivi.
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Hoje, o tempo está bem melhor, com o sol mostrando a sua cara e a sua fúria. Levei a moto para trocar a lâmpada do farol e foi detectado que o suporte do painel estava quebrado. Obviamente esse suporte não existe na concessionária Yamaha local, terá que ser soldado. Da mesma forma, alegaram que os parafusos que fixam a bolha (carenagem) estão espanados, o que não é verdade. Apenas a fenda da cabeça de um deles está desgastada devido a um tombo do proprietário anterior. Ainda assim, autorizei a substituição dos parafusos.
O serviço na moto foi bem feito, a lâmpada do farol foi trocada e tudo foi devidamente reparado e fixado (carenagem e painel). A menos da lama avermelhada residual, está OK, pronta para encarar a estrada.


                                           Concessionária Yamaha Orion, em Rolim de Moura

                                           Eu e Thor, na casa do Thiago

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um dia em Rolim de Moura


O dia de ontem em Rolim de Moura foi tranqüilo, quase de descanso. Choveu o dia todo, às vezes um chuvisco leve, outras vezes o volume de água aumentava. Nesta região, esta é a época das chuvas, que compreende o período de outubro a maio. Não existe verão ou inverno como a maioria conhece, mas apenas a época das chuvas e a época das secas. O calor está sempre  presente, assim como os mosquitos, que infestam as casas.
Saí a pé e circulei pela região do centro de Rolim de Moura, onde se concentra todo o comércio. Depois, levei  a moto para trocar o óleo em uma loja/oficina. Fiz alguns reparos domésticos junto com o Thiago e lavei a moto, ou melhor, tentei tirar o excesso de barro avermelhado que se depositou e aderiu a todas as superfícies. Foi impossível limpar tudo, todos os cantos e diversas superfícies estão avermelhados, é muito difícil e trabalhoso remover tudo. Ao menos a aparência melhorou, e as partes pintadas estão limpas.
Pizza, vinho e música !

Acho que uns dias em ritmo mais lento me farão bem. A visita ao Thiago está valendo a longa viagem. Nem penso na volta, mas devo fazer um percurso diferente em trechos em que for possível, para não repetir exatamente todo o trajeto da ida. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cheguei em Rolim de Moura, o destino final!


A noite no hotel AKI, em Cáceres foi excelente: bom hotel, cama maravilhosa, ar condicionado split e um ótimo café da manhã.
Na estrada, em Mato Grosso

O fuso horário é atrasado em 1 hora em relação ao horário do Rio, assim, como ganhei esse tempo, não tive pressa para sair. Não estava chovendo, embora durante a noite houvesse chovido bastante.
O fluxo e o volume de caminhões diminuiu muito, a estrada voltou a ficar agradável de ser percorrida. Os enormes bi-trens que transportam soja desapareceram quase que por completo a partir de Cáceres. Pela manhã rodei mais de 300 km e não peguei chuva alguma, somente na hora em que parei para almoçar e abastecer em Nova Lacerda é que ela chegou.
A paisagem continuou mudando. Apesar de muitas fazendas e pastos, volta e meia a estrada atravessa trechos de uma mata muito densa e verde, mais para mata atlântica do que para floresta amazônica. Mais tarde soube tratar-se de uma espécie de cerrado, mas muito verde e com árvores grandes e frondosas.
Algumas pancadas de chuva esparsas pelo caminho, fui ganhando os quilômetros e entrei em Rondônia pela cidade de Vilhena, onde fui saudado por mais uma pancada de chuva.
Cheguei em Pimenta Bueno às 17:00 h, e soube que estava a apenas 65 km de Rolim de Moura, meu destino final. Fiz contato com o Thiago e segui pela reta de 65 km que une as duas cidades sem a capa de chuva, mesmo vendo a tempestade que se formava à frente. Molhei-me bastante, mas cheguei feliz e realizado a Rolim de Moura. Enquanto procurava pelo Thiago, conheci o Jean, motociclista local que, ao ver a moto, veio conversar comigo. Ele não só levou-me ao ponto de encontro marcado com meu filho, como convidou-nos para um "caldinho" à noite  na casa de outro motociclista pertencente ao seu moto-grupo, o Expedicionários da Amazônia.
Fomos para a casa do Thiago, e quando chegamos desabou outra chuva forte.  Descarreguei a moto e tomei um banho (de chuveiro!) para tirar a poeira e a gordura da estrada e fomos ao supermercado, desta vez de carro, pois a chuva estava forte.
                                             Chegada a Rolim de Moura

Após fazer um lanche em casa, fomos à casa do sr. João Bautz, para onde o Jean nos convidara. Muitos motociclistas viajantes reunidos, cerveja, whisky e um caldinho delicioso, com mocotó e costela. Conversamos sobre motos e viagens, a paixão de todos os presentes. Ganhei botom, adesivos e uma camiseta do Expedicionários, em um clima alegre, descontraído e de muita amizade. Há muitos motociclistas experientes no grupo que já fizeram diversas viagens à Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela, além de viagens pela região amazônica do Brasil. Foi uma rica troca de experiências. Três dos presentes, incluindo o João, que acabou de comprar uma Falcon 2008, farão em fevereiro de 2013 uma viagem ao litoral, incluindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sugerimos incluir a Rio-Santos no roteiro.
                                            GE e João

                                          Reunião de motociclistas e caldinho a casa do sr. João Bautz

Já era tarde quando retornamos  para a casa do Thiago. Após um dia longo na estrada e uma ótima chegada, uma merecida noite de sono em Rolim de Moura (RO). Rodei um total de 3.146 km do Rio de Janeiro até Rolim de Moura, sendo 800 km em pouco mais de 9 horas neste 4º dia de estrada.
                                           Thiago e Thor, em casa                                          


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mais um dia de estrada

No hotel de Jataí havia mosquitos, mas também, havia um ventilador. Liguei-o direcionado para mim e me vinguei, ouvindo os mosquitos zumbirem sem conseguir chegar em mim! Assim consegui dormir melhor do que na noite anterior.
                                             Hotel Plaza (pátio interno), em Jataí                      

Finalmente, meu 3º dia de viagem foi um dia sem chuva; peguei a estrada às 7:50 h, com tempo aberto e céu com nuvens. Atravessei o que restava do estado de Goiás e entrei no Mato Grosso, cruzando o rio Araguaia quando o mesmo ainda possui pequeno volume de água.

A estrada piorou sensivelmente em Mato Grosso, com buracos e muitas imperfeições no asfalto. O volume de caminhões, principalmente os que transportam soja, é absurdo, a estrada pertence a eles.
Houve paradas longas e congestionamentos sob o sol em alguns desvios tipo pare/siga.

A paisagem vai mudando à medida que adentramos para oeste. A partir de Goiás já aparecem as grandes plantações de soja às margens da estrada, que se intensificam em Mato Grosso. Também o tipo de vegetação muda, já começam a aparecer árvores maiores e mais frondosas.
Almocei em um restaurante em Pedra Preta (MT), antes de Rondonópolis, frequentado por caminhoneiros. Estava com muita fome e esqueci as boas maneiras e a educação: comi  de qualquer maneira, coloquei os cotovelos na mesa, cuspi as pelancas no prato e palitei os dentes, mas a refeição estava muito boa, deve ter sido a melhor da viagem até agora. Não é divertida esta vida?

                                                                                     
                                                                                                               

                                             Plantação de soja a perder de vista

Contornei Cuiabá sem entrar na cidade, mas o intenso trânsito de caminhões e carros nos arredores da cidade estava um inferno. Devido à falta de sinalização, só acertei a entrada do contorno porque houvera perguntado antes, aliás, obtive a informação no mesmo posto onde abastecemos e pedimos informações há 5 anos atrás, na viagem a Machu Pichu. Mais adiante, em uma rotatória sem sinalização, errei  a estrada, mas consegui detectar o erro logo, andei somente 16 km "de graça".
Já eram 16:30 h quando passei por Cuiabá. Pretendia pernoitar em alguma cidade logo adiante, mas tive que rodar até Cáceres, 220 km adiante, pois é  a primeira cidade após Cuiabá onde existem hotéis e alguma    estrutura. A 50 km antes de Cáceres a vegetação, a paisagem e a estrada mudam: é a serra Mangaval, muito bacana, cheia de curvas, subidas e descidas em meio a uma vegetação densa. Como o relevo na região é muito plano, este acidente geográfico assume um papel importante e chama a atenção.
Às 19:00 h caiu uma chuva, que não durou mais que 5 minutos. Cheguei em Cáceres às 19:30 h e hospedei-me em um hotel na beira da estrada BR 364, na entrada da cidade. Mal estacionei a moto, caiu um temporal! Meus anjos da guarda e os pensamentos positivos dos amigos e das pessoas que me amam me protegeram da chuva, assim com têm me protegido dos demais perigos!
Hoje rodei quase 12 horas e 828 km, em meio a muitos caminhões  em estradas saturadas. Já foram 2.351 km desde o Rio de Janeiro. As paisagens, topografia, relevo e vegetação vão mudando e mostrando o quão grande e diverso é o nosso país. E não é só isso: as pessoas, os sotaques e o jeito de conversar também mudam. A experiência de viajar vivendo tão de perto todas as sensações e emoções é altamente enriquecedora. Se eu tivesse tomado um avião e voado do Rio para Porto Velho, estaria vivendo tudo isso? E se eu só me hospedasse em hotéis de luxo e frequentasse restaurantes refinados? Só quem já sentou em uma moto e se lançou na estrada de forma aventureira sabe.




                                            Hotel AKI, em Cáceres (MT)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Estrada longa...


No primeiro dia de viagem, segui à risca o itinerário que houvera planejado. Mudei diversas vezes de estrada e passei em todos o locais previstos. Não há nenhuma paisagem ou visual que mereça algum comentário, exceto a subida da Serra da Mantiqueira pela estrada sinuosa que passa por Itamonte, Pouso Alto e Caxambu, que é sempre muito bacana, apesar de ser estreita, sem acostamento e com uma curva atrás da outra, todas de baixa velocidade. Atinge-se 1.670 m de altitude.
Fora a Mantiqueira, não há paisagens que chamem a atenção nem tampouco pontos notáveis ou algum visual bonito ou mesmo diferente.
Almocei na Fernão Dias, altura de Três Corações, terra do Pelé, uma comida horrível. Comi como se fosse remédio, não poderia passar o dia inteiro sem me alimentar.

Três Corações homenageia seu filho mais ilustre!

Em Iguatama, primeira cidade banhada pelo rio São Francisco, o “Velho Chico” tem pequeno volume de água e é sujo, em nada lembra o rio volumoso em cujas águas naveguei e me banhei no canion de Xingó e em cuja foz pesquei , entre os estados de Sergipe e Alagoas. Nem parece o mesmo rio que movimenta as turbinas das usinas de Paulo Afonso! A ponte que o cruza na BR 354, em Iguatama, entre a cidade de Arcos e a BR 262, tem apenas 120 m de vão!

O Velho Chico ainda jovem

 Peguei umas 8 pancadas de chuva pelo caminho, todas à tarde. Deixava a roupa secar no próprio corpo, não coloquei a capa. As últimas pancadas foram muito fortes, e a última, que desabou às 17:00 h, foi forte e durou até a hora em que parei, vencido!  Andei 100 km debaixo de um tremendo aguaceiro, disputando a pista molhada e muito escorregadia com caminhões. Às 18:30 h, bem molhado, parei em um posto de gasolina 6 km antes de Araxá, para aguardar uma trégua da água que caía. Como havia um dormitório no posto, foi ali que decidi pernoitar, pela módica quantia de R$ 25,00 por um quarto com banheiro (e mais nada!). Tomei um banho quente para retirar o frio do corpo e jantei no restaurante do posto. Já estava mesmo escurecendo e não havia condições de seguir viagem à noite e com chuva.
Do Rio de Janeiro até onde estou foram 815 km, perto de 1/4 do caminho de ida. Hoje rodei 10 horas e meia. A moto tem feito exatos 20 km/litro em todos os abastecimentos, apesar dos alforjes laterais e da velocidade um pouco alta.
                                               Muita chuva!

As botas novas passaram no teste da impermeabilidade: depois de mais de uma hora de forte chuva, continuei com os pés secos. Maravilha! Em compensação, na moto, a bolha mais alta concentra a água da chuva na altura do ombro, e a água acabou atravessando o casaco.
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                                           O "hotel" do primeiro dia

no dia seguinte...

Não consegui dormir à noite, o quarto estava infestado de mosquitos que zumbiram nos meus ouvidos todo o tempo. Levantei-me 4 vezes para matá-los, mas seria impossível acabar com todos. Matei alguns contra a parede,  deixando estampada em vermelho a minha revolta. Não preguei o olho, e às 6:00 h levantei-me para seguir viagem. Desnecessário dizer que o hotel não tinha café, e para piorar, o restaurante do posto só tinha frituras, pão de queijo e refrigerantes. Abasteci a moto e parti em jejum, parando 12 km adiante para tomar um cafezinho.
A chuva acompanhou-me toda a manhã. Entre Araxá e Uberlândia foram 180 km de pura chuva. Em Uberlândia, devido à sinalização deficiente, errei a entrada do anel viário e acabei andando 80 km "de graça", o pior é que foi sob chuva. Retornei, achei o caminho correto, contornei Uberlândia pelo anel e fui em direção a Goiás. No entroncamento entre as BRs 365 e 153, conhecido como "Trevão", parei para almoçar e conheci o Alcebíades, que ia de Barra do Garças para São Paulo com uma BMW GS 1150, a qual iria trocar por uma GS 1200 nova. Almoçamos juntos, conversamos e cada qual tomou seu rumo.
Fui pela BR 153 até  Itumbiara, um trecho de 80 km duplicado, em ótimo estado. Em Itumbiara (GO) peguei a BR 452 até Rio Verde, e então a BR 060 até Jataí, onde cheguei às 17:20 h. Como estava chuviscando, não quis arriscar uma esticada até a próxima cidade, chamada Mineiros, pois já estava tarde e eu já estava na estrada há 10 horas. Assim, entrei na cidade de Jataí, onde consegui um local simples para pernoitar por R$ 40,00. Só espero que não haja mosquitos! Já rodei 1.523 km desde que saí de casa. Hoje foram 708 km.
A moto agora não consegue fazer mais do que 20 km/litro de gasolina, creio que por 2 motivos: a velocidade média está mais alta e o combustível que tenho colocado não é confiável. Há poucos postos, e quando encontro algum, já estou na reserva, precisando abastecer de qualquer maneira.


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Viagem a Rondônia - dia zero

A fim de ganhar algum tempo e aproveitar o dia sem chuvas, saí do Rio no dia 30 de novembro de 2012, uma sexta feira,  após o almoço.
Muito congestionamento até chegar à rodovia Presidente Dutra, e, mesmo na Dutra, trânsito lento, sempre inferior a 60 km/h até a altura de Austin. O calor era grande, eu estava com casaco, luvas e botas e padeci, suando dentro da roupa e com sensação de abafamento. A temperatura melhorou um pouco após a Serra das Araras, mas não dá para dizer que refrescou.
Após boa viagem, cheguei a Rio Claro. Amanhã pela manhã partirei com destino a Rondônia.
Espero que não esteja chovendo!

A conquista do oeste!

Estou partindo para mais uma viagem-aventura, desta vez por terras brasileiras, em direção ao oeste do país, tendo como destino final  a cidade de Rolim de Moura, no estado de Rondônia.
Farei um caminho um pouco diferente: sairei pela Dutra; na altura de Eng. Passos entrarei na estrada que leva às estações de águas (Caxambu, São Lourenço, Cambuquira, Lambari), um trecho muito sinuoso e em serra. Andarei em um trecho da Fernão Dias até Perdões, quando seguirei passando por Formiga e Arcos até chegar à BR 262. Uma vez na BR 262 irei em direção ao triângulo mineiro, passando por Araxá e Uberlândia. Seguirei pela BR 452 passando por Itumbiara (GO), Rio Verde (GO) e Jataí (GO). A partir desse ponto a estrada será a BR 364, que cruza os estados de Mato Grosso (do norte) e Rondônia, e leva ao Acre. É a principal (e única) ligação dos estados do oeste com o restante do país
Em Mato Grosso passarei por Rondonópolis, Cuiabá, Cáceres e Pontes e Lacerda, entrando em Rondônia pela cidade de Vilhena, considerada o portal da amazônia oeste. Em Rondônia, após Vilhena virão Pimenta Bueno e, finalmente Rolim de Moura, após cerca de 3.500 km rodados a partir do Rio de Janeiro. Viagem para ninguém botar defeito! E ainda tem a volta!
O que mais me preocupa são as chuvas, muito intensas nesta época do ano, e que deverão me acompanhar e me atormentar por toda a viagem. Há que  tomar cuidado, com a pouca visibilidade, com estado das pistas e, principalmente, com os caminhões, os maiores causadores de acidentes em nossas tão combalidas rodovias.
Esqueci de dizer, farei a viagem com a XT 660R, que é uma moto robusta e confortável, apesar de lhe faltar um pouco de potência. Como não tenho pressa...
                                           XT 660R e a chuva!

domingo, 11 de novembro de 2012

Salão da Motocicleta 2012



Viajei a São Paulo no dia 8 de novembro (quinta feira) para ir  ao Salão da Motocicleta, a fim de observar as novidades do setor. Viagem tranquila, a Dutra é uma verdadeira avenida de 400 km entre as 2 maiores e mais importantes cidades do país, sempre muito movimentada, porém com asfalto em boas condições, sinalizada e administrada com competência pela concessionária Nova Dutra, do grupo CCR.
O salão foi muito fraco, e nem de longe representa a efervescência do mercado brasileiro de motocicletas. Apenas Honda, Yamaha e Harley estavam representadas pelos fabricantes, mas em todas as motos expostas havia o antipático aviso "é proibido sentar", exceto nas Yamaha. A Kawasaki estava presente, porém através de um revendedor, assim como outras marcas menores. Havia muitos stands de empresas chinesas com atendentes que mal falavam português. Havia também stands de lojistas vendendo roupas e coisas ligadas ao motociclismo. A Suzuki nem estava presente. Poucos visitantes e nenhuma novidade. Cabe aqui um esclarecimento: o salão representativo do setor é o "Salão das Duas Rodas", que ocorre a cada 2 anos, com a presença de todos os fabricantes, onde são exibidos os lançamentos de novos modelos de motos e as novidades em acessórios. O Salão da Motocicleta nasceu como uma feira somente para negócios entre lojistas e profissionais da área, posteriormente foi estendida também ao público, mas não vale  nem o preço do ingresso, que é de R$ 30,00 por pessoa.

O destaque foi o stand da Yamaha, que, além de apresentar todos os modelos atualmente fabricados e comercializados no Brasil, trouxe uma coleção de todas as motos  que circularam em nossas ruas nos anos  70, antes da proibição das importações, verdadeiras preciosidades. Os exemplares estavam em estado impecável, como se houvessem saído da fábrica recentemente. Havia RD 350, XS 650, TX 500 e muitos outros modelos, não senti falta de nenhuma clássica da marca.

                                           Família Ténéré (1200, 660 e 250)
                                       








Honda Transalp e Honda NC 700

O melhor da viagem foi após a visita ao salão, um sensacional churrasco preparado pelo amigo Ricardo em Diadema. Além de frango, linguiça, queijo assado e pão de alho, saboreamos a deliciosa costela ao bafo, que é sua especialidade. Desta vez, a costela estava melhor do que das vezes anteriores. Foi um grande prazer também encontrar colegas que não via há tempos, e poder com eles confraternizar, conversar e rir bastante.








No dia seguinte, passei na boca das motos pela manhã para comprar algumas coisas que necessitava e peguei a estrada de volta ao Rio.
Dois dias cansativos, porém agradáveis e muito proveitosos.