domingo, 16 de junho de 2013

A pintura continua...

Avancei mais um pouco na pintura do quadro da Honda CB 500 Four. Após terminar o lixamento e aplicação da tinta base,  iniciei a pintura de acabamento. A secagem é lenta, não foi possível terminar dentro do tempo disponível, e a tinta, após seca, apresenta maior brilho que a pintura original. Até gostei do efeito, realça as partes aparentes do chassis, apesar da cor preta.

                                          Quadro com a tinta base anticorrosiva (cinza)

Quadro parcialmente pintado com a tinta de acabamento (preta)


Já comprei alguns parafusos para substituir os que apresentam a rosca desgastada, e ainda falta sacar um dos parafusos de fixação do motor de partida, que encontra-se quebrado dentro do bloco do motor. Estou aproveitando para revisar e substituir as peças que estiverem no fim de sua vida útil, quero que a moto esteja sempre confiável e pronta para o que der e vier. O pneu dianteiro foi trocado, o traseiro ainda roda bastante. Não pretendo mexer na parte elétrica e no sistema de carga da bateria, que é o original de fábrica e tem funcionado muito bem.

Leitura de fim de tarde: testes e avaliações de motos antigas

sábado, 8 de junho de 2013

Desmontagem da Honda CB 500 Four

Decidi dar uma repintura no chassis da CB 500, que apresenta diversas marcas do tempo, como manchas devido à solução da bateria, alguns riscos e partes com a pintura desgastada devido ao contato com cabos de comando; a pintura é ainda a original de fábrica, de 1975! Para isso é necessário retirar o motor do quadro, a fim de que o mesmo (quadro) possa ser lixado, ter sua superfície preparada e ser, enfim, repintado. Usarei a mesma tonalidade original, que é o preto brilhante, apesar de que eu gostaria de pintá-lo de outra cor que ao mesmo tempo combinasse e contrastasse com a pintura da moto (dourada com preto).
O motor é bem pesado, e eu não dispunha das ferramentas adequadas em Rio Claro, o que me deu um pouco mais de trabalho, mas consegui retirar todo o conjunto motriz do quadro, que foi desengordurado com querosene e depois lavado com jato de alta pressão.
Já  lixei o quadro e apliquei a primeira demão da tinta de base. Na próxima vez que for a Rio Claro aplicarei a segunda demão da base e em seguida iniciarei a pintura. Vou aproveitar para trocar alguns parafusos e retirar 2 prisioneiros quebrados, um no motor de partida e outro no bloco. Talvez também aproveite para cromar algumas partes e substitua peças que apresentam desgaste. Esta moto está comigo há mais de 10 anos e esta é a primeira vez que lhe dou a atenção que ela merece!
Vai ficar como nova!
                                          O motor já retirado

                                           Lavagem do chassis

                                          Conseguirei montá-la novamente?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ponta Grossa - PR

Fui convidado para um churrasco de confraternização de jipeiros em Ponta Grossa - PR. Uma boa oportunidade para colocar a moto na estrada. Conversei com o Anderson, ex-colega de trabalho, que topou a aventura. Pronto, já estava formada a equipe! O churrasco ocorreria no dia 1º de junho, um sábado, após o feriado de 30 de maio, Corpus Christi.
Saí de Rio Claro com a XT 660R às 7:30 h do dia 30 de maio, um feriado de quinta feira. Estava frio, houvera chovido bastante durante a noite e a pista estava molhada, o que recomendava cautela e baixa velocidade na sinuosa RJ 155 até chegar à rod. Presidente Dutra na altura de Barra Mansa. Segui pela Dutra até o Graal Embaixador, no km 299 - Resende.
O Anderson, por sua vez, saiu do Rio às 6:45 h em sua Fazer 250. Encontramo-nos no Graal, tomamos um café com calma e seguimos com velocidade entre 110 e 130 km/h. Em Taubaté pegamos a rod. Carvalho Pinto e paramos para almoçar no posto BR em Itaquaquecetuba. As estradas estavam muito cheias de carros devido ao feriado prolongado, e havia muitas motos viajando, em ambos os sentidos das estradas.
Entramos em São Paulo pela marginal do Tietê, percorremos um trecho da rod. dos Bandeirantes, pegamos o rodoanel e chegamos à rod. Régis Bittencourt, que leva a Curitiba.
Na serra do cafezal, na Régis, um enorme congestionamento, com mais de 40 km. Mesmo de moto foi difícil passar, tivemos que nos espremer entre os caminhões, andar pelos acostamentos e até nas pistas exclusivas para resgate, ainda assim levamos mais de 1 hora para cruzar os 30 km da serra. Os caminhões e carros devem ter levado de 3 a 4 horas para percorrer a mesma distância. Um absurdo que já deveria ter sido resolvido há muito tempo, com a duplicação da serra.
Após a serra, nova parada para abastecer e lanchar no " O Fazendeiro". Não tínhamos pressa, a viagem era um agradável passeio.
Anoiteceu e continuamos andando bem, rodamos mais de 2 horas à noite. Após subir a serra do azeite, já no escuro, o frio aumentou, mas só fomos parar no posto "Tio Doca", a cerca de 65 km de Curitiba, onde há um hotel simples para caminhoneiros e viajantes. Era hora de parar para dormir, a temperatura era de 8 graus.
Só conseguimos um quarto sem banheiro, mas não havia escolha, era pegar ou largar.
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No dia seguinte, 31 de maio - sexta feira, partimos por volta das 9:00 h e descemos a serra da Graciosa, em direção a Morretes, onde passeamos pelas ruas da cidade e saboreamos um barreado como almoço, comida típica local.
                                          Na serra da Graciosa

                                         Morretes - rio Nhundiaquara

                                                  Morretes - catedral

                                          Morretes - hotel Nhundiaquara

     Morretes - vista parcial

Constatei que minha câmera fotográfica não estava funcionando, danificou-se provavelmente durante a viagem. Uma pena, teremos que nos contentar somente com as fotos sofríveis dos celulares! Como a máquina faz falta!
Após o almoço em Morretes, subimos a serra pela BR 277. Contornamos Curitiba e continuamos em direção a Ponta Grossa, onde chegamos às 15:30 h após ótima viagem.
Passamos na FASFPAR, conversamos com o Joel e os empregados da fábrica, tomamos um ótimo café com pão fresco e rumamos para o hotel Maciel, onde me hospedei. Anderson ficou na casa dos sogros.
Às 19:00 h o Anderson passou no hotel e saímos de moto com temperatura bem baixa. Primeiro fomos na casa de Lori e Helen, amigos dele; batemos um bom papo sobre motos regado a cerveja.
Em seguida, fomos para a casa do Carlinhos e Márcia, cunhados do Anderson, para um churrasco familiar, onde o único "intruso" era eu! Estavam presentes irmãos, cunhados, sobrinhos, primos e pais da Rafaela (esposa do Anderson), em um ambiente alegre e descontraído.
Às 24:00 h o Anderson acompanhou-me em sua moto até o hotel, pois eu não saberia retornar sozinho.
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Acordei às 7:00 h do dia 1º de junho de 2013, um sábado. Tomei café da manhã no hotel e caminhei até o centro de Ponta Grossa.  Levei 1:40 h para ir e retornar ao hotel. Saí novamente a pé até o shopping Palladium (mais 30 min), onde almocei um sanduíche. O retorno ao hotel consumiu mais 30 min. Precisava preencher o dia, pois os jipeiros chegariam à FASFPAR às 17:00 h, e as caminhadas vieram a calhar, apesar de cansativas, pois Ponta Grossa é construída sobre colinas, há muitas ladeiras.
                                          Ponta Grossa - antiga estação ferroviária

                                          Ponta Grossa

                                          Ponta Grossa - catedral em estilo e gosto duvidosos

                                          centro de Ponta Grossa, destacando-se a catedral

                                          Acordar em Ponta Grossa!
Fui para a FASFPAR para o churrasco às 17:00 h, mas os jipes e sua tripulação só chegaram às 22:00 h. O   churrasco estava ótimo, havia muita gente, teve carne de vaca e de carneiro, linguiça e bebidas à vontade. Foi montada uma grande recepção para o Ricardo e seus amigos. Fiquei na fábrica até as 24:00 h, quando voltei ao hotel, pois teria que acordar cedo no dia seguinte para retornar.
                                 GE, Ricardo e Joel

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Às 7:15 h do domingo, 2/6/2013, eu e Anderson partimos da portaria do hotel Maciel em direção ao Rio. Chovera muito durante a noite e a madrugada, mas pela manhã apenas chuviscava, porém fazia frio e as ruas e estradas estavam bem molhadas e escorregadias.
A fim de evitar o insano trânsito na serra do cafezal e o retorno dos paulistanos do feriadão, optamos por um caminho alternativo, que desviaria da Régis Bittencourt e da capital paulista, passando por Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Sengés, Itararé, Capão Bonito, Itapetininga, Tatuí, Tietê, Itapeva e Campinas. Esta decisão se mostrou acertada, pois rodamos por estradas vazias e boas.
Logo após sairmos de Ponta Grossa a chuva caiu forte. Mesmo com o frio e as pistas encharcadas andamos bem, sempre com cuidado e sem fazer loucuras.
                                  Anderson e eu na estrada, durante um abastecimento

No final da SP 101, na altura de Tatuí, pensamos em alterar o roteiro e passar por São Paulo, pegando a rod. Castelo Branco (SP 280). A mais de 100 km de São Paulo, a Castelo já estava congestionada de veículos! Desistimos na hora e retornamos às estradas estaduais secundárias, todas em bom estado. E a chuva continuava...
Almoçamos às 14:30 h na rod. Dom Pedro I no contorno de Campinas, após já haver rodado mais de 500 km, e continuamos na Dom Pedro I por mais 145 km até Jacareí, na Dutra, onde já chegamos à noite. A Dutra estava bem cheia, mas evitamos o caos de chegar à marginal do Tietê e cruzá-la.
                                           Almoço no Frango Assado da Dom Pedro I 

Mais adiante na Dutra, paramos em Floriano, onde nos despedimos: eu iria para Rio Claro e o Anderson seguiria até o Rio. E nada de a chuva parar ou dar uma trégua!
Cheguei em Rio Claro às 21:30 h, após 14 horas  e mais de 1.000 km de viagem sob chuva e com os pés  encharcados desde o primeiro momento.  O Anderson chegou em sua casa 1 hora depois.
Apesar da chuva, do frio e de viajar mais de 4 horas à noite (o que não gosto e evito ao máximo), a volta foi uma boa viagem. As motos nos conduziram sem qualquer problema mecânico e a companhia foi ótima.
Que venham outras viagens como esta!

domingo, 12 de maio de 2013

Bolívia - balanço final


A viagem de 9 dias pela Bolívia estilo “mochileiro” foi altamente proveitosa e agradável, e já considero empreender outras do mesmo tipo para outros países.
Gastei pouco, conheci muito e descobri uma forma de viajar barata e com grande interação com o povo local e com outros estrangeiros aventureiros como eu.
Fazendo o balanço final de gastos, fiquei impressionado como foi barata a viagem! Excetuando-se o trecho aéreo Brasil – Bolívia – Brasil, o qual também nada me custou, pois utilizei milhas de um programa de fidelidade que possuo, o custo total da viagem foi de apenas US$ 450!
Estão incluídos neste valor todos os pernoites em hotéis, todas as refeições e lanches, ingressos em museus e atrações, trechos aéreos dentro da Bolívia (passagens aéreas), trechos terrestres (passagens de ônibus, vans e taxis), taxas aeroportuárias e de terminais rodoviários, o passeio de 1 dia pelo Salar de Uyuni, gorjetas, compras e todos os extras. Foi barato demais, e não economizei em comida nem em hotéis! É certo que a Bolívia é o país mais barato da América do Sul, mas eu esperava gastar ao menos US$ 1.000! Este custo é absolutamente correto, pois cheguei em Santa Cruz com 1.000 dólares no bolso, e cheguei de volta ao Brasil com 550 dólares, sem haver utilizado qualquer cartão de crédito!
Conheci Sucre com detalhes (e gostei demais), curti Potosi e andei pelo Salar de Uyuni. De quebra, ainda circulei por Santa Cruz, apesar de não haver grandes atrativos na cidade.

                                           Santa Cruz de la Sierra - centro

                                                 
                                           Sucre - Plaza 25 de mayo

                                          Potosi, com o Cerro Rico ao fundo

                                          Uyuni

                                           Isla del Pesacado, no Salar de Uyuni

Poucas pessoas que se aventuram pelos altiplanos bolivianos têm condições de conhecer tão bem as cidades e locais onde estive. As fotos que trouxe na bagagem são um pequeno testemunho do que vi e vivi na Bolívia, um dos países mais pobres, porém mais instigantes da América do Sul, devido à sua beleza rústica e ao seu povo, uma mescla de europeus e indígenas, muito receptivo e amigo.
Hasta la vista!










Sucre, vista da igreja e colégio São Felipe

terça-feira, 30 de abril de 2013

Santa Cruz de la Sierra e retorno ao Rio de Janeiro


Tomei café em um mercado próximo, pois esqueci de programar meu “desayuno” ontem à noite. Aproveitei e comprei algumas coisas para comer ao longo do dia, pois provavelmente não almoçarei, devido ao horário do meu vôo. Me sinto perfeitamente integrado aos costumes do país, inclusive considerando as diferenças culturais entre regiões distintas, mas sinto falta de dominar totalmente o idioma espanhol; não que isto seja empecilho para alguma coisa, mas gostaria de falar e escrever tão bem quanto os latinos. É certo que consigo manter uma conversa de horas sobre qualquer assunto com bolivianos, argentinos, espanhóis, chilenos  ou colombianos, mas quero mais, quero que nem percebam que sou estrangeiro! Vou me empenhar nisto durante o próximo ano.
Fui de ônibus, que na verdade é um lotação, ao centro de Santa Cruz. Seria bonito se fosse mais preservado. Atualmente, o centro da cidade é um verdadeiro balaio de gatos, que mistura novo, antigo, supermoderno, lojas de grife em prédios decadentes e lojas de artigos populares em prédios reformados ou modernos. O que pude depreender de tudo o que vi, é que as famosas arcadas, marca registrada da colonização espanhola, estão presentes em toda a parte, nas suas mais diferentes formas, em diferentes estilos de prédios e também em alvenaria ou madeira. É uma coisa bonita, mas a mistura de estilos de arcos acaba sendo algo um tanto grotesco. A praça central, antiga praça de armas, é grande, arborizada e possui uma igreja imponente, que imagino ser a catedral.









                                           Voltando ao hotel, de ônibus

Voltei ao hotel também de ônibus, tive um pouco de dificuldade para descobrir que ônibus passava em meu bairro e também onde toma-lo, mas tudo deu certo. Desnecessário dizer que o centro da cidade, de arquitetura antiga, nada tem a ver com o bairro onde se situa meu hotel. Santa Cruz é uma típica cidade grande.

A Bolívia é um país burocrático por excelência. Tudo é complicado;  para tudo é necessário o preenchimento de diversos formulários e passar por diversos balcões. Vejam o exemplo do embarque para o Brasil no aeroporto internacional de Santa Cruz de la Sierra: antes do check in deve-se mostrar o passaporte com o carimbo de entrada e a tarjeta verde preenchida com o carimbo de entrada a um agente; o agente entrega um formulário que deve ser preenchido e entregue no check in; depois, é feito o check in; em seguida paga-se uma taxa aeroportuária em outro balcão (US$ 25), e dirigimo-nos à entrada para o embarque, tendo que apresentar novamente os cartões e o comprovante do pagamento da taxa; passa-se a bagagem pelo raio X e somos encaminhados à imigração, uma fila quilométrica; na imigração, recolhem a tarjeta verde, fazem algumas perguntas e carimbam o passaporte com a saída; em seguida, passa-se ao controle do narcotráfico, onde as bagagens são novamente abertas, inspecionadas minuciosamente, o passaporte é examinado e novas perguntas são feitas; somos novamente revistados (manualmente, com apalpação) e encaminhados para o embarque, onde todos os documentos anteriores têm que ser novamente apresentados. Como se tudo isto impedisse o narcotráfico, o contrabando e a corrupção! Quanto mais subdesenvolvido o país, mais burocracia e mais corrupção, é fato.

Finalmente conseguimos embarcar e o vôo saiu no horário, aliás, justiça seja feita, todos os vôos dentro da Bolívia cumpriram religiosamente os horários de partida e chegada. Isto, o Brasil precisa aprender com os bolivianos!
O vôo foi tranquilo, e chegou no Brasil, em Guarulhos, no horário. Aí iniciaram-se as mazelas brasileiras: o avião estacionou às 17:15 h, mas tivemos que esperar dentro do próprio avião até as 17:50 h (50 min) para que trouxessem escada e enviassem ônibus, pois o estacionamento foi em uma área remota. Às 18:05 h (mais 15 min) chegamos ao terminal, onde perdemos mais 25 min na fila da imigração, pois só havia 2 agentes para atender a mais de 100 pessoas. Depois chegaram mais 5 agentes e a fila andou. Tive que retirar a bagagem e redespachá-la, perdendo mais 10 min. Resumo: entre o estacionamento do avião e a chegada à sala de embarque da conexão, foram 100 min, ou seja, 1 hora e 40 minutos, um absurdo total. Este é o nosso Brasil! E querem fazer copa do mundo e olimpíadas por aqui! Deve ser uma olimPIADA!
E tem mais: na Bolívia, nos aeroportos de La Paz e Viru Viru, a internet era gratuita e excelente (rápida e estável). Fui tentar me conectar em Guarulhos e tive que fazer um extenso cadastro, com nome, telefone, e mail, CPF e até CEP, e, quando termino o cadastro, uma mensagem diz que ocorreu um erro e eu teria que recadastrar-me. Recadastrei-me, mas ocorreu outro erro, e desisti. Este é o Brasil, este é o legado da Infraero, uma das empresas estatais mais ineficientes e incapazes! Viva o Brasil! Quem gosta, que o compre! Quase estou com saudades da Bolívia!
Finalmente, após mais um vôo de 40 min, cheguei ao Rio.
Valeu toda a aventura de percorrer a região mais interessante da Bolívia, que são os altiplanos, como um mochileiro. As cidades que visitei e as coisas que vi foram incríveis, estarão para sempre em minha lembrança.
Farei um balanço completo da viagem, inclusive com os custos. Aguardem!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Santa Cruz de la Sierra


Saí de Uyuni às 8:00 h em direção ao aeroporto da cidade com temperatura de 8 ºC. Após fazer o check in, passa-se por uma revista com abertura de toda a bagagem, pois não há raios X neste aeroporto. Quem era o agente que revistava as bagagens? O mesmo garçon que me serviu ontem e anteontem no restaurante onde saboreei ótimas pizzas!! Anteontem não deixei gorjeta, mas ontem dei-lhe 10 Bls e disse que a pizza estava muito boa. Não é que no aeroporto, ao revistar minhas bagagens, ele perguntou se a pizza estava boa mesmo!! Ele não abriu minha mochila nem a mala de mão e mandou-me seguir em frente!
Quando o avião chegou, era um velho Fokker bimotor que eu não via há tempos. Era como um cú: feio por fora e apertado por dentro! Fez muito esforço para decolar, mas foi um bom vôo, levou 1:20 h até La Paz. O avião voava a baixa altitude, aliás, voava a uma altitude normal, cerca de 4.500 a 5.000 m, o problema é que decolou de um local (Uyuni) que já está a 3.650 m. O avião não tinha banheiros nem porta separando os pilotos dos passageiros. As poltronas não reclinavam e havia algumas com a almofada solta. Não foi feito nem o briefing de segurança.

O avião que fez o trecho Uyuni - La Paz




Aterrissamos em La Paz no aeroporto militar, tive que pegar uma van até o aeroporto internacional, de onde sairia o vôo seguinte, para Santa Cruz. No aeroporto de La Paz fiquei sabendo que o bloqueio das estradas continua, ou seja, se estivesse parado esperando algo acontecer, ainda estaria em Sucre! Como diz o ditado, cobra que não se vira, não engole sapo!
O vôo seguinte, foi feito em um avião com mais de 40 anos de idade, o Boeing 727, que riscou os céus do Brasil por muito tempo através da Varig e da Transbrasil, ambas empresas já finadas. Este avião foi aposentado para linhas comerciais no Brasil há cerca de 30 anos. Pousamos em Cochabamba, o que é sempre emocionante, pois há montanhas por todos os lados. Apesar da idade, é um avião estável e extremamente silencioso em seu interior, devido à localização das turbinas, junto à cauda.
Mais um trecho de vôo e chegamos a Santa Cruz de la Sierra, porém o avião não pousou no aeroporto internacional de Viru Viru, e sim no aeroporto El Trompillo, o antigo aeroporto da cidade.
Como sou um pouco saudosista, me agrada a maneira de viajar de avião na Bolívia: embarca-se e desembarca-se atravessando a pé pela pista até o avião, utiliza-se as duas portas do mesmo e sobe-se e desce-se pela escada, o que considero um charme, me lembra Casablanca. Em nenhum aeroporto havia “finger”. Gostei, que continue assim por muito tempo!
Em Santa Cruz (El Trompillo) tomei um taxi e, mesmo sem reserva, fui direto para o hotel onde ficara na ida,  que tanto me agradou. Havia apartamentos livres, e, assim, hospedei-me novamente no Premium Suites Apart Hotel, um hotel excelente, com sala, quarto ,cozinha e banheiro, tudo muito novo e de bom gosto, em um bairro nobre.
                                          No hotel em Santa Cruz

Santa Cruz é tão diferente das demais cidades por onde andei, todas no altiplano, que parece que cheguei a outro país. Carros modernos e luxuosos enchendo as ruas, casas modernas, construções novas, avenidas largas e os costumes do povo, que em nada se assemelham aos costumes e tradições daqueles que vivem nos altiplanos. Nem é preciso dizer que o relevo e a topografia são totalmente diversos. Eu sempre digo que não é uma cidade representativa da Bolívia. Quem só a conhece, jamais pode dizer que conhece a Bolívia.
O jantar foi a refeição mais cara de toda a viagem, e só pedi uma pizza, uma taça de vinho e uma água mineral sem gás. 
Se tudo continuar dando certo, amanhã jantarei em casa!

domingo, 28 de abril de 2013

Salar de Uyuni




Após tomar um café no hotel, saí pelas ruas para aproveitar a luz da manhã e tirar algumas fotos. Fazia 9 ºC, um frio de rachar, acho que a baixa umidade e a falta de oxigênio acentuam a sensação.
Chegando na esquina do hotel onde estou, quem encontro? Aparecido e Gabriela! Chegaram ontem à noite em Uyuni após uma verdadeira epopeia: Aparecido perdeu o passaporte e dólares ainda em Sucre, conseguiram sair de avião para La Paz, onde perderam um dia para conseguir novo passaporte e documentos na embaixada brasileira, e de lá (La Paz) fizeram uma viagem de 13 horas de ônibus para Uyuni, chegando aqui ontem à noite. Trocamos e-mails durante estes dias desde Sucre, e foi uma ótima surpresa encontrá-los novamente. Ambos vamos para o Salar, só que eles farão o passeio de 3 dias e seguirão para San Pedro de Atacama e eu retornarei a Uyuni. Uma coisa bizarra, é que, com 9 ºC de temperatura, eu estava vestido com uma camisa de manga comprida, um casaco de lã e um casacão por cima, a Gabriela toda encapotada e com cachecol e o Aparecido vestia uma camiseta de mangas curtas! Como ele consegue, se mesmo os habitantes locais estão encapotados e ainda com luvas e gorros?

Comprei 2 garrafas pequenas de água, biscoitos cream cracker, um iogurte e um pacote de MM para levar ao tour; coloquei tudo em uma sacola junto com protetor solar, óculos escuros e uma camiseta e lá fui eu rumo ao salar de Uyuni, uma das maravilhas (a primeira, segundo os bolivianos) do mundo moderno.
A primeira coisa  visitada foi o cemitério de trens, onde diversas locomotivas, vagões e partes avulsas de trem descansam em paz. Hoje são apenas sucatas, mas algum dia serviram às pessoas e acabaram sendo trazidas justamente para Uyuni e abandonadas à própria sorte neste cemitério. Pelo que vi, todas as locomotivas eram a vapor, as chamadas “Maria Fumaça”, e todas eram inglesas.








Em seguida, tomamos a direção do salar e paramos no pequeno povoado de Colchani, onde parte do sal é processada e onde os indígenas mantém uma feirinha de venda de todo tipo de artesanato, com destaque para as peças feitas de sal.
                                          Artesanato de sal em Colchani

A partir de Colchani adentramos o salar, que é uma maravilha da natureza, aquela imensidão de 12.000 km2, um verdadeiro oceano de sal. Paramos no Hotel de Sal, um hotel totalmente construído com blocos de sal, que hoje está desativado e funciona apenas como restaurante e museu. Nesta parada fizemos uma refeição trazida no carro que nos conduzia, à base de frango assado, arroz, salada de tomate e pepinos e tangerina de sobremesa, acompanhada por Coca Cola.




                                          Salar de Uyuni

                                           Hotel de Sal

                                          Almoçando no salar, junto ao hotel de sal

Tanto no cemitério de trens, como no Hotel de Sal, encontrei novamente com Gabriela e Aparecido, que estavam em uma excursão de 3 dias que os levaria a Laguna Colorada e depois a San Pedro de Atacama, no Chile.
Voltamos ao nosso 4X4 (Toyota Land Cruiser) e seguimos mais 75 km dentro do Salar em direção à Ilha do Pescado, ou Inca Huasi (casa do Inca). O carro andava a 125 km/h naquela planície branca e rodou assim por 45 minutos, o que confirma a enorme extensão do salar. Como eu sempre digo que o deserto é implacável e não perdoa erros, digo o mesmo do salar. Primeiro, porque é muito fácil perder-se uma vez que toda a paisagem é igual, depois, porque o sol, a claridade e durante a noite o frio, são terríveis. Ainda assim, é uma coisa linda e indescritível, merece ser visitada.
A ilha do pescado é um oásis no salar. É uma ilha mesmo, como se o salar fosse um mar. Na ilha florescem cactos gigantes que crescem 1 cm ao ano, e alguns possuem mais de 10 m de altura. Dá para calcular a idade! No sal, não há vida, nada floresce e nenhuma forma de vida sobrevive, porém na ilha há vegetação, cactos, pequenos animais (um tipo de rato do mato) e, periodicamente, aves.


                                          GE, Ariel e Adrián na isla del pescado (Inca Huasi)





Adrián, Ariel e GE na isla del pescado, no salar

Percorremos toda a ilha até o seu ponto mais alto de onde se tem uma visão de 360º de toda a imensidão do salar de Uyuni, sem, no entanto, avistarmos suas bordas.
                                           Isla del Pescado

                                       
Retornamos a Uyuni, onde chegamos às 17 h, satisfeitos com tudo o que vimos.
Conheci na excursão dois argentinos que estão viajando de moto (Interceptor 650 e Falcon NX4), Adrián e Ariel. Conversamos o tempo todo sobre as viagens de moto e trocamos e-mails. Quem sabe algum dia não estaremos juntos na estrada? Convidei-os a visitar o Rio e a fazer uma viagem pelo Brasil.
Ao sair para jantar com os termômetros marcando 7ºC, encontrei novamente com Adrián e Ariel, e fomos comer uma pizza juntos. Conversamos bastante, e às 21:00 h nos recolhemos aos nossos hotéis. Amanhã, todos seguiremos viagem, eu para Santa Cruz e eles para  a Argentina, ingressando pela fronteira Villazón/La Quiaca.
O dia foi fantástico, fechou a viagem com chave de outro!