quarta-feira, 8 de março de 2017

Chile norte a sul - 11º dia - Chillán a Pucon

Terça-feira, 7 de março de 2017

Após conversar bastante com o proprietário da loja vizinha ao hotel em Chillan, que possui uma Honda Sabre 750 há 20 anos, saímos às 9:30 h com temperatura de 13 ºC .  Pegamos a estrada que leva a Concepcion, no litoral, sinuosa  com aclives e declives, que cruza uma floresta de ciprestes durante toda a sua extensão de cerca de 130 km.
                                  Estrada Chillan - Concepcion - boa e agradável

Rumamos para Lota, nossa intenção era conhecer a mina Chiflon del Diablo, a única mina do mundo sob o oceano Pacífico com ventilação natural.


Trata-se de uma mina de carvão que iniciou suas atividades em 1855 e foi desativada em 1997,
As pessoas que trabalham servindo de guias para os visitantes são antigos mineiros, em sua maioria filhos e netos de mineiros. Descemos 25 m em uma pequena gaiola e percorremos 500 m sob o oceano. É uma coisa impressionante e indescritível, consegui me sentir na posição dos mineiros que passaram suas vidas enfurnados naquele buraco para garantir sua sobrevivência. Se apagarmos a lanterna do capacete, a escuridão é total e absoluta, chega a ser aterrorizante, e, em nenhum momento se consegue ficar em pé, as galerias mais altas têm cerca de 1,40 m, e em algumas temos que andar agachados, a altura não supera os 80 cm. Há uma sessão, chamada comporta 12, onde trabalhavam  meninos de 8 anos de idade. Desumano. porém impressionante!





                                 Saindo da mina

                                 Pulperia - as fichas recebidas como pagamento eram trocadas por comida

A partir de Lota andamos por diversas estradas secundárias. com muitas curvas. Entramos em Curanilahue para abastecer e aproveitamos para almoçar em um pequeno restaurante de comida caseira. pois já eram 14 h. Local simples. mas era o que havia. eu, que detesto aves, encarei metade de um frango assado!
                                   Almoço em Curanilahue

Seguimos por estradas secundárias muito sinuosas e que não permitiam altas velocidades, porém eram ricas em vegetação a apresentavam alguns lagos, bem diferente do deserto que cruzamos durante alguns dias!
                                 Paisagens agradáveis 


Chegamos de volta à ruta 5 em Temuco, quase às 19;00 h, logo escureceria e ainda estávamos longe do nosso destino. Tomamos café em um posto e seguimos em ritmo forte, pois não queríamos viajar à noite.
Passamos por Villarica e chegamos a Pucón, nosso destino planejado para hoje, às 21 h.
Ficamos em um hostel pertencente a franceses, bem transado e agradável, mas o quarto é com cama de casal! Era o que havia, por hoje está bom, amanhã resolveremos isto!
Às 22:00 h jantamos um sanduíche no Subway, completamente exaustos, mas satisfeitos com o dia intenso e proveitoso.
A moto tem se mostrado uma guerreira incansável. Nada de errado aconteceu, nem sequer uma lâmpada queimada ou um parafuso frouxo, apenas está imunda! Só fazemos colocar gasolina e exigir dela desempenho, confiabilidade e segurança. E ela corresponde!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Chile norte a sul - 10ºdia - Atravessando o vale central

Estava frio pela manhã, 13 ºC! Está clareando tarde, por volta das 7:30 h. Saímos de Los Vilos às 9:00 h, sob céu totalmente azul e um pouco de frio. O dia foi praticamente de deslocamento, com pouca coisa a relatar, apenas algumas observações.
                                             Hotel em Los Vilos

Sentimos calor sob o sol forte, a temperatura estabilizou em 31 ºC e assim ficou o dia todo.
Após Los Vilos, a paisagem começa a mudar, e vão surgindo as primeiras árvores. O deserto pouco a pouco vai se transformando, as rochas e morros de areia e pedra vão dando lugar a arbustos, mas o terreno continua árido.
Atravessamos Santiago literalmente de norte a sul através de uma via expressa com trânsito intenso e pesado, foram 40 km dentro da cidade, percorridos com muito cuidado. Passado este trecho crítico, paramos para almoçar em um Mc Donald’s na estrada (ruta 5) e continuamos em direção ao sul. Começaram a surgir áreas cultiváveis a algum gado, o deserto estava ficando para trás.
Fizemos diversas paradas para abastecimento e café, e não tínhamos pressa para retornar à estrada. Somente após Linares a paisagem mudou radicalmente: árvores frondosas à beira da estrada, muitas plantações, irrigações e bastante verde.

                                 Atravessando Santiago


Fomos seguindo pela ruta 5 até a cidade de Chillán, que elegemos para passar a noite. Chegamos às 18 h, arranjamos um hotel razoável, tomamos banho e saímos para ver a cidade, aproveitando a claridade do final da tarde. Acabamos jantando um pizza com vinho (chileno, é claro!) e retornamos ao hotel após as 22:00 h.
                                     Praça de armas de Chillán

                                   Catedral de Chillán - inusitada!


A estrada é boa, mas não tem grandes atrativos, é uma via de ligação entre o norte e o sul do país, e faz isto muito bem e com competência: é segura, bem sinalizada e possui asfalto perfeito. Há muitos pedágios, até parece o Brasil, mas as semelhanças param por aí. O pedágio vale cada tostão pago, pois a rodovia é impecável e duplicada a partir de Coquimbo. A travessia de Santiago é um exemplo a ser seguido, foi uma obra de primeiro mundo. E já ia esquecendo de dizer, desde que ingressamos na Argentina, não passamos por NENHUM quebra-molas! Nem em travessia de cidades, nem em escolas ou em cruzamentos. Quebra-molas é o maior indicador de sub-desenvolvimento de um país ou estado!

domingo, 5 de março de 2017

Chile norte a sul - 9º dia - ainda no deserto!

Saímos de Chañaral às 8:30 h com temperatura de 20 ºC, que se manteve estável por duas horas. O dia estava lindo, céu totalmente azul e as águas do Oceano Pacífico com uma tonalidade um pouco mais escura que o céu, às vezes tendendo para o verde. Durante 100 km a estrada segue junto ao mar, com o oceano de um lado e o deserto do outro. Do lado do oceano, baías, enseadas, cabos, ilhas e praias, e do lado do deserto um paredão rochoso que em alguns trechos era arenoso. A estrada lembrou-me aquela que liga San Francisco a Los Angeles na Califórnia, que, não por acaso, também corre junto ao oceano Pacífico.
Na altura de Copiapó o tempo repentinamente fechou e a temperatura baixou para 16 ºC, e o vento chegou forte e frio,




Rodamos 300 km sem encontrar postos de abastecimento, e, com a luz da reserva acesa há algum tempo entramos na cidade de Vallenar para abastecer e almoçar. No posto, conhecemos o Lorenzo, uma pessoa sensacional, que conversou conosco, deu-nos informações, indicou-nos um restaurante no centro da cidade e guiou-nos até ele. Quando acabamos de almoçar, ele apareceu novamente  e, gentilmente, conduziu-nos até a estrada. Tanta gentileza e amabilidade não se encontra em qualquer lugar! Trocamos telefones e seguimos nosso caminho, com o vento castigando forte.
                                 GE, Lorenzo e Tiago em Vallenar

                                     Igreja curiosa em Vallenar. Ao lado, o restaurante onde almoçamos

O tempo às vezes fechava e esfriava muito, ficava tudo coberto por uma névoa fria; após algumas dezenas de quilômetros abria novamente e o céu totalmente azul voltava. Constante mesmo foi o vento, que nos incomodou a viagem toda, exigindo cuidado nas curvas e ultrapassagens. A moto dançava de um lado a outro da pista.

                                 Caleta de los Hornos



Após descer a incrível Cuesta Buenos Aires, passamos por La Serena e, mais adiante, entramos na cidade de Coquimbo, para conhecer o Forte Lambert, que fica em uma ponta que avança mar adentro. Valeu a visita, o local é muito bonito. Em frente ao forte, em uma ilha formada por pedras, dezenas de lobos marinhos eram a atração!
                                              Forte Lambert, em Coquimbo

                                    Lobos marinhos em frente ao forte Lambert

                                             Forte Lambert, Coquimbo

Voltamos à ruta 5 e continuamos em direção ao sul, com muito vento, chegando à cidade de Los Vilos, também às margens do oceano Pacífico, às 20:30 h, junto com os últimos raios de sol. Hospedamo-nos e fomos a pé até o centro da cidade, mas a noite não nos permitiu ver muita coisa. Deve ser bem bacana durante o dia, pois fica em uma enseada que é um semi-círculo quase perfeito.
Estávamos bastante cansados do dia intenso e bem aproveitado na estrada, compramos uma macã cada, que foi o nosso jantar.




As paisagens de hoje foram maravilhosas, eu não tinha idéia que o deserto se estendia até o mar. Amanhã deveremos sair do deserto e ingressar no vale central, onde as paisagens são menos "duras", há vegetação e as distâncias sem qualquer povoado ou sinal de vida serão menores. No deserto a distância entre postos de combustível (e cidades) é, em média,  250 km. Não há água , comida ou qualquer estrutura de apoio nesse meio.
Hoje rodamos 760 km em 12 horas, com diversas paradas para fotos, abastecimentos, almoço e lanche.

sábado, 4 de março de 2017

Chile norte a sul - 8º dia - cruzando o deserto


O café da manhã só começava a ser servido no hotel às 8:00 h. Decidimos não esperar, e ganhar tempo de viagem. Desta forma, partimos às 7:30 h em jejum, sob uma temperatura de 10 ºC. Até Calama, a 100 km de distância de San Pedro, a paisagem é lunar e exótica. A temperatura caiu para 7,5 ºC e o vento açoitava forte.
                                           Chegando a Calama, 7,5 ºC!
                                 Ruínas  de uma mina desativada em 1912


Entramos na cidade de Calama para abastecer, pois não havia postos na estrada. Tivemos alguma dificuldade para sair da cidade e pegar a estrada, acabamos sendo "escoltados" por um carro dos Carabineros, que nos indicou o caminho. O engraçado é que os Carabineros estavam em um Dodge Charger novo, e nos mandaram segui-los. Eles aceleravam e nós atrás, e eles foram acelerando cada vez mais para ver se conseguíamos acompanhá-los!
Tomamos a ruta 5 (rodovia Panamericana) no sentido sul, e percorremos mais de 200 km cruzando o deserto, sem passar por qualquer povoado, posto de combustível ou o que quer que fosse. Não havia água, comida ou gasolina!
Abastecemos na localidade de La Negra e aproveitamos para almoçar, pois o próximo posto de combustível estaria 250 km adiante. O restaurante tinha um péssimo aspecto e exalava um cheiro nauseabundo do seu interior, mas era o que havia, era pegar ou largar. Almoçamos e pegamos novamente a estrada.
                                 Deserto do Atacama

                                   Geoglifos na areia

                                  Restaurante na estrada - o único em um raio de 250 km

Paramos na "mão do deserto", famosa escultura nas areias do deserto onde se reunem motoqueiros de todas as tribos. Havia um grupo grande de gente da Malásia com motos BMW e também um grupo que tinha gente do Rio e de Iguaba (região dos lagos). Batemos papo, ganhamos adesivos e fomos nos cruzando ao longo de todo o  percurso, nos postos de gasolina. Amizade de estrada!

                                 Motociclistas na "mão do deserto"

                                           A famosa "Mão do deserto"

O vento estava fortíssimo e nos acompanhou pelos 730 km rodados hoje. Tivemos que andar com muito cuidado, principalmente nas curvas e nas ultrapassagens, pois as rajadas jogavam a moto para o lado repentinamente.
Em Águas Verdes, 250 km depois de La Negra, paramos em um posto, abastecemos e logo seguimos em frente, pois nem café havia! O vento aumentou e começou a esfriar, a temperatura despencou de 34 ºC para 19 ºC em menos de 10 minutos. Tivemos que colocar o forro térmico nos casacos para suportar.



Após descer uma serra lindíssima em meio às formações do deserto, chegamos à cidade de Chañaral, às margens do oceano Pacífico, porém no deserto! Vai entender, cidade do deserto à beira-mar!
A cidade é deliciosa, pequena, agradável e muito bem cuidada. Hospedamo-nos em um hotel bem legal e saímos para dar uma volta a pé e explorar o local. Fomos até a beira do mar e andamos pelas ruas.
                                 Ruta 5, próximo a Chañaral

                                  Chañaral, às margens do oceano Pacífico e sob as montanhas

                                    Oceano Pacífico, em Chañaral

                                    Praça de Chañaral

Jantamos um sanduíche com cervejas e demos por encerrado o dia de hoje, que foi integralmente passado no deserto, com muito vento e temperaturas extremas.
Quem conhece San Pedro de Atacama e proclama que conhece o deserto do Atacama é um mentiroso, pois o deserto é MUITO mais que San Pedro do Atacama. Convido essas pessoas a cruzarem, como nós estamos fazendo, o deserto, desde San Pedro até a região de Santiago, percorrendo cerca de 1.700 km. Aí, sim, poderá dizer que conhece o deserto!