O título desta postagem remete a um livro de Marcelo Rubens Paiva que estourou há uns 30 anos atrás. Não tenho pretensões de ser escritor nem de me comparar ao personagem do livro, mas confesso que me ocorreu a dúvida se o ano de 2014, que hoje se inicia, será realmente melhor do que 2013, ao menos para mim. Vamos aos últimos fatos.
Viajei com a Triumph Explorer para Rio Claro no último dia 28 de dezembro, um sábado quente e ensolarado. Viagem perfeita, apesar das estradas cheias. A moto é potente e confortável, transformando a viagem em prazer.
No domingo, 29 de dezembro, peguei a XT 660R e parti para um passeio à serra da Bocaina. Cruzei a cidade de Bananal, histórica e agradável, e segui pela SP 247, uma pequena estrada que leva ao alto da serra da Bocaina, a um local conhecido como Sertão da Bocaina. O trecho em serra, muito íngreme, é asfaltado, mas muito estreito.
Há trechos em terra, em pavimento autotravante, em rípio e há partes onde é difícil passar até de moto, exigindo que se ande em 1ª marcha.
A estrada é perigosa, porém bonita, a vista das montanhas é repousante e a vegetação e a temperatura no alto da serra parecem nos levar a algum pedacinho da Europa.
Após me dar por satisfeito com o caminho percorrido, desci novamente até Bananal e almocei uma truta. Retornando a Rio Claro, na altura do povoado de Pouso Seco, havia um carro parado na estrada, na pista da direita; quando fui ultrapassá-lo, ele arrancou e entrou repentinamente à esquerda, sem sinalizar. Freei violentamente e a moto chegou a parar, mas o carro continuou entrando à esquerda, esbarrou na moto e derrubou-a em cima de mim. A queda da moto sobre a minha perna esquerda fraturou-a, e me vi caído no asfalto quente das 13:00 h com o pé fazendo um ângulo incomum com a perna e sem poder mover-me.


Moradores do local retiraram a moto de cima de mim, improvisaram um guarda-sol e pedaços de papelão para me proteger do forte sol e chamaram a ambulância do SAMU. A espera foi longa, cerca de 45 min deitado sob o sol à beira da estrada, e fui removido para a Santa Casa de Barra Mansa. Os exames de raios X confirmaram a extensão do que visualmente já se podia diagnosticar: fratura da tíbia e da fíbula, os dois ossos da perna. Aplicaram-me uma forte dose de um analgésico poderoso, imobilizaram minha perna e fiquei em uma maca

no corredor enquanto a equipe médica comandada por um médico jovem e competente tentava me transferir para outro hospital que atendesse pelo meu plano de saúde.
Não cabem aqui os detalhes, mas só às 20:00 h saí de Barra Mansa, e foi de carro com minha irmã Daniela, que foi buscar-me e levou-me a Rio Claro. Passei mal e vomitei a viagem toda, provavelmente devido ao analgésico que recebera em Barra Mansa. Meu filho Willy saiu do Rio, também de carro, para buscar-me em Rio Claro. Nova viagem, desta vez até o Rio, vomitando e passando mal, devido a toda a situação e agravada pelas curvas da estrada, apesar do cuidado com que o Willy conduziu o carro.
Fomos direto para um hospital no Rio de Janeiro, e somente às 3:00 h da madrugada do dia 30 de dezembro, uma segunda feira, cheguei ao hospital Tijutrauma, onde fui internado para aguardar a cirurgia, 14 horas após sofrer o acidente.
Como o plano de saúde ainda não autorizou a compra da prótese metálica, este é o meu 3º dia internado aguardando a tal autorização para poder ser operado e receber a prótese. Passei o réveillon no hospital, apenas ouvindo o espoucar dos fogos ao longe na virada do ano, e aqui continuo até o momento, contanto com a inestimável ajuda e solidariedade de Marise, sem cuja ajuda seria muito mais difícil suportar essa espera angustiante. Tenho tomado medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, o que, ao menos, tem me poupado da dor física, uma vez que a fratura ainda não foi tratada.
Os prognósticos mais otimistas dizem que poderei voltar à vida normal em 6 meses, se tudo der certo. Isto significa uma desaceleração para a qual não estava preparado, e terei de me reprogramar e readaptar. Graças a Deus nada além da perna foi afetado, e dentro de algum tempo voltarei às atividades.
Esta experiência desagradável e o tempo no hospital estão me dando a oportunidade de reaproximação com amigos de infância e de verificar que ainda existe amizade e solidariedade. Agradeço a todas as manifestações e declarações de carinho e solidariedade que tenho recebido nesses momentos difíceis, e também a todas as orações pela minha recuperação e melhora.
Até breve!