quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mucugê e arredores

Pela manhã estava bem frio, tive que esperar para sair às ruas, pois não houvera levado agasalho ou roupa para  tempo frio. Dormi bem, sob uma temperatura agradável (16 ºC).
Tomei café, olhei e-mails e saldo bancário e me lancei para fora da pousada. A moto estava toda molhada, choveu à noite e nem vi! O clima ameno se deve à altitude do lugar, que é de 964 msnm, aliada a um vento constante, que, sob o sol inclemente suaviza a sensação de calor, e à noite nos faz sentir frio.
O dia apresentava-se totalmente encoberto, com eventual garoa de tempos em tempos. Não fazia calor. algum.
Com a moto, fui até o Museu do Garimpo, construído dentro de uma gruta que serviu de moradia a garimpeiros no século XIX. Fiquei conhecendo os processos de extração e lapidação dos diamantes, bem como suas principais características, como cor e pureza. Sou totalmente leigo no assunto.

                                          Museu do Garimpo - Casa dos diamantes
Do museu, fui para o Projeto Sempre Viva, onde conheci a história do garimpo de diamantes na região da chapada. A partir do centro de visitantes do projeto Sempre Viva, peguei uma trilha de 3 km (ida e volta) que leva a 2 cachoeiras, Piabinhas e Tibertino.
                                          Cachoeira Piabinhas
 A primeira, no rio Mucugê, quase não tem água, mas a quantidade de pedras e a largura do leito do rio impressionam. A cachoeira do Tibertino (rio Cumbuca) deve ser bonita se houver água no rio, pois ocorre em uma formação tipo canion. O volume de água nas 2 cachoeiras é tão pequeno, que posso afirmar com certeza que o rio Comprido, pequeno curso de água que atravessa o bairro onde moro, no Rio, apresenta maior volume!  Junto à cachoeira do Tiburtino, há ruínas de casas utilizadas pelos garimpeiros na época da extração de diamantes.
                                          Cachoeira Tibertino
A trilha passa por uma casa típica de garimpeiros (restaurada), mostrando as instalações rudimentares utilizadas por eles na época,  e também as ferramentas e vestimentas utilizadas.



Retornando a Mucugê, visitei o cemitério da cidade, em estilo bizantino, uma curiosa construção sob um morro de pedras.
                                          Cemitério Bizantino - Mucugê
Por volta das 15:00 h as nuvens dissiparam-se um pouco, mostrando nesgas de céu azul e a cara do sol. Aproveitei para pegar a moto e ir conhecer Igatu, um povoado que é um distrito de Andaraí.
A estrada entre Mucugê e Igatu já justifica o passeio. São 16 km de asfalto e 6 de terra. O trecho asfaltado é estreito e sinuoso, mas muito belo. Vai contornando morros pelo alto da chapada, descortinando uma vista das planícies e vales abaixo e montanhas ao longe, formando uma moldura diferente e muito harmônica.

                                          A caminho de Igatu

O trecho de terra, é terrível. Começa bem, com barro batido e pedras soltas por cima. Na maioria do percurso a largura não permite o cruzamento de 2 carros. Qualquer tipo de caminhão é proibido, mesmo porque não conseguiriam passar. Há trechos com areião, e nas rampas e curvas acentuadas há calçamento tipo de pé de moleque, do contrário os carros perderiam tração. A descida para chegar a Igatu é extremamente íngreme, sendo toda calçada com pés de moleque para que os veículos possam trafegar. É necessário andar em 1ª marcha o tempo todo, e, ainda assim, freando. Se eu estivesse com a Bandit passaria aperto, creio que não escaparia de um tombo. Foi tranquilo passar com a XT 660R, pois é a moto adequada a este tipo de terreno.
                                          Subida final para Igatu

Em Igatu, a grande surpresa: é um povoado ainda mais legal que Mucugê. Casario preservado, lojinhas e pousadas transadas e um clima de tranquilidade e, ao mesmo tempo, de alto astral. Apaixonei-me pelo local.
Andei pelas ruas e fui até uma região onde existem muitas casas, todas construídas em pedra, em ruínas. Pertenciam aos antigos garimpeiros, que, com o fim da exploração dos diamantes, as abandonaram e partiram para outras bandas. Uma espécie de Machu Pichu tupiniquim, guardadas as devidas proporções!
Não vou me alongar mais, porém fica o registro de quão interessante é este lugar de acesso difícil e esquecido do mundo, mas que merece ser visitado.
Seguem algumas imagens de Igatu.










Na volta, tive que vencer a ladeira, desta vez subindo, e, mais uma vez, dei graças aos céus por não estar com a Bandit, e sim com a moto certa para a situação. Teria sido difícil e estressante subir com a Bandit, e com a XT venci numa boa, sem medo de tombos. ou sustos.Se por acaso chover, nem de XT!!
                                          "Estrada"

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cheguei a Mucugê, na Chapada Diamantina

Fui tomar café em uma padaria próxima, pois nem isso o hotel tinha. Batia um vento gelado, se eu não olhasse em volta, diria que estava viajando pelo sul do país, bem poderia ser Joinville. Claro, sem olhar em volta, bem entendido!
Peguei a estrada às 7:15 h. O trecho entre Vitória da Conquista e Anagé é interessante: vence uma pequena serra com morros de pedra, o traçado é sinuoso, mas dá para manter boa velocidade. Logo após Anagé, entra-se em uma estrada estreita, sem acostamento, toda em tratamento superficial, mas em bom estado, sem buracos. Este trecho atravessa uma região de caatinga, com a pouca vegetação queimada pelo sol e as árvores secas e retorcidas. Muitas cabeças de gado mortas, vítimas da estiagem e da falta de água e alimento, e os bois que restavam no rebanho estavam magros de fazer pena.

                                          A caatinga

Parei na pequena cidade de Ituaçu, é muito bem cuidada, possui um casario preservado em seu centro. De Ituaçu a Barra da Estiva, novamente pequenas serras com morros e vegetação mais verde. Bonito trecho, curti muito a paisagem.

                                          A Chapada, imponente

Após o cruzamento caótico de Barra da Estiva pelo meio da cidade, a estrada fica reta e já se vê, bem ao longe, as formações que fazem parte da Chapada Diamantina.
Finalmente, pouco antes de chegar a Mucugê, sobe-se uma serra com morros em rocha, uma paisagem incomum pelo nordeste, que é praticamente todo plano, sem relevo marcante.
A cidade de Mucugê tem clima ameno devido à altitude, quase 1.000 msnm, e fica localizada no alto da chapada, em meio a morros. Seu centro é muito bacana, com casario histórico preservado e bem cuidado.
Está difícil conseguir vaga nas pousadas devido ao feriado de 12 de outubro no próximo fim de semana, mas após procurar, encontrei uma pousada bem no centro, com internet e café da  anhã por um preço razoável, só não tem garagem, mas acho que isso não é problema, a cidade parece ser tranquila.
Almocei em um restaurante onde a comida é servida na própria cozinha, dentro das panelas. Comida caseira  e honesta.



                                          Imagens de Mugugê

Andei pelas ruas da cidade apreciando as casas, prédios e arquitetura em geral. Subi em um morro que fica dentro de uma propriedade privada para observar a cidade do alto. Ninguém me importunou.
Há diversas agências que promovem passeios, caminhadas em trilhas e visitas a cachoeiras. Vou ver o que há de interessante para fazer, mas somente amanhã. Hoje quero curtir a cidade.




2º dia na estrada - Cheguei a Vitória da Conquista


Dormi bem no hotel de R$ 25,00. Ainda tive direito a café da manhã e internet gratuita.
Abasteci a moto e às 7:40 h saí do posto de gasolina de Santa Rita de Minas com o tanque cheio. O dia alternou mormaço com pancadas de chuva, peguei 6 dessas pancadas; como não viajei com a roupa de chuva, molhei-me e a roupa secou no corpo diversas vezes durante a jornada de hoje.
Houve, porém, uma chuvarada muito forte e que durou cerca de 20 min. Resultado: acabei encharcado, com calça, meias e até cueca totalmente ensopados.

Parei para almoçar e coloquei meias secas, mas continuei com a calça molhada por todo o dia.
Passei por 3 acidentes na estrada, e fotografei 2 deles. Todos envolviam caminhões, e, no mais grave, uma carreta bateu de frente em um Renault Clio, matando seus 5 ocupantes. O choque foi tão violento que eu só consegui ver as portas do carro, que se soltaram e estavam amarrotadas no acostamento. O restante do automóvel era uma massa de ferragens irreconhecível. Em todos os acidentes, os outros motoristas e moradores das proximidades saem garimpando objetos e coisas de valor dos veículos e de seus ocupantes. Um verdadeiro mundo cão. Só soube que o carro era um Clio porque um desses garimpeiros achou e roubou o emblema do carro com os dizeres "Clio". Nos outros 2 acidentes as carretas tombaram, uma transportava garrafas e a outra côcos, que fizeram a festa dos saqueadores. Até os agentes da PRF recolheram côcos.



Às 17:45 h já estava escurecendo, e eu  me sentia cansado, afinal, no dia de hoje, rodei 640 km durante 10 horas de guidão! Entrei em Vitória da Conquista e arranjei um hotel muito pior que o de ontem, e, ainda por cima, mais caro (R$ 40,00). Nem vou entrar em detalhes, mas este não tem internet nem café da manhã, o vaso sanitário não tem tábua e a higiene... bem, deixa prá lá, estamos na Bahia!
Curioso, mas está fazendo frio em Vitória da Conquista (BA), e eu não trouxe sequer um agasalho. Já estou bem próximo do meu destino final, que é a Chapada Diamantina. Amanhã espero chegar lá.

domingo, 7 de outubro de 2012

Na estrada!


Hoje ,dia de eleições municipais, levantei mais cedo que o normal, apesar de ter ido dormir tarde ontem.
Cumpri com meu dever cívico e votei para eleger o prefeito que governará a cidade do Rio de Janeiro durante  os próximos 4 anos.
Ao voltar da votação coloquei toda a bagagem na XT 660 e às 10:00 h estava saindo do posto de gasolina próximo de casa para mais uma aventura, desta vez rumo à Chapada Diamantina, interior da Bahia.
O caminho natural é a BR 116,  trecho conhecido como Rio-Bahia, e por ela segui. Subi a imponente serra dos órgãos com céu azul e sol forte, parando somente para almoçar em Além Paraíba, na divisa RJ/MG.

Continuei pela BR 116 no estado de Minas, onde o asfalto está em boas condições e a sinalização também. O traçado é bastante sinuoso, o que exige atenção e cuidado. Não havia muito movimento na estrada ,talvez por ser um domingo e também dia de eleição.

Rodei até as 17:00 h e parei em Santa Rita de Minas, uma pequena cidade localizada a cerca de 450 km do Rio. Poderia ter ido além, mas achei de bom tamanho para o primeiro dia, ainda estou testando minha coluna. Não senti dores, foi bem tranquilo rodar estas 7 horas. Mantive uma velocidade em torno de 120 km/h e a moto fez 22 km/litro em todos os abastecimentos. Achei muito bom, pois há uma grande resistência do ar para arrastar os alforjes laterais e o parabrisa grande.
Hospedei-me em um verdadeiro muquifo: um hotel na beira da estrada com lençóis encardidos e toalha mal-cheirosa. O atrativo é o preço: a bagatela de R$ 25,00 o quarto com banheiro!
E assim foi o primeiro dia na estrada. Sem sustos, sobressaltos ou surpresas, como convém!


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Chapada Diamantina - próximo destino

Já estive na Chapada Diamantina em uma viagem de moto (Bandit 1200) em março de 2011, ou seja, há um ano e meio atrás. Na época usei como base a  cidade de Rio de Contas, e fiquei bastante impressionado com o local e com as coisas que vi, pois não imaginava que no sertão do nordeste pudesse haver cidades a mais de 1.000 m de altitude e com clima bom (ameno). Além do mais, o casario e o clima bucólico de Rio de Contas me conquistaram.
Agora, estou voltando à Chapada Diamantina, com algumas diferenças: vou de XT 660 R e usarei como base uma das cidades,  Andaraí ou Mucugê. Isto significa que vou "comendo belas bordas", pois a principal porta de entrada da Chapada é Lençóis, e ainda não é desta vez que lá ficarei. Escolhi as menores cidades como base para ter mais tempo de me dedicar a elas e seus arredores, além do que o passado histórico é mais marcante e presente nestes pequenos municípios. Em uma próxima viagem, fecharei  o ciclo, hospedando-me em Lençóis e visitando as atrações que deixei de ver nas duas viagens anteriores.
Não será uma viagem longa, estimo o máximo de 12 dias para todo o percurso, pois tenho compromissos assumidos no Rio que impedem um tempo de viagem maior. Caso eu não decida esticar a viagem até Aracaju, serão cerca de 4.000 km.
A bagagem está dentro da mala desde que cancelei a viagem ao centro-oeste e nordeste do país, em razão da crise de coluna devido a uma hérnia de disco, a qual estou tratando e controlando com fisioterapia. Nem precisarei arrumar as malas, está tudo pronto! Só espero que não haja imprevistos onde seja necessário fazer força, como levantar a moto ou retirar uma roda, pois não sei se serei capaz de fazê-lo. Deus e meus anjos da guarda têm me ajudado, e, com certeza, não me abandonarão desta vez!
Instalei na moto alguns itens que, acredito, me darão maior conforto na viagem: parabrisa mais alto, um banco mais ergonômico e suportes para alforjes (acho que esses eu não utilizarei).
Previsão de partida: 8 de outubro, dia seguinte às eleições.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Gramado - serra gaúcha

Eu, Almir e Júlio, que participamos da aventura em março 2012 na Argentina e Chile, aproveitamos o feriadão de 7 de setembro e decidimos nos encontrar em Gramado, na serra gaúcha, para relaxar e traçar o roteiro da próxima viagem ao exterior, que deverá ocorrer em fevereiro de 2013. Eles levaram seu amigo Ezio, que está retornando após 10 anos nos EUA. Ele (ainda) não anda de moto, mas vamos iniciá-lo nesta vida de aventureiro, tanto que traçamos uma pequena viagem de 4 dias através do litoral e serra catarinense para que ele possa testar sua habilidade. O único porém é que ele não sabe andar de moto e nem possui uma, mas isto é contornável e solucionável!  Esta viagem deverá ocorrer em outubro ou novembro próximo.
Foram dias agradáveis, de muita gastronomia, passeios e visitas.
Podemos destacar as atrações principais visitadas: museu Harley Davidson, Museu de Cera, Museu de carros americanos antigos, um museu com carros modernos onde se alugam Ferraris, Lamborghinis, Porsches e Mustangs, visita à vinícola Miolo com degustação, passeio de trem maria fumaça entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Cardoso, fábrica de chocolate artesanal, loja de fábrica Tramontina e mais algumas lojas de produtos e artigos da região.
Não fomos de moto, pois o tempo disponível não permitiria, mas nessas horas a rapidez dos aviões tem sua utilidade.
Seguem algumas fotos.











terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Norte pode esperar!

Infelizmente, terei que postergar a viagem  que estava programando, passando por Palmas e retornando pelo litoral do nordeste. Estou com a bagagem pronta e a moto preparada, mas o resultado da ressonância magnética que fiz da coluna não foi bom.

Eu precisarei fazer fisioterapia para acabar com as dores, e depois fazer alguns exercícios para reforçar a musculatura da cintura, para que a hérnia de disco não progrida e outras hérnias não se formem.
É uma pena, pois o mês de agosto é o último mês sem chuvas na região de Goiás e Tocantins, a partir de setembro o tempo não é mais tão firme, ocorrendo fortes pancadas de chuvas, que não impedem, mas atrapalham qualquer viagem.
Vou aproveitar e fazer um aquecimento com pequenas viagens e passeios pela região próxima ao Rio de Janeiro, na medida em que minha coluna vertebral permitir.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Viagem adiada


Decidi adiar a viagem ao Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Dois fortes motivos me levaram a tomar esta decisão:
1 - Atendendo a conselhos de diversos amigos (sensatos, diga-se de passagem), aguardarei o resultado da ressonância magnética que fiz da coluna. Tenho sentido dores, que só não são maiores devido aos relaxantes musculares e anti-inflamatórios que venho tomando. Não tenho condições de sequer retirar uma roda da moto em caso de necessidade;
2 -Pedidos dos filhos para passar com eles o dia dos pais. Este talvez seja o motivo mais importante.
Assim, em princípio, partirei após o dia dos pais (domingo próximo, 12 de agosto de 2012),  a menos que haja uma recomendação médica expressa em contrário.
A moto e toda a bagagem já estão prontas em Rio Claro, onde me encontro no momento. Ninguém mais do que eu anseia por esta partida! Enquanto não vou, sigo cuidando da minha pequena frota de velharias!





sábado, 4 de agosto de 2012

Dúvida

Eu deveria estar partindo amanhã para Rio Claro, onde se encontra a XT 660R, e de lá, de moto,  para a viagem cujo primeiro destino é Palmas (TO), porém uma crise aguda de dor na região lombar da coluna  na semana passada me atrasou. Após radiografar a coluna, nada foi encontrado.

Como a dor estava muito forte, impedindo-me de fazer até mesmo movimentos básicos, como caminhar, estou tomando alguns remédios para amenizá-la, enquanto é pesquisada a sua causa. Fiz um exame de ressonância magnética, que só fica pronto no fim da semana que se inicia amanhã. Como as dores estão mais suportáveis devido à medicação, pensei em seguir viagem assim mesmo, mas ao mesmo tempo me pergunto: e se a dor aumentar durante a viagem? e se eu precisar fazer algum esforço, como, por exemplo, levantar a moto ou retirar uma roda? e se eu não conseguir suportar o ritmo da viagem sobre a moto? É muito tempo na estrada, e como estarei sozinho, não terei com quem contar em caso de necessidade.
Assim, não partirei para Rio Claro amanhã, mas sim depois de amanhã, na segunda feira, adiando por um dia a saída. Caso eu não me sinta em condições, aguardarei o resultado da ressonância e a próxima consulta médica.
O mês de agosto é o limite para viajar para o centro oeste e para o sertão do nordeste; em setembro começam as chuvas. Não desisti, em hipótese alguma! Aguardem mais notícias.