domingo, 19 de maio de 2019

Atacama 2019 - San Pedro de Atacama 2


11º dia – Domingo, 19 de maio de 2019
Uma van veio buscar o Tiago no hotel às 4 h da madrugada, para visitar os gêiseres del Tatio. Como eu já conheço, permaneci no hotel até o horário do café da manhã. Dentro do hotel estava frio, mas na rua o sol aquecia. O detalhe é que nas sombras era frio.



                                           Igrejinha do povoado de Machuca, a mais de 4.000 msnm
                                           Gêiseres del Tatio - 10 graus negativos
O Eduardo partiu de volta hoje pela manhã. Ontem à noite jantamos juntos e nos despedimos. Ele viveu uma experiência incrível, e nós ganhamos (e agora perdemos) um companheiro de viagem, mas acredito que ganhamos mais um amigo.
Saí com a moto para abastecê-la e deixá-la pronta para a viagem de volta. Após guardar a moto de volta no hotel, saí novamente às ruas, flanei pela cidade, sentei na praça e respirei a atmosfera diferente e descolada de San Pedro de Atacama. Como a praça central tem wi-fi gratuito e de boa qualidade, toda vez que por lá passo aproveito para ler e enviar mensagens e fazer alguma operação bancária.


                                 San Pedro de Atacama e o imponente vulcão Licancabur ao fundo

Após o retorno do Tiago do passeio aos gêiseres, almoçamos e tentamos descansar no hotel, o que não conseguimos, e saímos novamente para as ruas. Ele decidiu subir o vulcão Toco amanhã, e contratou os serviços de uma agência especializada. Negociamos a extensão de uma diária no hotel, e, desta forma, não partiremos de retorno amanhã, e sim depois de amanhã, na terça-feira, dia 21 de maio. Tentaremos compensar este dia a mais em San Pedro durante a viagem de volta.
                                 Muitos cães, de diversas raças, abandonados pelas ruas. Triste.


                                  Um São Bernardo abandonado
Às 16:40 h recebemos uma mensagem do Eduardo dizendo que já estava em Purmamarca; havia vencido a cordilheira e feito boa viagem até aquele ponto. Que todo o seu retorno seja tranqüilo!

Atacama 2019 - San Pedro de Atacama


9º dia – sexta-feira, 17 de maio de 2019
Andamos pela cidade pela manhã, tiramos fotos e curtimos o astral do local. Faz muito frio pela manhã, porém à medida que o dia avança a temperatura vai subindo, mas acredito que a máxima não ultrapasse os 12 graus nesta época do ano. Em momento algum é possível ficar sem algum agasalho.
À tarde, Tiago e Eduardo foram de moto ao Valle de la Luna; como já estive no local por diversas vezes, fiquei no hotel atualizando este blog, baixando fotografias e selecionando as fotos a publicar. Levei mais de 3 horas neste trabalho, dentro de uma cozinha gelada, pois é o único local onde havia mesas e cadeiras no hotel!
                                 Mote com huesillos: bebida típica chilena, não poderíamos deixar de tomar!




                                Fotos de locais marcantes não podem faltar!
Quando eles retornaram, caminhamos pelas ruas e tive que comprar um tênis novo a peso de ouro, pois o que eu comprara no Paraguai soltou a sola com poucos dias de uso! Pelo visto o Paraguai não mudou, eu estava enganado! E olhem que o comprei em uma loja renomada! A loja pode ser boa, mas o produto... deixa prá lá! Faz parte da aventura!
Jantamos uma pizza em um dos inúmeros restaurantes da cidade. Tinha até música ao vivo, um conjunto só de mulheres que interpretava músicas latinas.
Em seguida, eu e Eduardo fomos para uma observação astronômica com telescópio.  Tivemos uma excelente aula de astronomia e observamos estrelas, planetas e a lua, que estava cheia. Era no alto de um morro, em local aberto e descoberto, das 22:00 h às 24:00 h, um frio de rachar, calculo a temperatura em torno de 2 a 4 graus e nós ao relento! Serviram um pequeno lanche com chá, café e chocolate, vinho e pisco e também alguns snacks, uma coisa bem legal, mas o frio estava intenso e castigava. As explicações foram ótimas, o astrônomo era muito bom. Como o grupo era pequeno, apenas 6 pessoas, rendeu bem e deu para aprender um pouco mais sobre os astros!


10º dia – sábado, 18 de maio de 2019
Este dia foi intenso e cansativo, mas como valeu!
Saímos às 7 h da manhã, com muito frio, para um passeio que envolveu as lagunas altiplânicas Miñiques e Miscantis, a laguna e o salar de Tara e a laguna Chaxa, entre outras coisas. A distância total percorrida nesta excursão foi de 300 km, grande parte em altitudes superiores a 4.000 m. Vimos vicunhas, zorros e flamingos e apreciamos paisagens incríveis, impossíveis de serem descritas ou registradas em uma simples fotografia. É necessário estar envolvido pelas montanhas, vulcões e lagoas para entender o que eu tento dizer.
                                  Cruzando o trópico de Capricórnio, região dos maiores desertos do mundo
                                 Café da manhã em Socaire


A van que nos conduziu apresentou problemas de superaquecimento (apesar do frio!!!) e teve dificuldades em alguns trechos. Em uma grande subida em rípio, parou de vez; todos tivemos que saltar e caminhar para vencer um morro de 400m de altura. Alguns passaram mal, e eu, com a articulação do quadril detonada, tive dificuldades, mas consegui vencer a caminhada de 1 km morro acima. Um dos passageiros conseguiu remediar a situação e conduziu a van até o ponto mais alto do morro, onde recolheu todos os passageiros e continuamos o passeio!
                                 Início dos problemas mecânicos da van, que parou diversas vezes
                                 Vicunhas - só existem acima dos 4.000 metros de altitude
                                  Salar e Laguna de Tara




                               O ponto onde a van parou de vez: todos tiveram que desembarcar e seguir a pé
                                   Subindo o morro a pé pela estrada, a 4.300 msnm

                                 A pequena caminhada foi compensada com paisagens como esta!


                                  Tiago, GE e Eduardo nas lagunas altiplânicas


Fomos brindados com um maravilhoso pôr-do-sol na laguna Chaxa, um festival de cores que iam se alterando à medida que o sol descia no horizonte. Em seguida, uma lua cheia surgiu no céu atrás do vulcão Láskar e iluminou a estrada e a noite em San Pedro.


                                A seguir, algumas fotos do maravilhoso pôr-do-sol na laguna Chaxa




Chegamos de volta à cidade às 20 h, após 13 horas de um dia intenso e maravilhoso.
Agradeci por poder desfrutar de tantas maravilhas, e pedi saúde e disposição para continuar desbravando tantas coisas que nos foram legadas.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Atacama 2019 - Foz do Iguaçu a San Pedro de Atacama


6º, 7º e 8º dias da viagem

6º dia – terça feira, 14 de maio de 2019
Partimos de Foz do Iguaçu às 7:30 h; passamos pelo posto de fronteira e às 8:00 h já estávamos rodando na Argentina. Temperatura de 13 graus e a ruta 12 agradável e em bom estado.  

                                    Ruta 12
Após 300 km, passamos pelo contorno de Posadas e seguimos em frente, com intenção de abastecer em Ituzaingó. Neste trecho há cerca de 150 km sem postos de abastecimento, local para almoçar ou mesmo fazer um lanche. A 70 km antes de Ituzaingó, um motociclista brasileiro que vinha em sentido contrário abordou-nos na estrada e avisou-nos que não havia gasolina em Ituzaingó: nem no posto da ruta 12, nem dento da cidade. Compramos 3 litros de gasolina em um quiosque de beira de estrada (a peso de ouro) e mantivemos velocidade baixa para economizar o precioso combustível.
Ao chegar em Ituzaingó, constatamos que realmente não havia combustível na cidade. Almoçamos no posto e nos preparamos para seguir até a próxima cidade, Ita Ibaté, para tentar abastecer.
Neste momento, conhecemos um motociclista brasileiro que viajava sozinho em uma Ténéré 250, que estava com a gasolina no final. Fomos juntos até Ita Ibaté, em baixa velocidade para que não ficássemos na estrada, o que seria catastrófico. Conseguimos chegar, havia combustível, mas esta redução de velocidade nos atrasou bastante, vínhamos em um bom ritmo até então. O motociclista chamava-se Eduardo, era de São Vicente (SP) e seguia para o mesmo destino que nós, porém não tinha qualquer experiência em viagens pela América do Sul. Nós o convidamos a seguir conosco, e passamos a ser 3 pessoas em duas motos na mesma expedição.
                                 Abastecimento em Ituzaingó, já com o Eduardo incorporado à expedição
Seguimos em frente mantendo a velocidade de cruzeiro da pequena Ténéré; atravessamos Corrientes ao por do sol, cruzamos o rio Paraná pela ponte Gral. Belgrano, deixamos Resistência para trás e ingressamos no Chaco, na ruta 16, à noite. Os primeiros quilômetros da ruta 16 são duplicados, foi relativamente fácil percorrê-los sem a luz do sol; quando a pista ficou simples, com muitos veículos vindo em sentido contrário com faróis altos, ficou bem mais difícil, tenso, cansativo e perigoso, principalmente depois de um dia inteiro na estrada. Pretendíamos pernoitar em Quitilipi, mas estava tenso e perigoso viajar à noite. Paramos em Machagai, 20 km antes de Quitilipi, em um hotel onde eu houvera pernoitado na viagem anterior. Já eram 21 h, jantamos no restaurante do hotel e desmaiamos de cansaço, após 760 km rodados durante 13 horas!
                                  Café da manhã no hotel em Machagai

7º dia – quarta-feira, 15 de maio de 2019
Após uma noite de sono reparador e um café da manhã simples no hotel, voltamos à ruta 16, que é uma reta de 707 quilômetros. Pegamos um pouco de nevoeiro no início, que foi se dissipando com a elevação da temperatura. A estrada é monótona e chata, mas precisava ser percorrida. Após Monte Quemado há um trecho de 50 km em péssimo estado, com crateras que tomam toda a pista, acostamento destruído, buracos de todos os tipos e até algums trechos de terra solta, sem asfalto. Foi cansativo percorrê-lo, levou mais de 1 hora, mas vencemos! Almoçamos em El Quebrachal e seguimos. 
                                  Saindo do hotel em Machagai, pela manhã, na ruta 16 (Chaco)

                                 Final da ruta 16 - entroncamento com a ruta 34
Ao final da ruta 16, entramos na ruta 34, que percorremos durante 150 km até o acesso a San Salvador de Jujuy, onde ingressamos em uma estrada duplicada em ótimo estado. Chegamos em San Salvador de Jujuy ao anoitecer; hospedamo-nos no hotel onde fiquei nas últimas viagens, que tem uma ótima relação custo benefício: pagamos 1.650 AR$ por um quarto triplo (40 US$), com direito a café da manhã.
                                           Hotel em Jujuy
Saímos todos para jantar, compramos folhas de coca para a altitude e, ao retornar ao hotel, eu e Eduardo ainda levamos as motos para abastecer, pois queríamos partir cedo no dia seguinte e não perder tempo. Fazia 8 graus em Jujuy, uma cidade movimentada e bonita. Este dia, passado em sua maioria na ruta 16, região do Chaco, foi cansativo devido à monotonia da estrada e à baixa velocidade que tivemos que andar para acompanhar a Tènèrè 250. Mas tudo está transcorrendo bem, vamos manter este ritmo e curtir o que deve ser curtido. O dia de amanhã será o mais difícil, devido às grandes altitudes e baixas temperaturas que teremos que enfrentar.

8º dia – quinta-feira, 16 de maio de 2019
Este dia exigiu muito de nós!
Ao partir de Jujuy a temperatura era 8 ºC. Fomos sem pressa, apreciando as belezas do início da Quebrada de Humahuaca, com suas montanhas, cactos gigantes e toda a natureza exótica ao redor. Ingressamos na RP 52, que leva ao Paso de Jama; passamos por Purmamarca e iniciamos a subida da Cuesta de Lipán, um espetáculo indescritível, que ainda me emociona, mesmo sendo a 8ª vez que subo esta montanha. Chegamos aos 4.180 m de altitude e descemos até os 3.600 m, chegando ao Salar Salinas Grandes, onde paramos e conhecemos motociclistas vindos do Brasil: 2 de Sorocaba e 5 de Curitiba, estes últimos somente em motos BMW. 
                                 Quebrada de Humahuaca
                                Iniciando a subida da Cuesta de Lipán
                                   A incrível Cuesta de Lipán



                                 No topo!

Tiramos fotos e seguimos em frente, no meio de paisagens extraordinárias, chegando a Susques, onde abastecemos e fizemos um lanche, juntamente com os 7 motociclistas que conhecêramos no Salar e que também se dirigiam a San Pedro de Atacama. Susques é um pequeno povoado localizado a 3.600 m de altitude, local que atinge baixíssimas temperaturas à noite e durante a madrugada, muitas vezes abaixo dos 20 graus negativos. Nesta manhã, às 7 h, fazia 12 graus negativos.
                                  Salar Salinas Grandes


                                 Abastecimento em Susques

Ao sair de Susques eu estava com a cabeça estourando de dor, além de uma sensação de enjôo, apesar de haver mascado folhas de coca. Seguimos viagem e eu achava que não conseguiria chegar ao Paso de Jama (4600 msnm), onde se situam a fronteira e as instalações alfandegárias e de migração de Argentina e Chile. Estava sonolento, com dor de cabeça e tonto, mas precisava prosseguir. Chegamos ao Paso de Jama e constatei que o Eduardo estava em pior estado do que eu. Após os trâmites alfandegários, ele precisou receber oxigênio para poder prosseguir viagem, estava mal e muito pálido. Enquanto aguardávamos sua recuperação masquei mais algumas folhas de coca e fiquei bem, passou a dor de cabeça e eu estava pronto pra enfrentar o trecho mais frio e mais alto, em torno dos 5.000 m de altitude.
Após o Paso de Jama, já em território chileno, sobe-se em pouco mais, a paisagem muda um pouco, surgem picos nevados, mais um salar, grandes lagunas altiplânicas e o vento vem com vontade. Fica mais frio (chegou ao mínimo de 4,5 graus), mas não pudemos usufruir muito das belezas radicais e das paisagens incríveis devido ao vento intenso e ao fato de o Eduardo não estar bem, o que limitou muito as paradas que faríamos para fotografar e apreciar as maravilhas que nos circundavam.
Iniciamos a descida de 47 km ao lado do Vulcão Licancabur e ao final chegamos a San Pedro de Atacama. 











Eu e Tiago tínhamos hotel reservado e o Eduardo conseguiu acomodação em um Hostal próximo a nós. Tomamos banho e saímos para trocar dinheiro e para jantar. A cidade continua charmosa, gostosa e muito agradável. Encontramos alguns dos motociclistas que conhecemos na estrada e trocamos contatos.
                                            Nosso hostel, em San Pedro - simples, limpo e agradável

Foi um dia extenuante, bastante cansativo para todos. Esta travessia não é fácil para motos, e não admite erros, imprevistos ou improvisos, mas vale cada quilômetro rodado. Eu faria de novo!!!