segunda-feira, 20 de maio de 2019

Atacama 2019 - Os cães de San Pedro

Há duas coisas que chamam imediatamente a atenção das pessoas em San Pedro de Atacama: a cor do céu, um azul profundo, e a quantidade de cães pelas ruas.
Quanto aos cães, são de diversas raças, alguns mestiços, mas a maioria é de grande porte e todos são extremamente mansos e dóceis, jamais atacam. A maioria foi abandonada pelos ex-donos, que se mudaram ou não puderam sustentá-los, e vagam pelas ruas frias e poeirentas à procura de comida e de abrigo. Muitos são "adotados" por comerciantes ou pessoas próximas, que lhes dão restos de comida, mas os deixam ao relento. É de cortar o coração. Em um dos meus passeios pelas ruas de San Pedro, captei imagens desses animais que são tão amigos do homem, mas que muitas vezes são renegados por aqueles a quem eles dedicam amizade e lealdade.



























E quanto ao céu da cidade, algumas fotos podem ilustrar a tonalidade e a limpeza. Talvez devido à baixíssima umidade do ar (abaixo de 7%), a ausência de vapor d'água seja responsável por um azul turquesa tão profundo.






domingo, 19 de maio de 2019

Atacama 2019 - San Pedro de Atacama 2


11º dia – Domingo, 19 de maio de 2019
Uma van veio buscar o Tiago no hotel às 4 h da madrugada, para visitar os gêiseres del Tatio. Como eu já conheço, permaneci no hotel até o horário do café da manhã. Dentro do hotel estava frio, mas na rua o sol aquecia. O detalhe é que nas sombras era frio.



                                           Igrejinha do povoado de Machuca, a mais de 4.000 msnm
                                           Gêiseres del Tatio - 10 graus negativos
O Eduardo partiu de volta hoje pela manhã. Ontem à noite jantamos juntos e nos despedimos. Ele viveu uma experiência incrível, e nós ganhamos (e agora perdemos) um companheiro de viagem, mas acredito que ganhamos mais um amigo.
Saí com a moto para abastecê-la e deixá-la pronta para a viagem de volta. Após guardar a moto de volta no hotel, saí novamente às ruas, flanei pela cidade, sentei na praça e respirei a atmosfera diferente e descolada de San Pedro de Atacama. Como a praça central tem wi-fi gratuito e de boa qualidade, toda vez que por lá passo aproveito para ler e enviar mensagens e fazer alguma operação bancária.


                                 San Pedro de Atacama e o imponente vulcão Licancabur ao fundo

Após o retorno do Tiago do passeio aos gêiseres, almoçamos e tentamos descansar no hotel, o que não conseguimos, e saímos novamente para as ruas. Ele decidiu subir o vulcão Toco amanhã, e contratou os serviços de uma agência especializada. Negociamos a extensão de uma diária no hotel, e, desta forma, não partiremos de retorno amanhã, e sim depois de amanhã, na terça-feira, dia 21 de maio. Tentaremos compensar este dia a mais em San Pedro durante a viagem de volta.
                                 Muitos cães, de diversas raças, abandonados pelas ruas. Triste.


                                  Um São Bernardo abandonado
Às 16:40 h recebemos uma mensagem do Eduardo dizendo que já estava em Purmamarca; havia vencido a cordilheira e feito boa viagem até aquele ponto. Que todo o seu retorno seja tranqüilo!

Atacama 2019 - San Pedro de Atacama


9º dia – sexta-feira, 17 de maio de 2019
Andamos pela cidade pela manhã, tiramos fotos e curtimos o astral do local. Faz muito frio pela manhã, porém à medida que o dia avança a temperatura vai subindo, mas acredito que a máxima não ultrapasse os 12 graus nesta época do ano. Em momento algum é possível ficar sem algum agasalho.
À tarde, Tiago e Eduardo foram de moto ao Valle de la Luna; como já estive no local por diversas vezes, fiquei no hotel atualizando este blog, baixando fotografias e selecionando as fotos a publicar. Levei mais de 3 horas neste trabalho, dentro de uma cozinha gelada, pois é o único local onde havia mesas e cadeiras no hotel!
                                 Mote com huesillos: bebida típica chilena, não poderíamos deixar de tomar!




                                Fotos de locais marcantes não podem faltar!
Quando eles retornaram, caminhamos pelas ruas e tive que comprar um tênis novo a peso de ouro, pois o que eu comprara no Paraguai soltou a sola com poucos dias de uso! Pelo visto o Paraguai não mudou, eu estava enganado! E olhem que o comprei em uma loja renomada! A loja pode ser boa, mas o produto... deixa prá lá! Faz parte da aventura!
Jantamos uma pizza em um dos inúmeros restaurantes da cidade. Tinha até música ao vivo, um conjunto só de mulheres que interpretava músicas latinas.
Em seguida, eu e Eduardo fomos para uma observação astronômica com telescópio.  Tivemos uma excelente aula de astronomia e observamos estrelas, planetas e a lua, que estava cheia. Era no alto de um morro, em local aberto e descoberto, das 22:00 h às 24:00 h, um frio de rachar, calculo a temperatura em torno de 2 a 4 graus e nós ao relento! Serviram um pequeno lanche com chá, café e chocolate, vinho e pisco e também alguns snacks, uma coisa bem legal, mas o frio estava intenso e castigava. As explicações foram ótimas, o astrônomo era muito bom. Como o grupo era pequeno, apenas 6 pessoas, rendeu bem e deu para aprender um pouco mais sobre os astros!


10º dia – sábado, 18 de maio de 2019
Este dia foi intenso e cansativo, mas como valeu!
Saímos às 7 h da manhã, com muito frio, para um passeio que envolveu as lagunas altiplânicas Miñiques e Miscantis, a laguna e o salar de Tara e a laguna Chaxa, entre outras coisas. A distância total percorrida nesta excursão foi de 300 km, grande parte em altitudes superiores a 4.000 m. Vimos vicunhas, zorros e flamingos e apreciamos paisagens incríveis, impossíveis de serem descritas ou registradas em uma simples fotografia. É necessário estar envolvido pelas montanhas, vulcões e lagoas para entender o que eu tento dizer.
                                  Cruzando o trópico de Capricórnio, região dos maiores desertos do mundo
                                 Café da manhã em Socaire


A van que nos conduziu apresentou problemas de superaquecimento (apesar do frio!!!) e teve dificuldades em alguns trechos. Em uma grande subida em rípio, parou de vez; todos tivemos que saltar e caminhar para vencer um morro de 400m de altura. Alguns passaram mal, e eu, com a articulação do quadril detonada, tive dificuldades, mas consegui vencer a caminhada de 1 km morro acima. Um dos passageiros conseguiu remediar a situação e conduziu a van até o ponto mais alto do morro, onde recolheu todos os passageiros e continuamos o passeio!
                                 Início dos problemas mecânicos da van, que parou diversas vezes
                                 Vicunhas - só existem acima dos 4.000 metros de altitude
                                  Salar e Laguna de Tara




                               O ponto onde a van parou de vez: todos tiveram que desembarcar e seguir a pé
                                   Subindo o morro a pé pela estrada, a 4.300 msnm

                                 A pequena caminhada foi compensada com paisagens como esta!


                                  Tiago, GE e Eduardo nas lagunas altiplânicas


Fomos brindados com um maravilhoso pôr-do-sol na laguna Chaxa, um festival de cores que iam se alterando à medida que o sol descia no horizonte. Em seguida, uma lua cheia surgiu no céu atrás do vulcão Láskar e iluminou a estrada e a noite em San Pedro.


                                A seguir, algumas fotos do maravilhoso pôr-do-sol na laguna Chaxa




Chegamos de volta à cidade às 20 h, após 13 horas de um dia intenso e maravilhoso.
Agradeci por poder desfrutar de tantas maravilhas, e pedi saúde e disposição para continuar desbravando tantas coisas que nos foram legadas.